Tempos de crise são tempos de formação

Os tempos de crise são sempre tempos bons para formação.

Porquê?

Porque quando a crise terminar quem fez formação estará mais à frente que os demais, mais preparado para novos desafios, mais qualificado para agarrar novas oportunidades. Isto para além de ajudar a que a empresa onde se encontra possa sair dessa mesma crise. E se estiver sem ocupação no momento não há como não fazer formação.

Pergunta-se então, neste contexto, o que será preferível fazer em termos de curso. Média ou longa duração? Ou, ao contrário, curta duração?

Não tenho resposta para esta questão. E responder-lhe depende de uma avaliação que se deve fazer ao que se tem e ao que nos falta. O que está a fazer-nos falta, dentro do que é a nossa visão, para os próximos tempos? Serão tempos de recuperação e de pós-crise e nessas circunstâncias o que fará mais sentido?

Isto para dizer que cada qual deve fazer uma análise do que quer e de onde está para saber para onde quer ir. Haverá oportunidades tremendas a vários níveis e setores. Mas é preciso estar dentro do contexto e preparar a realidade do que aí vem. Fazer futurologia é complexo mas há um conjunto de tendências que se vão desenhando e que podem vir a ser mais ou menos críticas num pós-crise.

Se falarmos em competências transversais, transformacionais, que permitam alavancar e reposicionar o gestor que cada um quer ser aplicam-se certamente formações de média-longa duração como um Executive MBA, um Executive Master ou uma Pós-Graduação. São valores seguros, mais ou menos transversais e, nos dois últimos casos que refiro, mais ou menos especializados, que permitirão enfrentar o futuro com mais confiança.

Não se coloca aqui a questão de já ter uma pós-graduação, no geral, pelo que porquê fazer outra? O mercado precisa de pessoas preparadas e uma pós-graduação feita há 10 anos está obsoleta. Isto para não dizer há menos tempo. Cada um tem de pensar em apostar em si para crescer enquanto útil para trabalhar. E isso ocorrerá durante uma vida de trabalho. Fazer várias pós-graduações ao longo de vida está a tornar-se uma tendência porquanto é preciso investir em nós. Se não investirmos nós quem investirá?

Se for precisa uma ou várias peças rápidas na engrenagem também não é mau arranjá-las através de cursos de curta duração.

Dito isto, depende muito do que cada qual pretende e a forma como olha o futuro e consegue ver para além do imediato. Olhar para o imediato, para o que faço hoje, para os perigos que corro é meio caminho para nada fazer e deixar passar uma série de oportunidades.

Pensar longo e perceber que o tempo de reposicionamento – enquanto pouco se passa lá fora, no mercado – é agora e não amanhã torna-se central para começar a desenhar o investimento.

Depois, perceber que, como todo o investimento, tem de ter retorno. Não será o nome do curso ou da escola, só, que irão salvar alguém. É preciso mesmo conhecimento atual e válido. Por isso é preciso voltar com mais frequência à universidade e fazer da formação uma aliada.

Não vou nomear áreas porque cada uma à sua maneira terá o seu relevo. E dependendo do perfil de cada um e do que gosta e quer fazer. Uma coisa é certa. Em crise, precisamos de ser corredores de fundo no capítulo da formação e investir em nós. Ficou provado nas 3 crises passadas que as melhores oportunidades ficaram com quem investiu em si mesmo.


Por José Crespo de Carvalho, Professor Catedrático ISCTE-IUL e Presidente ISCTE Executive Education

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