The Inevitable – o livro futurista e otimista

Por: João Castro, Director/Manager Nova SBE Center for Digital Business

 

No final do séc. XX, com a emergência e a popularização da Internet, e dos serviços que surgiram a aproveitar esta infraestrutura, houve um entusiasmo generalizado sobre as possibilidades e as alterações que trariam para a sociedade.

Nos negócios, de tal forma se acreditava no seu impacto, que muitos propuseram abandonar princípios simples pelos quais regiam decisões até aí e batizaram a nova retórica de “nova economia” e assim desafiavam o dogma.

A euforia sobre os novos planos de negócios e a nova sociedade parou abruptamente quando em 2001 se dá um grande crash das empresas tecnológicas nas bolsas que ficou conhecido como o “crash das dot com”. Durante muito tempo, a vida, a economia e a sociedade voltaram (quase) ao que eram.

A tecnologia continuou a evoluir, mas mais discretamente. As empresas que se apoiavam nela lentamente começaram a conseguir concretizar algumas das promessas à medida que se foi dando tempo a que estas amadurecessem. Hoje fala-se novamente e com outra confiança na utilidade da inteligência artificial, da automação, da captação e processamento de dados, da mobilidade, da comunicação e de novos modelos de negócio que antes eram imaginados, mas hoje começam a ser possíveis porque a tecnologia o permite.

 

Duas décadas antes deste crash, já Kevin Kelly se movia no meio tecnológico e acompanhava a comunidade, e é convidado, no inicio da década de 90, para ser o primeiro editor executivo da revista Wired, cargo que manteve durante vários anos, ajudando a criar uma das publicações referência sobre a tecnologia e a sociedade.

 

Recuando bastante mais, dois séculos antes, foram os Luddites que ficaram para a história, levando a cabo uma guerra contra os teares mecânicos, consequência da revolução industrial, por entenderem que a tecnologia iria destruir as suas ocupações e meios de subsistência. Se sobre os Luddites e as suas guerras contra os teares, o tempo ajudou a resolver o conflito, hoje eles são frequentemente relembrados no contexto da maturidade da tecnologia e dos seus impactos na sociedade. Hoje discute-se a ética das máquinas, a nossa necessidade e relação com o trabalho, com o dinheiro, com a aprendizagem, a interação com outras pessoas, com os objetos e a sua posse (preciso de ser dono de um carro ou apenas de resolver como ir de A para B?)

Neste The Inevitable, Kelly apresenta o que entende serem 12 forças que estão em ação na sociedade tecnológica de hoje e que, mesmo para os que se opõem, que aprenderam com ou ainda estão escaldados da euforia de mudança das “dot com”, são já incontornáveis e impossíveis de parar. A tecnologia amadureceu e vai ter impacto. Que impacto?

 

The Inevitable não é um tratado escrito por quem pretende partilhar a sua solução pronta a ser seguida, por um gestor, um político, um professor ou um progenitor. É um texto futurista, otimista e explora o presente e o futuro daqui a 30 anos, sem ser prescritivo. E não o sendo, torna-se mais útil por ser muito preciso na observação que faz de fenómenos menos aparentes e articulando-os, sem perder a precisão, de uma forma simples, pondo o leitor a pensar sobre a sua relação com a tecnologia, como ela tem vindo a evoluir, como a aproveitamos e como lidamos com os seus avanços.

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