“The Last Dance”​ e as suas lições

“The Last Dance” é uma obra-prima. Eu não sou uma fã muito dedicada a desporto no geral (no sentido religioso e/ou fanático do termo) ou de basquetebol em particular, mas gosto muito de estórias bem contadas, de pessoas inspiradoras, de trabalho e de evolução. E a quantidade de insights que este documentário me deu foi avassaladora!

É esmagador (re)ver a paixão, foco e a dedicação de Michael Jordan. É interessante perceber a intrinsecidade de Dennis Rodman – dizer que precisava de sentir dor e que encontrou o seu lugar na equipa a fazer o que mais ninguém ousava fazer é qualquer coisa! -, a luta (mais ou menos) discreta de Scottie Pippen pela afirmação. A tremenda lição de humildade de Magic Johnson depois da famigerada final ganha pelos Bulls frente aos LA Lakers – “se tiver de perder que seja para eles, que seja para o Michael”. A empatia e a humanidade de Phil Jackson. Tudo, de maneiras muito diferentes, inspirador.

Michael Jordan é sobre-humano naquele desporto, não há dúvidas sobre isso. O percurso marcado por uma aparente alexitímia dá lugar a um servir a equipa depois de garantida a validação externa do seu valor individual. Tudo isso é extraordinário.

Dá muito que pensar o excessivo domínio sobre os pares com o pretexto de os fazer evoluir. A verdade é que fez, os próprios reconhecem, ainda que os métodos possam ser questionáveis. Não será por certo um estilo de liderança que agrade ou sirva a todos. Produziu resultados evidentes, mas a que preço? (Pausa para reflexão).

Agora… se acham que ele pressionou os outros, não imagino sequer a esmagadora pressão que colocava a si mesmo.

Ainda assim, ultrapassar tudo – aquela espécie de luto mal embrulhado pela morte do pai -, voltar a desafiar-se em algo totalmente novo, por respeito a uma tradição familiar e à necessidade de começar algo do zero, acomodar a crítica perante um suposto insucesso quando dificilmente alguém com este nível de exposição, no mundo inteiro (!), teria tido a coragem de arriscar tanto…. é difícil de classificar.

Tudo isto para dizer que acho que é um documentário incrível e absolutamente obrigatório para qualquer pessoa que tenha interesse em temas de liderança e desenvolvimento pessoal. Os paralelismos que podemos retirar para o ambiente corporativo são inequívocos.

Deixo-vos com algumas das minhas citações favoritas do documentário e o pedido de que dediquem o vosso tempo a ver os 10 episódios na Netflix. Vale mesmo a pena.

“If I had to do it all over again there is no way I’d want to be considered a role model. It’s like a game that’s stacked against me. There’s no way I can win.”

“There is no ‘I’ in team.’ I said, ‘There’s an ‘I’ in win.’”

“Look, I don’t have to do this. I’m only doing it because it is who I am. That’s how I played the game. That was my mentality. If you don’t want to play that way, don’t play that way. Break.”

“I pulled people along when they didn’t want to be pulled, I challenged people when they didn’t want to be challenged. I earned that right … One thing about Michael Jordan is that he never asked anyone to do anything that he didn’t do.”

“Winning has a price and leadership has a price.”

“They can’t win until we quit.”

“It’s maddening because I think we could’ve won seven. I really believe that. We may not have, but man, to not be able to try, that’s something that I just can’t accept. For whatever reason I just can’t accept it.”

“Yeah, let’s not get it wrong: He was an a**hole. He was a jerk. He crossed the line numerous times. But as time goes on and you think about what he was actually trying to accomplish, you’re like, ‘Yeah, he was a helluva teammate.’”

“Most people live in fear because we project the past into the future. Michael was a mystical. He was never anywhere else. (…) His gift was that he was completely present. And that was the separator”.

“Michael didn’t allow what he couldn’t control to get inside his head”.


Por Rebeca Venâncio, Head of PR & Communications na Revolut Portugal

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