Think Green Be Green Go Green

Estava ainda a aguardar a entrada para o meu 1.º Painel na Planetiers, quando ouço duas manchetes absolutamente aterradoras: a meta definida será impossível alcançar (não a atingiríamos mesmo que parássemos tudo aqui e agora) pelo que teremos que nos remediar com o melhor possível – o que é um desafio perigoso e isento de foco ou ambição e, que o ser humano não está preparado para a profunda transformação psicológica do mindset green que seria necessário – serão precisas decorrer algumas décadas para atingir este ponto –  anos que já não temos.

É importante perceber que à data, dispomos ainda de algumas ferramentas que daqui a 10 anos já não vão existir, porque a temperatura e os impactos consequentes no Planeta já não nos darão hipótese de agir como podemos agir hoje ainda.

Esta consciência é importantíssima para a reflexão da estratégia a seguir e do que pode ser feito no imediato. Tudo conta. Todos contam. O trabalho a desenvolver é um exercício conjunto, mas real, com foco (não no passado e no que já foi feito) mas no futuro e no que falta ainda fazer.

É sem dúvida um trabalho de grupo, um movimento empresarial Call To Action que implica união, humildade, solidariedade e vontade de conseguir atingir o principal objetivo – a transformação para a economia circular.

David Attenborough tem a tarefa mais difícil – a estratégia da sustentabilidade do Planeta, o plano de ação para travar as alterações climáticas, reunir o consenso de tantos países, culturas, políticos… Acredito verdadeiramente  que não é assim tão complicado refletir sobre o que pode ser feito por cada um de nós, em cada setor, nas nossas empresas, em Portugal e nos países onde temos impacto. A cultura da sustentabilidade é algo que nasce e cresce organicamente, como na Natureza. Que começa, cria raízes e cresce progressivamente, mas como, como tudo, precisa de foco para este novo restart de green thinking.

A defesa e promoção do meio ambiente, preservação do património natural, a redução do contributo para a poluição, a promoção da separação e da reciclagem, a valorização do desperdício, o reaproveitamento de materiais, o mínimo de consumo água, a máxima eficiência energética, formas múltiplas de compensação da pegada ecológica, contributo para crescimento das áreas verdes, são basilares na nova economia verde, valores que uma organização pode adotar progressivamente e transportar para os colaboradores, para as suas famílias, para as suas comunidades. O bem-estar, a saúde e a felicidade, com um olhar pelo outro e maior respeito pelos recursos do Planeta que cada um utiliza para desenvolver a sua atividade e que, naturalmente precisa zelar pela sua manutenção.

Por outro lado, é importante desmistificar que a Sustentabilidade não é apenas o ambiente, basta olhar para cada um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – todos o evocam mas devem fazer o exercício de ver um a um o que significam e o que solicitam para agir em conformidade e procurar ter um contributo em cada um deles…

Neste contexto e particularmente neste âmbito de uma nova crise COVID-19, a solidariedade e a responsabilidade social para apoiar o previsível agravamento acentuado da pobreza em Portugal vai ser fundamental em 2021…

Neste grande desafio, na rota para a Sustentabilidade, é preciso muitos atributos, alguns visíveis outros invisíveis, contudo, não tenho dúvidas de que focar “no que é possível” e ter o “sonho green” são dois fatores críticos imprescindíveis para o make it happen. Think Green Go Green Be Green.


Por Isabel Augusto, Diretora Geral da Green Media

Artigos Relacionados: