Tomar melhores decisões: Acalme-se, se o Leão não estiver a atacar

As decisões correm mal, se se negligenciar a primeira questão crucial de qualquer processo de tomada de decisão: Devia eu acelerar ou acalmar?

A decisão de acelerar é mais fácil de ser tomada. Sem a capacidade mental para tomar segundas decisões em frações de segundos, por exemplo, investidores de mercados financeiros perdem oportunidades. Connosco acontece o mesmo: hoje, oportunidades de negócio e de vida surgem e desaparecem mais rapidamente do que nas décadas passadas.

E, entre os ambientes confusos e voláteis dos dias de hoje, muitas pessoas responsáveis pelas tomadas de decisão, estão propensas a uma paralisia de análise. Fogem de chamadas difíceis sob pressão de tempo, incapazes de assumir o risco de um erro de julgamento, que os possa deixar mal vistos. Esperam e esperam, adiando uma decisão, enquanto as opções estratégicas se vão dissipando e acabam por ficar encurralados num canto, apenas com opções abaixo da média restante.

Mas, decisões parvas também são tomadas quando líderes arrogantes consideram as palavras “decisivo” e “rápido” sinónimos abrindo, portanto, portas ao abrandamento. Alguns líderes pretensiosos, dos meus tempos da banca de investimento, orgulhar-se-iam de terem despachado rapidamente decisões complexas, como entre qual de dois excelentes candidatos contratar, ou como resolver um difícil dilema ético.

As tomadas de decisão são, normalmente, infetadas por aquilo a que eu chamo “doença da proclamação”: o impulso para acelerar decisões que precisam de uma reflexão séria. Brincávamos com um gerente: “se não tiver tomado uma grande decisão durante a hora de almoço, não sente que está a ter um dia bom”.

Psicólogos cognitivos pioneiros, como  Amos Tversky e Daniel Kahneman ajudaram-nos a compreender a nossa quase inata propensão para julgamentos precipitados. Imagine, por exemplo, dois caçadores coletores durante o Período Neolítico. Ambos ouvem sussurros debaixo de vegetação. Um pensa “leão” e foge imediatamente. O outro considera “Hmm…talvez seja um animal amigável e não um leão à espreita; vou ficar aqui e ver.”


Por Chris Lowney, autor do bestseller Liderança Heróica.

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