Transição Digital: uma inevitabilidade e uma oportunidade para as PME

Foram tantas as vezes que lemos esta expressão nos últimos anos que podemos ser levados a desvalorizar ao seu significado. Vemos a “transição digital” como um processo de evolução nas empresas, algo futurístico ou uma moda impulsionada pela pandemia. Algo que se diz agora, mas cujo significado é pouco concreto e que, provavelmente, não se falará nos próximos anos.

Acontece que nós todos estamos a viver esta “transição digital” há já algum tempo. Aliás, para as pessoas nas faixas etárias até aos 25 anos já só vale o conceito de digital.

Há 20 anos comprávamos férias em agências de viagens, procurávamos informação sobre o que nos rodeia em jornais ou revistas e fazíamos muitas coisas presencialmente ou, quando muito, falando com alguém pelo telefone.

Hoje, temos tudo isto no nosso smartphone, temos mapas com trânsito em tempo real, que nos indicam todos os serviços que se encontram perto da nossa localização, inscrevemo-nos para a vacina num website e recebemos a confirmação no nosso telefone. Comunicamos mais, partilhamos mais e mais longe. Tudo é digital de forma natural e as poucas coisas que não o são, com naturalidade iremos testemunhar a sua transição

Esta utilidade de termos, à distância de uma procura no nosso smartphone, um enorme número de serviços e de informações tem um impacto grande nas nossas vidas e, por consequência, na vida das empresas que prestam esses serviços. Para além disso, esta conveniência significa, na maioria dos casos, uma poupança de recursos do Planeta. Temos de nos deslocar menos, imprimimos menos papel e produzimos menos lixo. É um mundo diferente e melhor, estou convencido. Embora existam desafios novos que ainda estamos a aprender a gerir, como a segurança, a proteção de dados e as questões de credibilidade e veracidade da informação, que são talvez os maiores desafios.

Nas empresas a “transição digital” significa, em poucas palavras, duas coisas: fazer o mesmo usando menos recursos e fazer mais com menor investimento.

Comecemos por um exemplo simples, o de ter o não ter um website. Quando estes não existiam as empresas usavam publicidade e eventos para promoverem o que faziam. Vendiam os seus produtos usando os canais de distribuição tradicionais. Em regra, a venda era feita em geografias mais próximas. A capacidade de comunicar com os seus mercados alvo era mais limitada e mais lenta. Em 2020, de acordo com dados do INE, dois terços das empresas com mais de 10 trabalhadores tinham website, valor que cresce até 95% nas empresas com mais de 250 trabalhadores.

Estas empresas com mais de 10 trabalhadores, também segundo o INE, em 2020 já tinham uma série de funcionalidades avançadas. Cerca de 22% já usavam o website para vender e mais de metade estava presente nas redes sociais.

E quando comparamos esta realidade da utilização do comércio eletrónico pelas empresas com mais de 10 trabalhadores, o mesmo estudo do INE refere (apenas com números até 2018) que a taxa de adoção em Portugal era marginalmente superior à média da UE.

A digitalização é inevitável, mas é também uma oportunidade acessível às empresas, até às mais pequenas. A questão que se coloca é se as empresas vão digitalizar-se à medida que o mundo se torna digital ou se veem aqui uma oportunidade. Para aproveitarem a oportunidade as PME têm de responder a três perguntas simples: 1) que processos de negócio posso tornar mais eficientes pela digitalização? 2) que melhorias no acesso e serviço a clientes, geradoras de receita adicional, posso explorar com a digitalização de processos? 3) que negócios novos posso desenvolver em ambiente digital?

A oportunidade está aí!


Por João Maria Porto, Partner na Expense Reduction Analysts

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