Um guia para a remoção do carbono

Manter um clima estável requer uma transformação em grande escala o que implica limitar o aquecimento global numa ação conjunta de redução de gases com efeito de estufa até chegar às zero emissões líquidas. Numa colaboração com o Global Future Council on Net-Zero Transition e a Alliance of CEO Climate Leaders, o World Economic Forum criou o “Net-Zero to Net-Negative: A Guide for Leaders on Carbon Removal”, um guia que visa fornecer aos líderes e políticos a informação necessária a fim de acelerar a transição para uma economia compatível com um ecossistema equilbrado.

O guia concentra-se na remoção ativa de dióxido de carbono (CDR) e no seu papel para a redução de emissões e do stock já presente na atmosfera, parte integrante para qualquer estratégia de emissões zero. A prioridade é evitar e reduzir as emissões sempre que possível, seguindo assim a hierarquia da mitigação, nomeadamente:

  • Compensar emissões diretamente resultantes de uma atividade cujo impacto seja difícil ou impossível de reduzir;
  • Compensar as emissões resultantes das alterações climáticas;
  • Ter a ambição de ir mais além e corrigir as marcas do passado, combatendo o legado deixado das emissões anteriores e tentar restaurar o clima.

As técnicas de remoção estão amplamente divididas em categorias dependendo do método de remoção e, subsequentemente, o seu armazenamento. Alguns são considerados “baseados na natureza”, outros “projetados”, ou até um misto dos dois. A florestação e manutenção das florestas é, por exemplo, uma forma de redução do carbono baseada na natureza e de acessível ação.

O documento alerta também para os líderes priorizarem a remoção de emissões presentes e futuras, e estar preparados para abordar as emissões do passado. É imperativo um impacto sistémico, que envolva tanto líderes de negócios, como  políticos, ou outras figuras de poder. O guia apela à ação, encorajando as seguintes medidas:

  • Procurar informações e aconselhamento, possibilitando assim a capacidade de tomadas de decisão mais fundamentadas;
  • Apoiar iniciativas de remoção do carbono já existentes;
  • Tomar iniciativa e procurar soluções;
  • Procurar um portfólio diversificado que abranja opções biológicas e geológicas;
  • Considerar a remoção de emissões para compensar emissões passadas;
  • Preparar para o futuro e responsabilizar-se por possíveis emissões;
  • Equilibrar emissões de fontes de alta durabilidade com armazenamentos de alta durabilidade;
  • Defender políticas climáticas ambiciosas e pô-las em ação.

 

Há que salientar o passo português para esta contribuição que, oficialmente, desde o início de dezembro, começou a produzir eletricidade sem recurso à queima de carvão, atividade exercida pela Central Termoelétrica do Pego, a segunda maior poluidora do país. O Ministro do Ambiente garante que já há investimentos para a transição energética e promete abrir novos avisos de fundos comunitários até ao final do ano.

 

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