Uma marca que é a lufada de ar de que todos precisamos

No meio da pandemia fez-se luz, ou melhor, fez-se ar. O tão desejado oxigénio que permite salvar muitas vidas e que precisa de ser encaminhado até aos nossos pulmões quando a COVID-19 lá se instala, pode estar a caminho de ser uma realidade de fácil acesso pelos sistemas de saúde e também pelas pessoas em geral. Marca registada já é, chama-se Vent2Life e está a ser desenvolvido no âmbito do projeto Open Air, fundado por João Nascimento em pleno Estado de Emergência.

Esta ideia surge como e em que contexto? O que estava a fazer quando lhe ocorreu a ideia dos ventiladores?
A ideia de fazer algo para ajudar a sociedade a combater esta pandemia surgiu ao ver as notícias do que se passava em Itália, em que os profissionais de saúde se viam confrontados com a necessidade de decidir quem podiam deixar viver. Pesquisei nas redes sociais por soluções e encontrei uma discussão sobre o desenvolvimento de ventiladores médicos. Juntei-me e, depois de partilhar umas impressões, decidi publicar um post no Twitter, dando conta da nossa intenção e que convidava todos os que pudessem contribuir a juntar-se à iniciativa. O texto acabou por ser múltiplas vezes partilhado e chegou aos quatro cantos do mundo…

Depois da ideia como estruturou o pensamento para dar seguimento ao projeto?
De início, os contributos começaram a organizar-se de forma absolutamente orgânica num movimento que se chama agora de Helpfull Engineering. Ao fim de pouco tempo, percebemos que a multiplicidade de origens e motivações dos voluntários dificultava a concretização das ideias, por isso, um grupo de engenheiros e académicos portugueses organizou-se para criar soluções locais, em Portugal, que pudessem depois escalar para outras geografias. Assim, surgiu o Project Open Air.

E os apoios conseguidos num curto espaço de tempo, o que foi determinante para que os tivesse obtido?
A mobilização de voluntários e parceiros explica-se pelo contexto de emergência que vivemos e porque a sociedade global reconheceu os méritos da missão.

Houve alguma palavra milagrosa?
Não creio. A existir alguma seria o apelo em nome da humanidade.

Acha que a imagem usada para passar a mensagem foi relevante? Porquê?
A imagem do planeta apelou ao sentido de união, da luta pela causa por um bem comum. Talvez tenha sido relevante para mostrar que este era um movimento sem fronteiras e sem barreiras.

Quantas entidades responderam?
Recebemos centenas de contactos de empresas de todo o mundo, mas não consigo precisar um número. Estamos a trabalhar já com vários parceiros, nomeadamente a EDP, a FCT NOVA, a NOVA Medical School, a Outsystems, a Lift Consulting, a McKinsey & Company, a Microsoft, a PLMJ, a SIC Esperança, a Federação Portuguesa de Futebol e a TAP.

As soluções usadas para comunicar, quais foram?
Tudo começou no Twitter e em plataformas de colaboração como o Slack, mas devo também destacar o interesse que o projeto despertou juntos dos órgãos de comunicação social (nacionais e internacionais), que contribuíram para amplificar a visibilidade do projeto.

As redes sociais foram relevantes? Porquê?
Sem dúvida que as redes sociais foram importantes. Diria até determinantes, no sentido em que nos permitiram chegar a todo o mundo no espaço de minutos/ horas e de captar voluntários e contributos de diferentes geografias.

Quanto dinheiro conseguiram angariar?
Por enquanto nenhum. Apesar das centenas de mensagens a oferecer donativos, enquanto não estivermos constituídos legalmente como organização sem fins lucrativos, não podemos aceitar. Acreditamos que dentro dos próximos dias essa situação esteja resolvida.

Qual o modelo de negócio que montaram?
A atividade do Project Open Air não tem fins lucrativos, mas estamos a desenvolver o modelo da organização em parceria com a McKinsey & Company e a PLMJ que gentilmente se associaram a este movimento praticamente desde a primeira hora.

E como estamos de encomendas?
Até ao momento, lançamos duas iniciativas. A plataforma Vent2Life, que permite identificar, recuperar e reforçar o serviço nacional de saúde com equipamentos médicos inoperacionais, de forma gratuita, e publicamos um artigo científico que faz prova de conceito de um ventilador de código aberto, que pode ser rapidamente produzido em qualquer parte do mundo, a baixo custo. Agora, estamos a desenvolver protótipos com diferentes parceiros para perceber qual o modelo de produção mais eficaz destes ventiladores, portanto, ainda estamos em fase de desenvolvimento. Não temos encomendas registadas, mas esperamos vir a ter parceiros da indústria capazes de produzir estes ventiladores que possam dar resposta às encomendas que surjam. Acreditamos que este modelo de ventilador será particularmente relevante em contextos económicos mais desfavorecidos, não só pelo seu custo, mas também pelo facto de ser constituído por componentes simples, cuja produção é fácil de encontrar em qualquer país.

Por: Catarina G. Barosa

[Conheça melhor a equipa do projeto Open Air aqui]

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