Uma Novartis mais resiliente e sustentável

Na Novartis leva-se à letra a missão de prolongar e melhorar a vida das pessoas, com colaboradores preparados para estarem no seu melhor e fazerem jus à estratégia de reimaginar a medicina. Numa altura em que estão na linha da frente no desenvolvimento de uma nova vacina e no combate à COVID-19.

Para Cristina Campos, presidente da Novartis Portugal, esta crise é um momento de viragem. «É fundamental que, como indivíduos, organizações e ecossistemas saibamos abandonar hábitos, processos, projetos que já não nos servem e experimentar e robustecer novas competências, novas iniciativas que tornem as sociedades e as empresas mais resilientes e mais sustentáveis».

Na Novartis está a ser concretizado tudo isto. A ser repensada a forma de trabalhar, a absorver ensinamentos, está também a ser incorporada mais tecnologia, nomeadamente recorrendo a inteligência artificial em processos chave da cadeia de valor, desde a produção, aos ensaios clínicos e aos modelos financeiros. «Investimos muito do nosso tempo de confinamento a reforçar as nossas competências e a evoluir a nossa cultura empresarial, muito focada no empoderamento, inspiração e curiosidade e na liderança de serviço e focada na remoção de obstáculos», detalha Cristina Campos, abrindo-nos as portas de uma Novartis renovada.

«Todos somos chamados a evoluir», diz, entretanto. E é impossível ficar imune ao forte sentido de missão e honestidade de Cristina Campos.

Na linha da frente do combate, a Novartis já doou mais de 350 mil euros para fazer frente à pandemia em Portugal, nomeadamente associando-se à Plataforma “Todos por quem cuida”, uma iniciativa conjunta entre a APIFARMA, a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Farmacêuticos e o Movimento tech4COVID. Estes apoios enquadram-se no “COVID-19 Response Fund”, um fundo internacional criado pela empresa para apoiar as comunidades mais afetadas, no valor de 20 milhões de dólares.

E faz parte de um consórcio de 15 multinacionais de partilha constante de conhecimento. O objetivo é conseguir acelerar a criação e produção de uma ou mais vacinas para combater o novo coronavírus. E em breve haverá novidades, embora o desenvolvimento da vacina esteja ainda numa fase precoce.

Uma conversa honesta, via remota, em que os ensinamentos, as mensagens de esperança e a partilha de erros permanecem em nós.

Ainda que seja uma incógnita a forma como se vai sair da crise, quais é que são os argumentos de sucesso para a vossa reinvenção organizacional na Era do “novo normal”?
Para construirmos um futuro mais resiliente teremos de trabalhar (setor privado, social e governos) em conjunto e de forma ágil. Temos de arriscar mais, ser mais curiosos e humildes na aprendizagem e mais arrojados em transformar. Não podemos desperdiçar o que passámos e ainda vamos passar ao longo destes meses, com a expectativa de voltar ao “antigo normal”, mas devemos sim aproveitar esta crise como um momento de viragem. É fundamental que, como indivíduos, organizações e ecossistemas saibamos abandonar hábitos, processos, projetos que já não nos servem e experimentar e robustecer novas competências, novas iniciativas que tornem as sociedades e as empresas mais resilientes e mais sustentáveis.  Na Novartis estamos a fazer tudo isto. A repensar a nossa forma de trabalhar, a incorporar os ensinamentos desta fase que não deixa de ter contornos e não replicáveis num “novo normal”, mas que nos ensina algo. Estamos também a incorporar mais tecnologia, nomeadamente recorrendo a inteligência artificial em processos chave da nossa cadeia de valor, desde a produção, aos ensaios clínicos e aos modelos financeiros. Investimos muito do nosso tempo de confinamento a reforçar as nossas competências e a evoluir a nossa cultura empresarial, muito focada no empoderamento, inspiração e curiosidade e na liderança de serviço e focada na remoção de obstáculos. Em suma, queremos levar à letra a nossa missão de prolongar e melhorar a vida das pessoas, com colaboradores motivados e empoderados para estarem no seu melhor e contribuírem para o nosso propósito para conseguirmos fazer jus à nossa estratégia de reimaginar a medicina, em parceria com todos os profissionais que também o procuram fazer todos os dias, e através da reimaginação da nossa organização e sobretudo de cada um de nós enquanto seres humanos.

Como é que as empresas devem pensar o “day after”?
O mais importante é colocar as pessoas em primeiro lugar, ouvi-las, saber incluir a diversidade de cada um de nós, desde a nossa função ao nosso contexto familiar e à nossa personalidade. Transmitir confiança e garantir a máxima segurança, tal como foi importante na fase de confinamento, pois continuamos numa situação de enorme incerteza e ambiguidade. Por fim, considero que mais do que voltar aos hábitos antigos é importante aproveitar para começar com uma folha em branco e aproveitar todas as aprendizagens para construirmos um modelo organizacional e de negócio mais sustentável.

Fala-se muito na reinterpretação do papel dos líderes. Sente que o seu papel de líder exige novas competências?
Todos somos chamados a evoluir. Independente da nossa função. Claro que na função de Direção Geral, sinto que tenho uma enorme responsabilidade em fazer o meu papel com ainda maior cuidado. Gosto de pensar nisso em três vertentes: como líder, como gestora e como pessoa. Definitivamente, esta é uma oportunidade para me tornar mais humana e apelar e dar o exemplo para um ambiente mais colaborativo e um maior sentido de comunidade. Na gestão do negócio, estes são tempos para gerirmos o nosso P&L focado em vários “P” e não apenas no Profit. Pensar nas Pessoas e no Planeta como os nossos alicerces base de sucesso e sermos verdadeiramente agentes de mudança colocando nas nossas agendas e nos nossos atos as pessoas e o ambiente. Por fim, teremos de ser mais ágeis, para que a nossa adaptação seja célere a mudanças tão inesperadas como foi a que vivemos, para conseguimos navegar entre as polaridades da vida e do negócio e para sermos capazes de criar clareza e ajudar no foco, em tempos de tanta complexidade e volatilidade.

O que é que o coronavírus acelerou e o que alterou por completo na vossa empresa?
Claramente acelerou a nossa transformação digital, desde sempre que disponibilizamos aos nossos colaboradores as ferramentas necessárias para um trabalho flexível e isso foi muito importante para a nossa adaptação ágil e rápida a este período de trabalho remoto. Conseguimos manter todas as pessoas em casa a interagir e a colaborar diariamente sem qualquer perturbação.
Contudo, esta pandemia veio sem dúvida alterar a forma como nos relacionamos com os nossos clientes e parceiros. Se as tecnologias digitais já nos tinham vindo a permitir algumas interações online, nomeadamente com profissionais de saúde, este contexto tornou-as imprescindíveis e é por isso que continuamos a explorar abordagens multicanal, acreditamos que a aceitação das mesmas será maior tendo em conta as experiências positivas que estamos a ter neste contexto de COVID-19. Para além disso, e talvez mais relevante reforçou a nossa evolução cultural, uma cultura baseada na curiosidade na inspiração e no empoderamento e autonomia dos colaboradores faz ainda mais sentido quando não estamos juntos presencialmente, quando o contexto em que estamos como sociedade exige inovação e quando as nossas interações com clientes e parceiros assumem novos formatos.

Para quando a recuperação do setor?
O setor da saúde é um setor crucial para a humanidade. Estamos todos empenhados numa recuperação rápida, mais colaborativos na procura de soluções para que a sociedade se sinta protegida e confiante. A nossa contribuição para a economia é inquestionável, por tudo isto acredito que poderemos recuperar gradualmente e com eficácia a curto prazo e, ao mesmo tempo, com a nossa recuperação promover a recuperação de todos os setores pois uma sociedade saudável e sustentável é a base onde assenta a recuperação.

Que erros se aperceberam de ter cometido e o que aprenderam com eles?Tentamos sempre aprender à escala global. Aprendemos com a China e com alguns países europeus que começaram a ter casos de COVID-19 mais cedo. Por isso, incorporámos muita aprendizagem, por exemplo sobre o timing do confinamento e plano de desconfinamento das nossas equipas, sobre os modelos de interação com os profissionais de saúde, nomeadamente nos canais e conteúdos preferenciais. Localmente, no início cometemos o erro de manter a maioria das reuniões passando-as do presencial para o online e cedo percebemos com se tornou ingerível a presença em tantas reuniões e tão prolongadas, sobretudo com novos grupos de trabalho a surgir. Com isso, simplificámos a nossa governance e tentámos tornar as reuniões mais leves e humanas.  A vontade de ajudar e a tentação de começarmos a inovar em muitas frentes foi também enorme e desfocou um pouco a organização no início até com alguma duplicação de trabalho, uma vez que somos uma empresa com várias divisões de negócio com gestão independente. Rapidamente, decidimos focar as pessoas em menos prioridades, criámos grupos de trabalho transversais a todo o Grupo Novartis e criámos inclusive um programa “Entreajuda” para que qualquer colaborador que necessitasse de ajuda num projeto específico, estratégico e prioritário, pudesse submeter o mesmo e convidar colegas que quisessem e pudessem ajudar. A ideia era centrar as pessoas naquilo que é verdadeiramente importante e permitir que todos pudessem contribuir e aprender com novas áreas e a trabalhar com pessoas diferentes.

Como é que está a ser preparado o regresso ao trabalho?
Não gostamos de falar de regresso ao trabalho porque as nossas pessoas têm estado a trabalhar com a maior das dedicações, remotamente. O nosso regresso ao local de trabalho, quer seja ao escritório ou ao terreno está a ser preparado de forma tranquila. Será um regresso faseado e gradual, avaliando sempre se é possível manter o trabalho remoto. Vamos manter toda a flexibilidade que sempre caraterizou a Novartis, sendo a decisão de regresso ao escritório ou ao terreno exclusiva do colaborador.
No edifício, por exemplo, teremos apenas 50% das pessoas, estabelecendo turnos semanais entre as equipas, garantindo que conseguimos cumprir o distanciamento físico e ao mesmo tempo assegurar a continuidade da nossa atividade e do negócio. No caso das nossas equipas customer facing, acompanharemos as regras e orientações emitidas pelas autoridades de saúde nacionais e locais relativas às condições de acesso, tempo de permanência, número de visitantes e interações com profissionais de saúde nas unidades de saúde. Respeitamos, acima de tudo, as responsabilidades de cada profissional de saúde, bem como as necessidades do próprio sistema de saúde neste contexto de pandemia e por isso as equipas estão a adaptar as atividades com os profissionais de saúde à preferência de cada um, em cada especialidade, unidade de saúde e em cada região do País.

Como vai restaurar a segurança nos colaboradores e no vosso ecossistema?
Creio que todas as medidas que tomámos desde o início desta pandemia em Portugal dão a segurança aos nossos colaboradores de que estamos a fazer o melhor em prol da sua segurança e das suas famílias. Estamos a assistir a um desconfinamento, até agora, responsável e por isso acredito que o contexto favorável da evolução da pandemia no nosso país pode ser, sem dúvida, o fator de maior relevância na decisão de cada um de nós de regressar ou retomar o “novo normal”.

Até aqui, quais os impactos no negócio desta pandemia?
Acima de tudo o impacto que nos preocupa é nos doentes que se viram mais confinados, com menos acesso e com receio de recorrer aos cuidados de saúde. Acompanhamos com enorme sentido de missão a retoma procurando alternativas para assegurar que os doentes continuam a ter acesso aos medicamentos de que precisam e colaborando com os profissionais de saúde na procura de soluções para os desafios que enfrentam.

Que medidas foram desenhadas a esse nível?
Temos trabalhado em parceria com associações, instituições e profissionais de saúde na cocriação de novos modelos adaptados à realidade que vivemos. Por exemplo, empenhados em garantir que colaboramos para dar reposta às necessidades das pessoas com doenças crónicas e seus cuidadores, através da parceria com Associações de Doentes em várias áreas, desenvolvemos o programa “Consigo” que disponibiliza conteúdos em vídeo ou em formato webinars que respondem às questões dos doentes sobre a gestão da sua patologia e sobre como enfrentar este período de confinamento devido à COVID-19. Tirando partido das redes sociais e dos canais das Associações de Doentes acreditamos que conseguimos levar um pouco mais de informação e tranquilidade aos doentes e seus cuidadores.

Em termos de responsabilidade social, que boas práticas da empresa ressalvaria?
O nosso foco foi sem dúvida assumir o papel de cidadão corporativo na luta contra a pandemia. A contribuição da Novartis no combate à pandemia de COVID-19 em Portugal tem-se centrado em garantir que os nossos esforços e recursos contribuem para dar resposta às reais necessidades sentidas no terreno, quer no reforço das infraestruturas de saúde, quer na proteção dos profissionais de saúde que se encontram mais expostos, na linha da frente deste combate e que são essenciais para cuidarem não só dos doentes de COVID-19, mas de todos os outros.  No total, a Novartis já doou mais de 350 mil euros para o combate à pandemia em Portugal, nomeadamente associando-nos à Plataforma “Todos por quem cuida”, uma iniciativa conjunta entre a APIFARMA, a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos e ao Movimento tech4COVID. Estes apoios enquadram-se no “COVID-19 Response Fund”, um fundo internacional criado pela empresa para apoiar as comunidades mais afetadas, no valor de 20 milhões de dólares.

Que lições gostaria de partilhar?
A minha maior lição é a de que numa crise a união faz a força. Ou seja, quando estamos frágeis e nos sentimos impotentes para resolver um problema, a procura de ajuda, a vontade de ajudar e a capacidade de nos colocarmos no lugar uns dos outros, procurando um propósito comum, permite alcançar resultados incríveis e que vão deixar marcas positivas para o futuro. Outra lição é a importância de nos focarmos no que realmente importa e de valorizarmos a contribuição de todos. Dar significado aos pequenos momentos, a cada palavra e celebrar cada conquista ajudam-nos a mantermos a coesão, a saúde mental e a motivação para fazer mais e diferente.

E que conselhos deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?
Foquem-se nas pessoas. São elas que fazem a diferença.

Por TitiAna Amorim Barroso

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