Uma política para manter os que cá estão

Em entrevista ao Expresso, Maria João Valente Rosa dizia, bem, que Portugal precisa de uma política de captação de imigrantes, sobretudo qualificados. Nada a dizer: a demografia é o que é. Mas há outra política a desenhar: uma política para manter os que cá estão. Outro artigo no mesmo jornal, explicava porque estão os portugueses das zonas fronteiriças a mudar para viver em Espanha, mesmo trabalhando por cá (basicamente tudo é mais barato).

 

Políticas de atração de imigrantes de pouco servem se a nossa “geração mais qualificada de sempre” tiver de abandonar o país, não por escolha e experiência de vida mas por falta de reais oportunidades. Um país que paga salários baixos, cobra impostos proibitivos e não tem políticas favoráveis à natalidade, estará condenado a perder jovens para outros países, a deslizar para a cauda da Europa e a viver de ser um destino turístico barato e “very typical”.

 

Como já se está a ver, nada de essencial está a mudar: continuaremos a engordar o Estado à bazucada e a criticar quem cria riqueza: as empresas e os empresários. Antes de atribuir os todos os males ao mundo aos capitalistas, pensemos em bons exemplos, como o da Dinamarca: trata-se de um pequeno país com um setor industrial pujante e criador de riqueza (Lego, Maersk, Oticon, B&O e muitas, muitas mais empresas com poder internacional) e um Estado que faz a distribuição da riqueza criada. Enquanto por cá andarmos a descontar cheques vindos de fora, estaremos condenados a ver os nossos jovens partir. Por muito boas que sejam as políticas de atração de imigrantes, não estaremos a fazer bem o nosso trabalho e ficaremos condenados a levar os nossos filhos ao aeroporto. É mesmo esse o país que queremos construir?

 


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

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