A máscara, símbolo físico das restrições marcadas pela pandemia por Covid-19, deixou de ser obrigatória em Portugal, trazendo o tão esperado momento de libertação. As exceções passam pelo uso de máscara em transportes públicos, lares, farmácias e hospitais. Mas ainda muitos optam por continuar a usá-la. Por que será?
Antes do aparecimento das vacinas, a máscara era a única ferramenta que, de facto, criava uma barreira que impedia que germes e bactérias se propagassem para a atmosfera, protegendo assim o utilizador e as pessoas que o rodeiam. Com o fim da obrigatoriedade, algumas questões são levantadas.
De maneira mais superficial, o uso da máscara constituía um incómodo: a comunicação entre pessoas era mais difícil, causava problemas de pele e, potencialmente, havia a hipótese de estar a inalar microplásticos, segundo o estudo da National Center for Biotechnology Information.
Segundo a Time Magazine, por outro lado, os números mostram que o uso de máscaras ajudou não só a prevenir a infeção por Covid-19, mas também do vírus da gripe. Em 2019, o vírus da Influenza matou cerca de 24 mil americanos, enquanto em 2020, quando o uso das máscaras se tornou obrigatório, apenas 500 pessoas tinham morrido.
Para contribuir para esta estatística, ajudou não só o uso da máscara, mas também o elevado número de pessoas que nesse ano decidiu tomar a vacina da gripe, o distanciamento social, e o teletrabalho.
O uso da máscara mudou também as épocas dos vírus, assim como a imunidade de grupo das pessoas face a esses. Sem a exposição cíclica aos vírus, as pessoas não renovam a imunidade que todos os anos contraíam. Apesar de causar padrões diferentes do aparecimento viral, a verdade é que pode também causar menos doenças, visto que os vírus estão presentes de maneira mais uniforme.
Focando no caso de vários países asiáticos como o Japão ou a Coreia do Sul, o uso de máscara antes da pandemia do coronavírus em 2019 era já generalizado em transportes públicos ou quando se encontravam constipados ou doentes. Isto aconteceu depois de um foco do vírus SARS na Ásia, em 2003. A partir daí, o uso da máscara passou a fazer parte da vida de grande parte dos asiáticos, tanto que não foi um choque quando surgiu o coronavírus e se impuseram as máscaras.
Dado o impacto do coronavírus na sociedade e por todo o mundo, é natural que as pessoas não queiram voltar a usar sempre a máscara quer na rua, quer em espaços interiores. No entanto, é possível que fiquemos mais conscientes das doenças que nos rodeiam e de formas eficazes de nos protegermos.


