As novas diretrizes da Conferência Episcopal Italiana (CEI), aprovadas pelo Vaticano, vão abrir o sacerdócio a padres homossexuais em Itália. Sublinhando a importância do celibato, estas novas regras, que entraram em vigor no dia onze de janeiro, abrem as portas dos seminários aos homens gay, com uma ressalva algo ambígua: que não façam da sua […]
As novas diretrizes da Conferência Episcopal Italiana (CEI), aprovadas pelo Vaticano, vão abrir o sacerdócio a padres homossexuais em Itália. Sublinhando a importância do celibato, estas novas regras, que entraram em vigor no dia onze de janeiro, abrem as portas dos seminários aos homens gay, com uma ressalva algo ambígua: que não façam da sua homossexualidade uma bandeira. Nesses casos, condena-os de facto a esconder a sua orientação sexual.
«Quando se fala de tendências homossexuais, convém também não reduzir o discernimento apenas a este aspeto, mas, como para qualquer candidato, compreender o seu significado no quadro global da personalidade do jovem», pode ler-se no documento publicado.
Oficialmente, a Igreja Católica ensina que as pessoas homossexuais devem ser tratadas com dignidade e respeito, mas que a atividade homossexual é «intrinsecamente desordenada», de acordo com a Euronews. Diz também que os homens que «praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundas ou apoiam a chamada cultura gay» não podem ser ordenados. As mulheres continuam impedidas de aceder ao sacerdócio católico.
O Papa Francisco já afirmou publicamente que ‘ser homossexual não é crime’ e aprovou a bênção para casais do mesmo sexo, mas insistiu que o casamento só pode ser entre um homem e uma mulher.
Apesar de ser um dos papas que mais apoia a comunidade LGBTQIA+, em 2024, Francisco utilizou duas vezes um termo italiano vulgar, aconselhando os homossexuais que queriam ser padres a irem consultar um psicólogo.
«No Vaticano, há uma atmosfera de frociaggine», declarou o Papa, segundo a agência noticiosa italiana Ansa. Esta palavra, que remete a um dialeto de Roma, deriva de ‘frocio’, um insulto que se pode equiparar a ‘bicha’ e remete pejorativamente para homossexuais.
No mês de maio, Francisco pediu desculpa por ter usado esta palavra, num evento à porta fechada, ao que o Vaticano confirmou posteriormente que nunca houve intenção de ofender a comunidade ou utilizar comentários homofóbicos.

