Vem aí uma nova Ordem Económica Mundial

A empresa de consultoria em gestão de investimentos em fundos e soluções para a reforma Fidelity International publicou o que considera ser a nova ordem económica mundial. Em suma, uma recuperação em forma de U para criar mudanças duradouras na economia global; uma maior intervenção do Estado na economia; a continuidade da força económica vinda da Ásia; e ainda a existência de novas oportunidades de investimento em virtude da deslocalização.

No seu relatório “Nova Ordem Económica”, a Fidelity prevê que estas tendências se tornem permanentes, criando oportunidades de investimento em virtude da deslocalização.

“A crise financeira global levou a uma era de baixas taxas de juro, fraco crescimento e várias intervenções do banco central. Hoje consideramos que a crise da COVID-19 tem o potencial para trazer o seu próprio conjunto de mudanças”, acredita Andrew McCaffery, diretor global de investimentos da Fidelity.

O desenrolar da crise depende em grande parte da trajetória do vírus, das estratégias de saída do lockdown e de como os políticos lhes derem resposta. Com este contexto como pano de fundo, os analistas desta consultora com sede em Londres desenharam três cenários de futuro.

No seu melhor cenário, ao qual atribuíram uma probabilidade de se realizar na ordem dos 60%, dizem que iremos assistir a uma recuperação em forma de U – o que significa em teoria económica uma recessão com queda acentuada do emprego, do PIB, da produção industrial, seguida de um período de depressão que pode ser de um a dois anos, até voltar a melhorar.

Esta visão de futuro implica, em termos globais, distanciamento social até ao final do ano e o levantamento do lockdown durante o verão ou outono. Neste caso, os políticos e legisladores darão apoio adicional, tanto monetário como fiscal. Mas, dada a escala dos desafios, advertem, incluindo inflação em queda, alto desemprego e uma profunda recessão, “isso pode levar a mudanças duradouras na economia, criando uma nova ordem económica.”

A nova ordem económica

A nova ordem económica, segundo a Fidelity, assenta numa maior intervenção governamental, o que vem substituir as políticas de mercado aberto adotadas desde os anos 80. Pressupõe que o ativismo fiscal funcione em conjunto com a política monetária e que o governance corporativo e a sustentabilidade se tornem conceitos amplamente adotados, depois de terem provado o seu valor durante a crise. Algo que se estima não vir a mudar é o papel da Ásia no impulso ao crescimento global.

“Os investidores terão de se reconciliar com um ambiente de taxas de juros baixas e negativas, excesso de dívida, ferramentas de política monetária não convencionais, como o “yield curve control” ou controlo da curva de rendimento, e gastos fiscais numa escala nunca antes vista.” Mas, nem tudo é mau: estes desafios criam deslocalizações de mercado que os investidores podem explorar, defende a Fidelity.

“Vemos oportunidades emergentes na deslocalização através de novas formas de globalização.” E que novas formas são essas? A construção de resiliência em torno das cadeias de fornecimentos (especialmente se se tratar de segurança nacional), é uma delas. Além disso, oportunidades devem surgir nas disparidades regionais, quando se voltar ao “normal” depois da crise do vírus; e nas mudanças no perfil demográfico.

“O vírus está a acelerar a transição para o consumo online e as melhores empresas começaram a adaptar-se. Nesta onda de fortes disparidades na avaliação de negócios, há boas oportunidades para comprar empresas de qualidade. Nos investimentos de rendimento fixo, as taxas baixas e os programas de compra de títulos corporativos pelo banco central são benefícios para os ativos de risco”, recomendam os analistas financeiros.

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