Videoconferência e streaming de vídeo com grande crescimento durante o confinamento

Um quinto dos portugueses subscreveu pelo menos um novo serviço de informação ou entretenimento online de que não dispunha antes da pandemia, segundo um inquérito realizado pelo OberCom – Observatório da Comunicação e a Intercampus.

O estudo Pandemia e Consumos mediáticos foi desenvolvido para conhecer o comportamento e a opinião dos portugueses com 16 ou mais anos de idade sobre o consumo de media durante a pandemia causada pelo coronavírus. A informação foi recolhida junto de uma amostra de 1008 indivíduos entre finais de junho e início de julho de forma mista através de entrevistas online e telefónicas.

De acordo com os resultados, os serviços de streaming de vídeo, como a Netflix e HBO viram os seus subscritores aumentar, na medida em que 40,7% dos portugueses que subscreveram um novo serviço online aderiram a alguma destas plataformas.

Ao mesmo tempo, 11,9% subscreveram algum serviço de streaming de música, e 8,9% dos novos subscritores passaram a pagar por notícias em formato digital. De salientar a elevada taxa de retenção destes produtos, já que 84,4% dos que subscreveram algum serviço dizem que não irão cancelar algum destes novos vínculos comunicacionais.

Mas o consumo que sofreu maiores mudanças foi o de serviços de videoconferência, com 55,5% dos portugueses a afirmar que entre os seus consumos mediáticos este foi o que mais se alterou, com cerca de 91% a afirmar que utilizou mais estes serviços durante o confinamento do que antes.

Este aumento compreende-se pelo aumento do teletrabalho e também das aulas online, que acabaram por ser uma opção para universidades e escolas de todos os graus de ensino.

Já o consumo da rádio tradicional e a leitura de jornais impressos foram atividades particularmente afetadas pela negativa – está claro que o digital ganhou um papel preponderante na vida dos portugueses.

Fontes e marcas mais utilizadas para aceder à informação

Entre as fontes mais utilizadas para informação sobre a COVID-19 destacam-se os motores de busca (utilizados por 31% dos inquiridos) e o Facebook (usado por 20%). O Instagram foi mais utilizado que o Twitter durante o confinamento (4,1% e 1,4%, respetivamente), demonstrando a importância que a rede do universo Facebook está a ganhar, ao tornar-se mais usada em Portugal.

A SIC, o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã e as rádios Comercial e RFM foram as marcas mais utilizadas durante o confinamento e no período que se seguiu. Interessante notar, no entanto, que há uma elevada percentagem de inquiridos que dizem não ter usado alguma das marcas principais que lhes foram sugeridas no inquérito. O critério para a escolha das marcas apresentadas incidiu sobre a sua visibilidade, procurando sempre manter um quadro de diversidade de marcas e abordagens editoriais.

Partilha e consumo de informação

Durante o período de confinamento, os portugueses partilharam com os seus grupos de amigos (por exemplo, através de WhatsApp) notícias, edições digitais de jornais ou podcasts com frequência. Também a atividade nas redes sociais, através de posts ou comentários, foi mais frequente durante o período de confinamento que no pós-confinamento. Mas salienta-se o facto de um número considerável afirmar que raramente ou nunca faz esse tipo de partilhas (38,6% durante o confinamento, e 41% após o confinamento).

A leitura de artigos de opinião intensificou-se durante o confinamento, sendo dada preferência a artigos de opinião partilhados por marcas de notícias no Facebook, com base em informação prestada por especialistas como investigadores ou epidemiologistas.

Quando questionados sobre que produto escolheriam caso lhes fosse oferecida uma subscrição gratuita, 27,8% dos portugueses optariam por um serviço de streaming de vídeo, como Netflix ou HBO, 18,5% optariam por canais premium disponíveis no seu serviço de televisão paga e 9,7% por software ou aplicações com fins educativos. Notícias em formato digital seriam a escolha de 7,1% dos inquiridos.

Desinformação e dúvidas

Os portugueses dizem ter encontrado conteúdos desinformativos em maior grau durante o período de confinamento (71,6%) do que no pós-confinamento (54,7%). Esta diferença poderá estar relacionada com o facto de os portugueses terem estado mais ligados e atentos aos seus canais de comunicação, e não com a existência de menos conteúdos desinformativos.

Perceber o que é verdadeiro ou falso sobre o Coronavírus está bem patente quando 43,6% dos inquiridos dizem ter esta dificuldade, e mais de um terço dos portugueses dizem evitar notícias sobre a situação (36,4%). A maioria discorda que a comunicação social esteja a exagerar a gravidade da pandemia (42,5%), e apenas 23,7% dos portugueses dizem estar confusos quanto ao que podem fazer em resposta à crise.

 

Artigos Relacionados: