Vivemos num mundo de incertezas

Durante séculos, os Estados e os exércitos combateram outros povos, quase sempre por lutas territoriais e religiosas. Com o 11 de setembro, tudo mudou e surgiu a ameaça do terrorismo e, com esse flagelo, milhares de pessoas morreram nos vários cantos do mundo. O terror tornou-se numa ameaça global a par do sempre presente risco nuclear.

Os homens também mudaram. A sobrevivência tornou as sociedades mais desumanizadas. O individualismo prevaleceu sobre os direitos de solidariedade e fraternidade. A comunicação digital aproximou virtualmente as pessoas mas perdeu-se o contacto direto, os olhos nos olhos. As emoções desvaneceram-se e começamos a pensar ainda mais no Eu.

Agora, surgiu um inimigo que não é um homem, uma arma, uma bomba. É um inimigo invisível e, só por isso, mais letal. Porque mata indiscriminadamente e ninguém consegue travar o seu avanço. É certo que o planeta está a respirar um pouco melhor mas o preço é inimaginável. São milhões de pessoas que estão em risco; é uma ameaça para a qual nenhum sábio estava preparado. É este vírus que põe à prova a nossa resistência coletiva e de novo a nossa solidariedade enquanto humanidade. Afinal, é isso mesmo que está a ser escrito: uma nova página da história da humanidade.

Por: Judite Sousa, jornalista

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