Work-life balance: Como gerir em regime de home office?

Embora os tempos que vivemos, coloquem em causa um conjunto de questões que até então dávamos como adquiridas e antecedam uma crise económica, também se têm demonstrado bastante férteis nas áreas da transformação digital e das formas de trabalho a que estávamos acostumados. Certamente que as sociedades já se estavam a preparar para algumas destas transformações, mas ninguém previa que ocorressem tão rapidamente nem num contexto tão particular, quanto o da pandemia que vivemos.

Ao longo das últimas décadas tem-se estudado, investigado e implementado inúmeras práticas de work-life balance e num ápice o trabalho invadiu as nossas casas, quebrou as barreiras entre os espaços de lazer em família e o “escritório”, o nosso quotidiano social ficou suspenso. Estes fenómenos bem como a velocidade de implementação e adaptação são fatores potenciadores de desequilíbrios emocionais e consequentemente mentais, adquirindo assim a saúde mental um peso significativo na estratégia de liderança dos gestores.

O que é a saúde mental? Podemos considerar saúde mental o equilíbrio da trilogia de bem-estar emocional, social e psicológico de cada indivíduo. Tendo em consideração os dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 550 milhões de pessoas em todo o mundo, sofrem de um distúrbio mental, seja a depressão ou a ansiedade, transtornos estes que podem vir a ser a realidade de muitas famílias nesta fase, podendo por vezes serem motivo de afastamento ou até mesmo fatores incapacitantes para o desempenho das suas funções.

Em situações disruptivas como a atual, as empresas devem saber lidar com a mudança e acima de tudo geri-la, há que pensar nos objetivos, mas sobretudo no equilíbrio emocional e mental do seu maior ativo – as pessoas! É imperativo ser próximo à distância, bem como motivar e colaborar de forma eficaz.

Motivação e autonomia são duas das palavras-chave para ultrapassar este momento de dificuldade global. As organizações têm que permitir que os seus colaboradores façam a gestão do seu tempo de acordo a sua realidade familiar, no seu novo local de trabalho, que é a sua própria casa, com “colegas” mais novos e com rotinas muito próprias, como acontece com os filhos, pois também estes têm de continuar as suas rotinas escolares em casa, ou com os mais seniores, é necessário ter a capacidade de delegar e confiar um conjunto de tarefas que até há pouco tempo eram executadas em equipa no ambiente de escritório.

Da mesma forma que o GPS sem inputs não consegue sugerir o melhor caminho, é difícil definir o caminho mais saudável e eficiente sem feedback, por isso o feedback positivo e construtivo nesta fase é fundamental!

Só conseguiremos minimizar o impacto desta pandemia na sociedade e nas nossas organizações, com uma visão estratégica alicerçada no potencial das pessoas, para que tal seja possível teremos de garantir o seu bem-estar mental e o seu equilíbrio emocional.


Por Carla Patronilho, CEO da People for People

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