World Wealth Report 2020: Milionários preferem investimentos sustentáveis

Milionários preferem investimentos sustentáveis, analisam e controlam atentamente os honorários cobrados pelos seus gestores de património e procuram experiências hiperpersonalizadas. Estas são algumas das conclusões do relatório “World Wealth Report 2020” da empresa de consultoria Capgemini. Uma análise que abrange 71 países que totalizam mais de 98% do rendimento nacional bruto e 99% da capitalização dos mercados bolsistas à escala mundial.

Contudo, como para a edição de 2020 os inquiridos foram contactados em janeiro e fevereiro de 2020, os resultados não refletem o impacto dos efeitos da pandemia da COVID-19 que se começaram a fazer sentir a partir de março de 2020.

O estudo revela ainda que o nível de riqueza e o número de milionários registou um aumento de 9% em 2019 em todo o mundo, não obstante o abrandamento económico global que se fez sentir, as guerras comerciais internacionais e as múltiplas situações de tensão geopolítica que eclodiram em todo o planeta.

As regiões da América do Norte e da Europa, com um crescimento de cerca de 11% e 9%, respetivamente, assumiram a liderança e ultrapassaram a região da Ásia-Pacífico (8%), pela primeira vez desde 2012.

Na região da América do Norte, o número e o valor das fortunas dos milionários High Net Worth Individuals – ou seja, indivíduos que possuem pelo menos 1 milhão de dólares investidos em ativos, excluindo a residência principal, as coleções, os bens consumíveis e de consumo duradouro – registou um aumento de 11% face a 2018. Esta região contribuiu com 39% para o aumento de milionários em todo o mundo, e foi responsável por 37% do crescimento do valor da riqueza em 2019.

A Europa ficou imediatamente a seguir com um aumento do número e do valor das fortunas dos milionários na ordem dos 9%, ultrapassando as regiões da Ásia-Pacífico e da América Latina.

Verifica-se ainda que as prioridades dos investimentos estão a mudar: no atual ambiente de pandemia os investimentos sustentáveis e que apoiam as causas ambientais e sociais estão a ganhar uma preponderância crescente.


“Face à magnitude da incerteza que se vive atualmente, os gestores de fortunas e as empresas deste setor encontram-se em território desconhecido”, afirma Anirban Bose, CEO dos Serviços Financeiros e executive board member do Grupo Capgemini. “Mas este ambiente de incerteza pode ser uma oportunidade para os gestores de património reavaliarem e reinventarem os seus modelos económicos e de negócio, de modo a tornarem-se mais ágeis e resilientes.”

Investimentos sustentáveis e serviços de valor acrescentado ganham protagonismo
Os investimentos sustentáveis estão em ascensão e representam uma oportunidade de interação de elevado potencial com os clientes para os gestores de patrimónios. Este tipo de investimento está a ganhar uma posição considerável no segmento dos muito ricos (Ultra – High Net Worth Individuals), daqueles indivíduos que possuem um património de mais de 30 milhões de dólares investidos em ativos.

Enquanto 27% dos milionários manifestaram globalmente interesse em produtos de investimento sustentável, já 40% dos muito ricos afirmaram estar prontos a investir o seu dinheiro em desenvolvimento sustentável.

No entanto, os milionários que investem neste segmento, ao mesmo tempo que reconhecem o valor do impacto social e ambiental, também são motivados pelos proveitos e, mais especificamente, pelo aumento dos seus rendimentos e pela redução dos riscos.

Assim, 39% esperam obter retornos mais elevados com os produtos de investimento sustentável, enquanto 33% consideram estes produtos mais saudáveis e menos especulativos. De salientar que 26% dos milionários afirmaram o seu desejo de devolver à sociedade parte do que lhes deu.

Espera-se que o clima de incerteza que se está a viver venha a causar ajustamentos nos ativos ao longo de 2020, bem como a contribuir para aumentar as expectativas e para gerar um maior controlo dos fees dos serviços de consultoria.

Desde o início de 2020, que as ações se tornaram na principal categoria de ativos, representando 30% das carteiras de investimento dos milionários em todo o mundo. Este fenómeno explica-se, em grande parte, pela estabilidade revelada pelos mercados de capitais e pelas medidas de estímulo à economia que contribuíram para restabelecer a confiança dos investidores.

É nas regiões da América Latina e da Ásia-Pacífico (excluindo o Japão) que os milionários se mostraram mais inclinados a adotar os serviços de gestão de património das BigTechs, ou seja, as maiores e mais influentes empresas da indústria das tecnologias da informação. No Japão e na América do Norte, a atração das BigTechs está a aumentar significativamente entre os milionários que planeiam mudar de gestores no próximo ano, sobretudo entre aqueles que têm menos de 40 anos (90%).

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