É possível que a Economia de 2024 ultrapasse as expetativas pela positiva, como aconteceu em 2023. Com base na previsão da Goldman Sachs, vai existir um forte crescimento dos rendimentos, num contexto de arrefecimento da inflação e de um mercado de trabalho mais robusto. É esperado que os maiores impactos no crescimento do PIB provocados […]
É possível que a Economia de 2024 ultrapasse as expetativas pela positiva, como aconteceu em 2023. Com base na previsão da Goldman Sachs, vai existir um forte crescimento dos rendimentos, num contexto de arrefecimento da inflação e de um mercado de trabalho mais robusto. É esperado que os maiores impactos no crescimento do PIB provocados pela subida das taxas de juro já tenham acontecido e indústria de manufatura e produção irá recuperar.
Simultaneamente, os bancos centrais terão margem para reduzir as taxas de juro se estiverem preocupados com o abrandamento da economia. «Esta é uma importante apólice de seguro contra uma recessão», escreveu o economista-chefe do Goldman Sachs Research, Jan Hatzius, no relatório da equipa intitulado «Macro Outlook 2024: The Hard Part Is Over.»
Otimismo e crescimento marcam a Economia global do próximo ano
A Goldman Sachs prevê que o PIB mundial cresça 2,6% no próximo ano, em comparação com a previsão consensual de 2,1% dos economistas inquiridos pela Bloomberg. Um crescimento sólido do PIB traduz-se num desempenho igualmente sólido do mercado de trabalho.
A taxa de desemprego em todas as economias abrangidas pelo relatório encontra-se agora cerca de 0,5 pontos percentuais abaixo do seu nível pré-pandémico. É importante notar que esta melhoria é visível mesmo em algumas economias-chave que registaram um crescimento real do PIB muito baixo, como a área do Euro.

Mais importante ainda, o equilíbrio entre a oferta e a procura no mercado de trabalho continua a melhorar. A diferença entre emprego e trabalhadores, medida como a diferença entre as vagas de emprego e os trabalhadores desempregados, está a diminuir em todo o Mundo. Até agora, o ajustamento ocorreu quase inteiramente de forma benigna, uma vez que as vagas de emprego diminuíram sem um aumento do desemprego.
Prevê-se que a descida da inflação deste ano continue em 2024, com uma descida dos atuais 3% para um intervalo médio de 2 ou 2,5% no G10 (conjunto de países que abrange a Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos, excluindo o Japão).
É possível evitar a recessão?
A Goldman Sachs Research mantém uma perspetiva relativamente otimista, afirmando que as principais economias podem provavelmente evitar uma recessão no próximo ano. Existe, por exemplo, uma probabilidade notavelmente baixa de 15% de uma recessão nos EUA, nos próximos 12 meses,
Em primeiro lugar, preveem uma trajetória positiva para o crescimento do rendimento disponível real, apoiada por uma inflação mais baixa e por mercados de trabalho estáveis. Prevê-se que a área do Euro e o Reino Unido registem uma aceleração significativa do crescimento do rendimento real, atingindo cerca de 2% até ao final de 2024, à medida que o impacto do choque do gás provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia for diminuindo.
Em segundo lugar, apesar do impacto da subida das taxas de juro e da política orçamental nas economias do G10, o estudo sugere que o pior já aconteceu. A equipa prevê um menor impacto negativo das condições financeiras mais restritivas em 2024, em comparação com 2023, mesmo com os recentes aumentos das taxas de juro de longo prazo.
Em terceiro lugar, a fraca atividade industrial é atribuída a vários fatores, tais como uma mudança na despesa de bens para serviços, a crise energética europeia, correções de inventário e uma recuperação mais lenta do que o previsto na indústria de manufatura chinesa. No entanto, espera-se que tudo isto se desvaneça no próximo ano, levando a uma recuperação da indústria transformadora.
Por último, a equipa expressa positivismo com base na noção de que os bancos centrais vão trabalhar para evitar uma recessão, a fim de reduzir a inflação. A análise histórica de ciclos de subida anteriores indica que os principais bancos centrais têm maior probabilidade de reduzir as taxas quando existe um risco para o crescimento após a normalização da inflação para taxas inferiores a 3% do que quando a inflação é superior a 5%.


