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Home Internacional Notícias Política Lula ganha o Planalto: o operário continua no poder, Bolsonaro sai ao som da marcha fúnebre. Que Brasil vem aí?

Política

Lula ganha o Planalto: o operário continua no poder, Bolsonaro sai ao som da marcha fúnebre. Que Brasil vem aí?

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26 Outubro, 2026 | 18 minutos de leitura

A segunda volta das presidenciais brasileiras colocou frente a frente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, num confronto que atravessou a economia, a segurança, os direitos sociais e a relação com os Estados Unidos. O resultado de domingo definiu quem ocupará o Palácio do Planalto, mas também o futuro do país do samba que cada vez mais precisa de reaprender a dançar.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, com 51,79% dos votos válidos, contra os 48,21% de Flávio Bolsonaro, deixa uma diferença de 4.430.191 votos entre os dois candidatos. Lula foi reeleito presidente do Brasil para um quarto mandato, depois de uma disputa em que o adversário terminou a primeira volta na frente. Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, votaram mais de 128,2 milhões de eleitores, num universo superior a 158 milhões de inscritos. A abstenção ficou em cerca de 19,2%, abaixo dos 21,08% registados na primeira volta. A distribuição regional do voto confirma a persistência da divisão política brasileira, com o resultado nacional a traduzir a disputa entre dois projectos distintos para o futuro do país.

O Brasil chega ao fim de uma campanha em que o apelido Bolsonaro voltou a disputar o poder com o nome de Lula, duas figuras que há muito deixaram de pertencer apenas à política para se tornarem parte da identidade de milhões de brasileiros. A 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou a primeira volta com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos. A margem não resolveu a eleição, mas deixou uma indicação sobre a força de uma direita que, mesmo depois da saída de Jair Bolsonaro da Presidência, continua a ter capacidade para mobilizar o país.

Em causa estiveram dois projectos com raízes diferentes, embora ambos tenham procurado falar a um eleitorado que exige respostas para o custo de vida, a insegurança e a dificuldade de transformar o crescimento económico em melhores condições de vida. O antigo operário, Lula, apostou na continuidade dos apoios sociais e na intervenção do Estado; já Flávio procurou converter a herança do pai numa alternativa de poder, assente no conservadorismo, no endurecimento da segurança pública e numa orientação económica mais favorável ao sector privado.

É uma disputa que também se faz de ausências. Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, não esteve no boletim de voto, mas a sua presença pautou a candidatura do filho. Lula, por seu lado, carrega consigo mais de duas décadas de protagonismo político, as conquistas sociais dos primeiros mandatos e as controvérsias que marcaram o Partido dos Trabalhadores. Um procurou demonstrar que o movimento do pai pode ainda sobreviver-lhe politicamente; o outro que a sua experiência continuou a ser uma vantagem, e não o sinal de uma época esgotada.

O homem que já foi presidente três vezes

Lula tem 80 anos e uma biografia que continua a ser um dos seus principais instrumentos políticos. Antigo operário metalúrgico, dirigente sindical e fundador do Partido dos Trabalhadores, chegou à Presidência em 2003, depois de três candidaturas falhadas, e governou até 2010. Regressou ao poder em 2023, após uma eleição particularmente polarizada contra Jair Bolsonaro. Agora, procura um quarto mandato não consecutivo, numa campanha em que o passado é simultaneamente património e matéria de contestação.

A memória dos primeiros governos continua a pesar. A expansão do emprego, o aumento do salário mínimo, os programas de transferência de rendimentos e o alargamento do acesso ao consumo ajudaram a consolidar a imagem de um Brasil que, durante aqueles anos, ofereceu a milhões de famílias uma possibilidade de mobilidade social. O Bolsa Família tornou-se um dos símbolos dessa transformação e permanece central na identidade política do PT, que vê na protecção social uma responsabilidade do Estado e um instrumento de redução das desigualdades.

A proposta de Lula assenta na ideia de que o crescimento económico deve ser acompanhado por uma distribuição mais ampla dos seus benefícios. Na campanha, o presidente defendeu a valorização dos rendimentos, a protecção dos trabalhadores, o reforço dos apoios às famílias vulneráveis e medidas para aliviar o endividamento. A redução do horário semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso surgiram entre as principais bandeiras dirigidas à população trabalhadora.

A ambição é chegar a quem sente que trabalha muito e continua a viver com pouco. Num país de dimensões continentais, com diferenças profundas entre regiões e uma economia onde o emprego informal permanece uma realidade importante, a promessa de melhores salários e maior protecção social tem uma ressonância que não depende apenas da fidelidade partidária.

Há, contudo, uma distância entre a capacidade de anunciar medidas e a de as financiar. A expansão da despesa pública, os programas de crédito e os incentivos fiscais exigem escolhas orçamentais que não desaparecem com a vitória eleitoral. O governo precisa de conciliar a protecção dos rendimentos com a estabilidade das contas públicas, o investimento e a confiança dos agentes económicos. Foi nesse terreno que a oposição procurou atingir Lula, acusando-o de favorecer uma presença excessiva do Estado e de não apresentar respostas suficientes para o crescimento da produtividade.

O presidente contrapõs a esta crítica a defesa do mercado interno e a ideia de que uma economia não pode prosperar de forma duradoura quando uma parte significativa da população permanece afastada do consumo. A divergência não é meramente contabilística. Está em causa a própria função do Estado: se deve limitar-se a criar condições para a actividade privada ou assumir um papel mais activo na redistribuição dos recursos e na garantia de serviços essenciais.

O legado de Lula, porém, não se resume à economia. A Operação Lava Jato, a prisão do antigo presidente e as acusações de corrupção que atingiram dirigentes do PT deixaram uma marca profunda na política brasileira. As condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões de competência e de imparcialidade judicial, permitindo-lhe recuperar os direitos políticos. A anulação não apagou a memória dos escândalos nem a desconfiança de uma parte do eleitorado.

A campanha bolsonarista continuou a explorar esse passado, enquanto Lula procurou deslocar a discussão para os resultados sociais dos seus governos e para a avaliação da administração actual. A dificuldade esteve em convencer quem reconhece as conquistas de outros tempos, mas considera que a experiência acumulada não dispensa uma resposta às preocupações de hoje.

O filho que herdou uma guerra política

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é senador pelo Rio de Janeiro e o mais velho dos filhos de Jair Bolsonaro. A sua candidatura teve uma particularidade que a distingue das sucessões políticas habituais: o nome que lhe abre portas é também aquele que o obriga a responder a uma das maiores fracturas da democracia brasileira recente.

O bolsonarismo construiu a sua identidade em torno de uma direita conservadora, crítica do PT, favorável ao endurecimento das políticas de segurança e desconfiada da intervenção do Estado na economia. Reuniu sectores evangélicos, eleitores preocupados com a criminalidade, empresários, defensores de valores tradicionais e cidadãos que viam nos partidos estabelecidos uma estrutura distante das suas inquietações. A vitória de Jair Bolsonaro em 2018 deu expressão eleitoral a essa coligação; a derrota de 2022 não a desfez.

Flávio procura agora demonstrar que a força desse movimento não depende exclusivamente da figura do pai. O senador apresenta-se como herdeiro de uma visão política que privilegia a iniciativa privada, a simplificação administrativa, a redução de entraves à actividade económica e uma política criminal mais dura. Entre as propostas económicas divulgadas pela campanha encontram-se a revisão de normas laborais, o relançamento de privatizações e medidas para facilitar a abertura e o funcionamento de empresas.

A orientação tem uma lógica própria. Para os seus defensores, a economia brasileira precisa de reduzir a burocracia, atrair investimento e permitir que os empresários criem emprego sem suportarem um peso excessivo de impostos e encargos. A promessa de simplificação procura falar a quem encontra obstáculos na criação de um negócio e a quem entende que o Estado consome demasiados recursos sem oferecer serviços proporcionais.

A questão está na execução. Uma revisão das regras laborais pode facilitar determinadas contratações, mas também alterar a protecção de quem tem menor poder negocial. As privatizações podem gerar receitas e melhorar a eficiência em certos sectores, mas não dispensam uma avaliação do interesse público, da concorrência e do acesso aos serviços. A redução da despesa, por sua vez, obriga a escolher onde cortar, numa sociedade em que as necessidades de saúde, educação, segurança e protecção social continuam a ser vastas.

O apelido Bolsonaro ajuda a mobilizar um eleitorado fiel, mas não resolve estas contradições. Flávio precisa de mostrar que a continuidade política que representa é acompanhada por uma capacidade de governação própria. A campanha tenta fazer essa passagem sem renunciar à figura do pai, cuja influência permanece decisiva entre os apoiantes mais convictos.

É aqui que a promessa de amnistia a Jair Bolsonaro ganha importância. Flávio assumiu que procurará conceder ao pai uma solução política para a sua situação judicial caso vença as eleições. A proposta transforma a sucessão familiar numa questão institucional: até onde pode ir um presidente para beneficiar um familiar condenado, e que consequências terá essa decisão para a confiança na separação de poderes?

Para os apoiantes do antigo presidente, a condenação é vista por muitos como o culminar de uma perseguição política. Para os adversários, a tentativa de reverter as consequências judiciais da conspiração golpista seria um sinal de que o poder executivo pode ser utilizado para proteger os seus próprios. O futuro de Jair Bolsonaro tornou-se, assim, uma questão central da candidatura do filho, mesmo quando a campanha procurou deslocar o debate para a economia e a segurança.

Segurança pública, o terreno onde a direita quer mandar

Poucos temas têm a capacidade de atravessar tantas diferenças sociais como a criminalidade no Brasil. A violência urbana, o poder das facções, o tráfico de droga e a presença de organizações criminosas em territórios onde o Estado tem dificuldade em assegurar uma presença efectiva fazem da segurança uma das principais preocupações dos eleitores.

Flávio Bolsonaro procura capitalizar esse sentimento com uma política de maior rigor penal. Defende a classificação das facções criminosas como organizações narcoterroristas, a ampliação da capacidade prisional e um reforço dos meios de vigilância e de combate ao crime organizado. A campanha apresenta estas medidas como uma resposta à percepção de impunidade e à insuficiência da acção pública perante organizações que controlam territórios e condicionam a vida quotidiana de comunidades inteiras.

A proposta de construir 500 mil vagas no sistema penitenciário é uma das mais expressivas da sua campanha. A dimensão do número levanta, por si só, questões sobre custos, prazos, capacidade administrativa e o papel da prisão na política criminal. A expansão do sistema pode responder a problemas de sobrelotação e permitir o cumprimento de penas, mas não resolve isoladamente a organização das facções dentro das cadeias nem substitui a investigação financeira, o controlo das armas e a capacidade de impedir que as redes criminosas continuem a operar.

Lula procura responder por outra via, propondo a criação de um Ministério da Segurança Pública que coordene a intervenção federal com as autoridades estaduais e municipais. A ideia é reforçar a articulação entre instituições que, no sistema brasileiro, partilham competências e recursos, ao mesmo tempo que se procura melhorar o combate ao crime organizado.

O confronto entre os dois modelos ficou exposto no debate da TV Band, a 18 de outubro. Lula questionou o adversário sobre as relações da família Bolsonaro com figuras ligadas a actividades criminosas e sobre a sua posição em matérias de segurança. Flávio procurou associar o governo do presidente à incapacidade de travar a criminalidade e insistiu na necessidade de penas mais duras e de maior capacidade de encarceramento.

O debate depressa se desviou das propostas para as acusações pessoais, com referências a investigações, escândalos familiares e suspeitas de corrupção. O que deveria servir para esclarecer o eleitorado sobre as diferenças entre os programas acabou por expor a dificuldade de os dois candidatos se afastarem da guerra política que alimenta as respectivas bases eleitorais.

A segurança é um tema em que a retórica tem consequências. Uma política centrada no endurecimento das penas pode produzir sinais imediatos de firmeza, mas os resultados dependem também da capacidade de investigação, da prevenção e da eficácia das instituições. Uma estratégia de coordenação pública, por sua vez, precisa de demonstrar que consegue produzir resultados num sistema federativo onde os estados têm responsabilidades fundamentais e recursos desiguais.

O eleitorado escolheu entre estas prioridades, sabendo que nenhuma promessa resolve, por si só, a complexidade da violência brasileira.

O preço do voto e a conta que fica para depois

A economia foi outro grande campo de disputa, embora Lula e Flávio partam de concepções diferentes sobre a forma de estimular o crescimento. O presidente aposta na expansão dos rendimentos e na intervenção pública como motores do mercado interno. O senador privilegia a simplificação regulatória, o investimento privado e a redução do peso do Estado.

A diferença aparece também na forma como cada um se dirige aos trabalhadores. Lula procura proteger direitos existentes e reduzir a duração do trabalho, defendendo que o aumento da produtividade não deve ser obtido exclusivamente à custa do tempo e dos rendimentos de quem trabalha. Flávio propõe maior flexibilidade nas relações laborais, incluindo modalidades de contratação que permitam adaptar os horários às necessidades das empresas.

A discussão sobre a escala de seis dias de trabalho para um de descanso tornou-se um dos pontos mais visíveis da campanha. Para os defensores da sua eliminação, a redução do horário é uma questão de saúde, dignidade e conciliação entre a vida profissional e familiar. Para quem privilegia a flexibilidade, uma alteração generalizada pode aumentar os custos das empresas e exigir adaptações que nem todos os sectores conseguem fazer da mesma forma.

O problema é particularmente relevante num país onde o emprego informal, os baixos rendimentos e as diferenças de produtividade entre sectores condicionam a aplicação das mesmas regras. Uma mudança legislativa pode beneficiar trabalhadores com contratos formais, mas produzir efeitos diferentes em actividades onde os rendimentos dependem do número de horas trabalhadas ou onde as empresas dispõem de pouca margem financeira.

O custo de vida atravessa estas questões. A inflação pode desacelerar sem que os preços regressem aos níveis anteriores, e uma melhoria dos indicadores económicos nem sempre se traduz numa sensação de alívio para as famílias. Lula procura defender a evolução dos rendimentos e os programas sociais como resposta a esta pressão; Flávio apresenta a redução dos encargos e a dinamização do sector privado como caminho para criar emprego e melhorar o poder de compra.

A disputa também se fez de crédito. Os programas de renegociação de dívidas e de apoio ao consumo podem dar algum fôlego a famílias e pequenos empresários, mas exigem cuidado para que o alívio imediato não se transforme numa nova acumulação de encargos. A facilidade de acesso ao financiamento só é sustentável quando acompanhada por rendimentos capazes de suportar os compromissos assumidos.

Os dois candidatos procuraram, por isso, apresentar-se como a melhor resposta às dificuldades económicas, embora tenham partido de diagnósticos diferentes. Lula entende que a desigualdade limita o crescimento e exige intervenção pública; Flávio acredita que a economia precisa de maior liberdade para gerar oportunidades. O resultado ditou qual destas leituras encontrou maior adesão, mas está longe de resolver a questão de fundo: como transformar a dimensão económica do Brasil numa melhoria persistente das condições de vida.

Trump, a Amazónia e o lugar do Brasil no mundo

A eleição brasileira tem também uma dimensão internacional que ultrapassa a disputa entre dois candidatos. O país é uma potência agrícola, uma das maiores economias do mundo e um actor central na América Latina, com uma posição determinante nas discussões sobre clima, recursos naturais e equilíbrio entre as grandes potências.

Lula procurou afirmar uma política externa multilateral, defendendo a autonomia diplomática do Brasil e a capacidade de manter relações com países de diferentes orientações políticas. A sua visão atribui importância aos BRICS, à cooperação entre países do Sul Global e ao papel brasileiro nas negociações climáticas. A intenção é preservar margem de manobra num contexto em que a rivalidade entre Estados Unidos e China condiciona cada vez mais as decisões económicas e tecnológicas.

Flávio Bolsonaro visa privilegiar uma relação mais próxima com Donald Trump, com quem o universo político da família partilha afinidades ideológicas. A aproximação aos Estados Unidos pode reforçar a cooperação em matérias como segurança e combate ao crime organizado, mas também levanta dúvidas sobre a capacidade brasileira de manter uma política externa autónoma, sobretudo quando estão em causa interesses comerciais e estratégicos divergentes.

A relação com Washington ganhou uma importância particular depois de a administração Trump ter utilizado tarifas e outras medidas de pressão no contexto das tensões com o Brasil. Lula apresentou essas acções como uma interferência nos assuntos internos do país e procurou transformar a defesa da soberania nacional num argumento de campanha. Flávio rejeita a leitura de submissão aos Estados Unidos e defende que a cooperação internacional pode produzir benefícios económicos e de segurança.

A Amazónia acrescenta outra camada a esta escolha. A floresta é um recurso ambiental de importância mundial, mas também um território emaranhado por interesses agrícolas, mineiros, energéticos e políticos. A forma como o próximo governo conciliar desenvolvimento económico, fiscalização ambiental e compromissos climáticos terá consequências para a reputação internacional do Brasil e para a capacidade de atrair investimento.

Lula procurou recuperar a imagem de um país que participa activamente na diplomacia climática e defende a preservação ambiental. O campo bolsonarista foi mais crítico das restrições que considera prejudiciais à actividade económica, dando prioridade à exploração de recursos e à soberania sobre o território. A divergência não elimina a necessidade de compatibilizar a conservação com o desenvolvimento, mas altera a maneira como o Estado define os limites dessa relação.

Nenhuma destas opções existe num vazio económico: o comércio, o investimento, a energia e os recursos naturais impõem limites que a retórica eleitoral não consegue afastar.

O que vem aí?

Ficam as perguntas sobre a capacidade de governar um país dividido, sobre a relação entre o poder executivo e as instituições, sobre a segurança pública e sobre a margem financeira para concretizar as promessas da campanha. O resultado não elimina as contradições de nenhum dos projectos. Define, antes, quem terá de lhes responder a partir do Palácio do Planalto. E essa missão cabe a Lula, o antigo operário que regressa ao Palácio do Planalto com a legitimidade das urnas, mas também com a responsabilidade de governar um país que permanece dividido. A vitória encerra uma disputa eleitoral, não a contenda em torno do rumo do Brasil. Entre as promessas de reconstrução social, as exigências de uma economia pressionada e a persistência de um bolsonarismo que não desaparece com a derrota, começa agora outro capítulo, talvez menos ruidoso do que a campanha, mas bem mais exigente: transformar a vitória em governação e convencer um país inteiro de que ainda é possível encontrar um compasso comum.

 

Fotografia: Lula Oficial

 

 

Marcelo M. Teixeira,
Jornalista

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