O sangue maiorquino corre-lhe nas veias, mas Rafael Nadal Parera pertence ao mundo. À volta do globo, o espanhol brilhou em 22 Grand Slams, ganhou 92 títulos ATP, e arrecadou 14 troféus em Roland-Garros. Segurou sempre a raquete com adorno e a força das suas pancadas deram-lhe o estatuto de gigante. Pelo caminho, assinou contratos […]
O sangue maiorquino corre-lhe nas veias, mas Rafael Nadal Parera pertence ao mundo. À volta do globo, o espanhol brilhou em 22 Grand Slams, ganhou 92 títulos ATP, e arrecadou 14 troféus em Roland-Garros. Segurou sempre a raquete com adorno e a força das suas pancadas deram-lhe o estatuto de gigante. Pelo caminho, assinou contratos com empresas espalhadas pelo mundo. Cresceram em conjunto e deixaram marcas nas enciclopédias do desporto. Terminou a semana passada, aos 38 anos, a carreira de uma lenda.
Há atletas que mudam a história do desporto. Normalmente, são aqueles que transpiram lágrimas, que deixam a pele em campo e que se superam a eles próprios. Nadal é feito dessa casta. Soube sempre dizer não ao que era devido. Não ao cansaço. Não a desistir. Não à derrota. Com os atributos técnicos aliados ao carisma, seduziu desde cedo patrocinadores.
O caso mais marcante é o da Nike, com quem Nadal assinou o seu primeiro contrato aos 13 anos de idade. A empresa norte-americana vestiu-o durante toda a sua carreira e, em 2018, anunciou a sua última extensão em troca de dez milhões de dólares garantidos.
O reconhecimento da marca é perentório. Na sua última atuação no court, durante a Taça Davis em Málaga, a Nike mudou até o seu emblemático logótipo, o “Swoosh”, pelo símbolo de um touro, figura icónica associada ao tenista.
O rei da terra batida, onde somou o maior número de títulos (63), ajudou os patrocinadores a ganharem visibilidade. Exemplo disso é a fabricante automóvel de origem sul-coreana, KIA, que nomeou Nadal embaixador mundial em 2006 e com quem o espanhol tinha, inicialmente, um contrato até 2025. Durante este período, o preço das ações da Kia também registou uma subida vertiginosa, valorizando-se em mais de 400%. Mais recentemente, Nadal renovou ainda os seus compromissos com várias das maiores empresas espanholas, como é o caso do banco Santander e da Telefónica.

O futuro financeiro de Nadal
Rafael Nadal e o grupo hoteleiro Meliá assinaram uma aliança em que acordaram abrir novos hotéis em conjunto. A lenda espanhola também está a investir no setor imobiliário. Inclusivamente, criou uma empresa imobiliária, chamada Palya Invest, com a qual planeia investir mais de 200 milhões de euros na construção de casas de luxo na Costa del Sol.
Nos últimos anos, Nadal tem também estado intimamente ligado ao setor hoteleiro, que é fundamental para a sua carteira de investimentos. É coproprietário da Tatel, uma cadeia de restaurantes de luxo com filiais em Madrid, Ibiza, Miami e Beverly Hills. Por último, existe a Academia Rafa Nadal, um centro educativo e desportivo de renome mundial, inaugurado em 2016.
Rafael Nadal manteve-se no top 10 do ténis mais de 900 semanas consecutivas, disputando no total de 1308 partidas ao longo do percurso desportivo. Canhoto por opção, é destro no dia-a-dia. Lutador nato, homem de família, foi sempre um exemplo de cavalheirismo no court. Nunca partiu uma raquete ao longo de duas décadas.
Além disso, também é craque fora dos campos. Nadal ajudou a população maiorquina aquando das cheias de 2018, tendo sido mais um a limpar lama das ruas. Na despedida emocionada, considerou-se «um sortudo» por ter conseguido perseguir os sonhos. Demonstração clara da humildade de uma lenda que vai deixar saudades.
Imagem destaque: Instagram Rafael Nadal


