A volatilidade global influencia todos os setores da sociedade e o recrutamento não é exceção. Para o próximo trimestre, os empregadores nacionais demonstram intenções de contratação moderadamente positivas, mas mais cautelosas. 34% dos empregadores pretendem aumentar as suas equipas, 18% anteveem reduzir e 45% planeiam manter o seu número atual de colaboradores. Estes valores refletem, assim, um cenário de contenção nas contratações nacionais.
A Projeção para a Criação Líquida de Emprego está a fixar-se nos +16%, o que representa uma diminuição de 3 pontos percentuais face ao trimestre anterior e de 2 pontos percentuais quando comparado com o período homólogo do ano passado.
Estes são alguns dados do ManpowerGroup Employment Outlook Survey, que analisou um universo de 524 empresas portuguesas.
«As intenções de contratação para o terceiro trimestre de 2025 revelam um mercado de trabalho cauteloso, com os empregadores portugueses a manterem-se positivos, ainda que moderados, em relação ao aumento da sua força de trabalho, num contexto marcado por uma acentuada incerteza, tanto a nível interno como internacional», afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal.
«A nível global, verificamos que os riscos associados à desaceleração económica e às tensões no comércio internacional continuam a influenciar a confiança das empresas e, em Portugal, a instabilidade política recente e a revisão em baixa das previsões de crescimento do PIB refletem-se num ambiente de maior prudência por parte dos empregadores. Ainda assim, apesar dos sinais de abrandamento, as empresas mantêm o foco na contratação estratégica, à medida que se adaptam a um cenário económico mais volátil», conclui.
Redução nas perspetivas de contratação dos setores de Bens e Serviços de Consumo, da Indústria Pesada e Materiais e dos Transportes, Logística e Automóvel
Todos os setores revelam intenções de contratação positivas para o terceiro trimestre do ano, com o setor de Energia e Utilities a destacar-se com a Projeção para a Criação Líquida de Emprego mais elevada, situando-se nos +34%. O setor dos Serviços de Comunicação acompanha este otimismo e regista também intenções de contratação sólidas, com +30%. Ambos setores revelam um crescimento considerável entre trimestres e na comparação anual, com a Projeção a situar-se 12 e 14 pontos percentuais, respetivamente, acima do valor do período homólogo do ano passado.
Seguem-se os setores da Saúde e Ciências da Vida e de Finanças e Imobiliário, também com um sentimento favorável às contratações e Projeções de +29% e +21%, respetivamente. Ambos mostram perspetivas em crescimento face ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado.
Tanto o setor das Tecnologias de Informação como o de Bens e Serviços de Consumo revelam Projeções para a Criação Líquida de Emprego positivas de +19% e +13%, mas menos otimistas do que no trimestre anterior, com uma quebra de 6 e 8 pontos percentuais, respetivamente. No caso do setor de Bens e Serviços de Consumo, observa-se igualmente uma diminuição de 11 pontos percentuais face ao período homólogo do ano passado, enquanto que no setor tecnológico, essa comparação mostra uma ligeira recuperação na Projeção, de 2 pontos percentuais.
No setor da Indústria Pesada e Materiais, as perspetivas de contratação são mais conservadoras, situando-se nos +10%, um valor que revela um abrandamento considerável entre trimestres, com menos 14 pontos percentuais, e ano-a-ano, com menos 12 pontos percentuais. Já as empresas de Transportes, Logística e Automóvel avançam com uma Projeção de +9%, apresentando as descidas mais consideráveis de todos os setores: 19 pontos percentuais face ao trimestre anterior e 16 pontos percentuais relativamente ao mesmo período do ano passado.
Grande Porto, Grande Lisboa e Região Norte abrandam intenções de contratação
Todas as regiões apresentam intenções de contratação positivas para os meses de julho a setembro, mas apenas duas registam um crescimento em relação ao trimestre anterior e ao período homólogo de 2024.
O sentimento de maior confiança nas contratações é observado na Região Centro e na Região Sul, com os empregadores a avançarem uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +29% e +24%, respetivamente. A Região Centro apresenta a subida mais acentuada comparativamente aos mesmos meses do ano passado, crescendo 22 pontos percentuais. Já a Região Sul, impactada pelo efeito da época do turismo, é a que regista a maior evolução face ao trimestre passado, revelando um aumento considerável de 18 pontos percentuais.
Segue-se o Grande Porto, com a Projeção a fixar-se nos +20%, um valor positivo, mas que revela uma diminuição de 6 pontos percentuais entre trimestres e, por fim, os empregadores da Grande Lisboa e da Região Norte que revelam as intenções de contratação mais baixas para o terceiro trimestre do ano, com +12% e +5%, respetivamente.
Empregadores das Microempresas pretendem reduzir as suas equipas, apresentando regressão mais acentuada
Cinco das seis categorias de dimensão de empresa analisadas apresentam previsões de contratação positivas para o terceiro trimestre de 2025. No entanto, apenas as Pequenas Empresas e as Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores registam uma evolução positiva face ao trimestre passado.
Com a previsão mais otimista estão as Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores, com uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +27%. O sentimento de contratação é igualmente favorável no caso das Pequenas Empresas e das Médias Empresas, com Projeções sólidas de +25% e +21%.
Seguem-se as Grandes Empresas de até 1000 trabalhadores e de entre 1000 e 5000 trabalhadores, com perspetivas igualmente positivas, mas mais cautelosas, e Projeções de +16% e +12%, respetivamente. Por fim, as Microempresas são as únicas que avançam com intenções de contratação negativas, com um valor de -15%, o que se traduz numa redução líquida de emprego. Estas últimas são as que apresentam a maior descida, não só entre trimestres, com menos 38 pontos percentuais, mas também face ao mesmo período de ano passado, revelando uma diminuição de 41 pontos percentuais.
O crescimento da empresa é o principal motivo para contratar no terceiro trimestre
No que respeita às razões dos empregadores relativamente às suas intenções de contratação, o crescimento da empresa é a principal razão apontada para a criação de emprego, sendo destacada por 34% dos empregadores. Não obstante, para 38% das organizações, os efeitos combinados da transformação nos modelos de negócio e da digitalização representam também uma das principais motivações de contratação.
Já no que respeita aos empregadores nacionais que projetam uma redução no número de colaboradores no terceiro trimestre, estes destacam os desafios económicos (26%) como principal motivo para reduzir as suas equipas. Também aqui se nota o impacto da transformação digital, com 28% dos empregadores a referir a evolução nas necessidades de competências e/ou a automação como fatores impulsionadores das reduções nas equipas.
A nível global, embora as intenções se mantenham positivas, há um abrandamento face ao trimestre passado, revelando cautela por parte dos empregadores
O sentimento de incerteza, resultante da escalada das tensões comerciais, das mudanças políticas e do enfraquecimento das perspetivas económicas, está a diminuir a confiança das empresas a nível global, traduzindo-se num abrandamento da dinâmica de contratação, com uma queda das projeções de emprego. Face a este contexto, entre julho e setembro de 2025, a Projeção para Criação Líquida de Emprego global cai para +24%, 1 ponto percentual abaixo do registado no último trimestre.
O impacto deste cenário está a ser sentido particularmente nos mercados desenvolvidos, com abrandamento acentuados nas perspetivas de contratação. É caso disso a América do Norte que, embora ainda revele perspetiva fortes, com uma Projeção que se situa nos +30%, revela uma redução de 4 pontos percentuais face ao trimestre passado, após três trimestres consecutivos de crescimento.
Também na região EMEA, onde se situa Portugal, a difícil situação comercial e económica obrigou algumas empresas europeias a congelar as contratações ou mesmo a reduzir os postos de trabalho, nomeadamente no setor automóvel, na banca ou na indústria. A Projeção fixa-se, assim, nos +19%, 1 ponto percentual abaixo do registado nos três meses anteriores, com países como o Reino Unido (+12%), a Polónia (+11%) e a Espanha (+11%) a caírem 12, 5 e 4 pontos percentuais, respetivamente.
A região da Ásia-Pacífico (+29%) sofre também uma queda entre trimestres no que toca às intenções de contratação, com menos 1 ponto percentual. Embora a economia da China (+28%) tenha registado algum crescimento no primeiro trimestre do ano, a antecipação das tarifas e a guerra comercial parecem estar a abalar a confiança dos empregadores, com uma redução de 4 pontos percentuais na Projeção, face ao segundo trimestre de 2025.
Apesar deste contexto global, alguns mercados emergentes continuam a registar um crescimento do emprego. Alimentada por países como a Costa Rica (+41%) e o Brasil (+33%), a região da América do Sul e Central, com uma Projeção de +24% é a única região analisada a apresentar uma evolução positiva entre trimestres, ainda que ténue, aumentando de 1 ponto percentual.
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou mais de 40.600 empregadores, em 42 países e territórios. Os resultados completos do ManpowerGroup Employment Outlook Survey para o terceiro trimestre de 2025 podem ser consultados aqui.