O cartão domina cada vez mais na carteira dos portugueses. Oito em cada dez (83%) usam-no para pagar, segundo um estudo da Nickel e da DATA E, revelando um salto de sete pontos percentuais face a 2024. As transferências a crédito ocupam o segundo lugar das operações mais comuns (65%), seguidas dos levantamentos em ATM (53%).
Nos métodos de pagamento preferenciais, o cartão de débito ou crédito mantém o trono (73%), com o contactless — seja via cartão físico ou app — a ganhar terreno (37%). Ainda assim, o dinheiro vivo continua a circular: mais de um quarto dos portugueses (26%) confessa que não dispensa as notas e moedas.
E, curiosamente, há cada vez mais gente a pôr dinheiro no banco. Os depósitos em numerário cresceram seis pontos percentuais num ano, para 43% dos inquiridos. A maioria fá-lo de forma pontual (55%), mas quase um quinto dos algarvios (19%) e dos nortenhos (18%) deposita pelo menos duas a três vezes por mês.
O problema? Guardar o dinheiro é, para muitos, mais difícil do que gastá-lo. Cerca de 15% dos portugueses dizem ter «alguma» ou «muita dificuldade» em efetuar depósitos, com Lisboa a liderar essa lista negra (19%). A principal queixa é a dificuldade em encontrar um balcão disponível (83%, mais 15% que no ano passado), seguida da complexidade da operação no multibanco (20%).
«Apesar da crescente digitalização, uma parte significativa da população continua a preferir métodos tradicionais, como o numerário. Ao mesmo tempo, crescem as dificuldades práticas para realizar operações tão básicas como depositar dinheiro — o que sublinha a importância de modelos de negócio de proximidade e mais inclusivos», sublinha João Guerra, CEO da Nickel Portugal.
O inquérito foi realizado entre 1 e 4 de abril de 2025, junto de 1.015 residentes em Portugal continental e regiões autónomas, com idades entre 18 e 64 anos.