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Home Entrevistas Leadership Notícias «A Humanidade está a dar aqui uma volta qualquer», partilha Luís Portela

Entrevistas

«A Humanidade está a dar aqui uma volta qualquer», partilha Luís Portela

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13 Junho, 2024 | 17 minutos de leitura

Olha para a espiritualidade com as lentes da Ciência, sustentando-se de fenómenos da Parapsicologia, como a telepatia, a pré cognição, a psicocinese ou as vidas passadas. Luís Portela (Presidente da Fundação Bial) admite que somos partículas de energia e de amor que vivem temporariamente num corpo físico. Tem um lado espiritual muito esclarecido. Luís Portela […]

Olha para a espiritualidade com as lentes da Ciência, sustentando-se de fenómenos da Parapsicologia, como a telepatia, a pré cognição, a psicocinese ou as vidas passadas. Luís Portela (Presidente da Fundação Bial) admite que somos partículas de energia e de amor que vivem temporariamente num corpo físico.

Tem um lado espiritual muito esclarecido. Luís Portela acredita que a espiritualidade reside no autoaperfeiçoamento e na introspeção.

«Quem está aberto à espiritualidade ou quem se assume na espiritualidade vai valorizando outras coisas que não propriamente a materialidade», sublinha. Para Luís Portela, é como que despertar para uma realidade diferente. «Acho que à medida que vamos procurando identificar os nossos erros e os vamos corrigindo, vamos sendo mais positivos, mais construtivos, vamos estando mais em sintonia com a Natureza».

O caminho da espiritualidade é termos a possibilidade de fazer melhor, de fazer bem, de fazer tão bem como os melhores a cada dia, sintonizando-nos com os valores universais. Pelo menos é nisto que acredita, num caminho de melhoria com paciência, persistência e amor.

Uma conversa que desvenda um trilho de transformação interior ao ritmo de um peregrino.

Pedia-lhe que definisse o que é ser espiritual?

O espiritualista percebe-se como alguém que pensa que se mantém para além da morte física. Ser espiritual é isso. Há versões ligeiramente diferentes, algumas ligadas ao fenómeno religioso, outras independentes. A minha perspetiva é de que eu não sou propriamente este que aqui está. Sou uma partícula de energia, o que alguns chamam de alma, outros de espírito.

Valorizo esta postura porque acho que quando as pessoas se entendem como corpo físico, ficam muito ligadas e focadas na materialidade e pouco nos grandes valores. Quando se assumem como uma partícula de energia temporariamente a animar o corpo físico têm uma perspetiva mais abrangente e completa das coisas. Focam-se também mais nos valores universais.

 

Na verdade, pelas nossas conversas e pela leitura dos seus livros, percebe-se que há um caminho que tem de ser feito para se chegar a algumas dessas conclusões. Mas o que impede a generalidade das pessoas de fazerem o seu caminho espiritual?

Na minha opinião, o século XX foi um século fantástico de evolução científica e tecnológica, mas que de alguma forma proporcionou que as pessoas se embriagassem um pouco com a materialidade e isso distorceu as coisas. As pessoas tornaram-se materialistas, consumistas e ao mesmo tempo afastaram-se um bocadinho dos grandes valores.

Acho que nas últimas décadas, nota-se, a nível universitário e de investigação, que existem pessoas que acham que é preciso mudar as coisas, tal como nos mais diversos movimentos ambientalistas, porque estamos num Mundo em desequilíbrio, em termos ambientais, sociais, económicos, financeiros. É preciso reequilibrar o Mundo.

 

O que ressalta do seu trabalho, dos livros que escreve, daquilo que diz, é que de facto sempre procurou olhar para a espiritualidade com o olhar da Ciência. O seu gosto pela Parapsicologia resulta da possibilidade também de explicar cientificamente os fenómenos parapsicológicos. O que estuda exatamente a Parapsicologia?

Quando tinha 14 ou 15 anos achava estranho que a Humanidade, sob o ponto de vista da fé, aceitasse tudo e mais alguma coisa. Mas essa mesma Humanidade também tinha no outro extremo uma Ciência que dizia que o milagre e o mistério não existiam, que nada disso era verdade.

Portanto, entendia que o que importava era o caminho do meio, o de procurar, de uma forma desapaixonada, analisar os fenómenos descritos desde a antiguidade e procurar sobre o rigor do método científico o seu estudo, admitindo que alguns deles acabavam por se demonstrar falsos e outros verdadeiros.

E, para os explicar, encontrar determinadas formas de energia que não fossem conhecidas e que nos pudessem permitir um maior desenvolvimento das nossas potencialidades, quer em termos individuais, quer em termos coletivos.

Posso dar exemplos de fenómenos da Parapsicologia, como a telepatia, a précognição, a psicocinese, o estudo das supostas vidas passadas. Ao longo das últimas décadas, muitas universidades europeias e norte-americanas têm vindo a desenvolver investigação séria, que é respeitada e produz resultados publicados em boas revistas científicas.

É um sinal positivo de que a Humanidade está a dar aqui uma volta qualquer. Pensadores admitem que tendo sido o século XX o século da luz, o século da evolução científica e tecnológica, talvez o século XXI seja o da iluminação.

A leitura dos seus livros obriga-nos a entrar numa linguagem muito específica, que o Luís usa para nos fazer chegar à evidência científica de que existe muito mais além daquilo que nós vemos com o nosso olhar tradicional. Portanto, o desafio agora é explicar o que entende por alguns conceitos que fui retirando dos seus livros. O que é que entende por corpo?

De acordo com as investigações que se têm feito, e as conclusões a que se tem chegado, o corpo físico é uma parte de mim que é essencial e que me serve de meio aqui. Quer dizer, o meu corpo físico está para mim, para a minha alma, como o meu fato está para o meu corpo físico. O fato é algo que utilizo durante este dia. O corpo físico é algo que utilizo, neste caso, há 72 anos. Onde quero chegar é que além deste corpo físico, há um corpo extra, que deveríamos ter consciência dele.

E não sou religioso. Enfim, não sinto necessidade das práticas religiosas. Às vezes, as pessoas não assumem uma religião e tornam-se anti. Respeito as religiões e acho que fizeram coisas notáveis pela Humanidade.

Há diversas correntes, nomeadamente religiosas, que acham que além do corpo físico pode haver mais um, dois, três, cinco, sete corpos. Para mim isso importa pouco. O que é essencial é que na realidade somos uma partícula de energia.

Alguns dos estudos na área da Parapsicologia conseguiram já fotografar aquilo que algumas pessoas veem, um corpo intermédio, também chamado de corpo astral, do duplo. Portanto, aparentemente temos a capacidade de nos identificar através de um corpo etéreo, ou de um corpo intermédio, o que normalmente será semelhante ao nosso corpo físico, mas também pode assumir formas diversas. Enfim, uma tarde de conversa não chega…

Admito a existência de um ser espiritual, da partícula de energia, do corpo físico e de um corpo intermédio, porque já houve evidência científica. Mas sobretudo há pessoas que têm características médiuns, que veem esse tipo de corpos, aliás é uma das áreas estudadas pela Parapsicologia e é uma forma de intuição, perceção extrassensorial, sexto sentido… São designações diversas de acordo com as correntes.

Há instituições universitárias ou parauniversitárias no Reino Unido, na Alemanha, na Holanda e nos EUA, que desenvolvem a mediunidade, a capacidade de ver ou de ouvir ou de captar energias e desenvolverem soluções terapêuticas procurando tornarem-se num canal de energia para favorecer os outros.

Antigamente dizia-se: aquela senhora, ou aquele homem, tem um dom. Hoje está demonstrado que o dom pode desenvolver-se, por força da postura e da vontade própria.

 

Depois de lermos os seus livros, apetece saber muito mais e explorar esta área. Telepatia é também uma das áreas da Parapsicologia; há evidência de que existe?

Há 30 anos a Ciência oficial olhava para a telepatia pelo canto do olho. Hoje, é comum e com investigação aceite nas melhores universidades. A Universidade de Pádua, em 2014, publicou um trabalho de uma equipa liderada pelo Professor Paz, onde convidavam dois grupos de voluntários, amigos, em locais diferentes do edifício da Universidade. Não tendo qualquer possibilidade de contacto entre si, estando ligados permanentemente ao eletrocel, e pediam-lhes apenas que pensassem um no outro. Só isso, nada mais. E depois, de repente, um deles recebia estímulos sonoros muito fortes… e o Eletro apresenta alterações gráficas em 72% dos casos. Ou seja, há um poder do pensamento efetivo.

Depois disto, diversas universidades europeias e norte-americanas, nomeadamente em Hamburg, na Califórnia, fizeram experiências semelhantes com o mesmo tipo de resultados. Hoje, admite-se que existe transmissão de pensamento e acho que não devem faltar exemplos de pessoas que já vivenciaram isso com familiares, com amigos. De facto, o nosso pensamento tem força e pode até mover objetos, que é outra área para Psicologia, a psicocinese.

 

De facto, é uma área muito curiosa e tem vindo a ser fundamentada pela Ciência. Vamos falar da espiritualidade como ferramenta para o nosso desenvolvimento, enquanto seres humanos.

Quem está aberto à espiritualidade ou quem se assume na espiritualidade vai valorizando outras coisas que não propriamente a materialidade. É uma coisa que vai acontecendo de forma progressiva. E cada um fá-lo à sua maneira.

 

Quando nos abrimos à espiritualidade, acho que vamos dando atenção a coisas a que antes não nos apercebíamos entre os seres humanos, nos animais, no reino vegetal, vamos vendo coisas tão bonitas à nossa volta que antes não víamos, não é?

Vamos como despertando para uma realidade diferente. Acho que o caminho é o do autoaperfeiçoamento, à medida que vamos procurando identificar os nossos erros e vamos corrigindo, vamos sendo mais positivos, mais construtivos, vamos estando mais em sintonia com a Natureza. Portanto, vamos descobrindo a harmonia que existe a nível universal e o prazer enorme que é sentirmo-nos parte dessa harmonia. E que antes não dávamos conta, porque estávamos tão entusiasmados ou embrulhados no dia a dia.

Vamos percebendo que existe uma sabedoria universal da qual fazemos parte e que faz muito mais sentido respeitar os outros, percebermo-nos como partículas, iguais uns aos outros. Como nos diz hoje a Física Quântica de uma forma clara, uma partícula aqui pode interferir com outra do outro lado do Mundo. Aparentemente estamos todos entrelaçados. Todos nós interferimos uns com os outros. O nível de prazer e harmonia em sermos, de gostarmos de nós próprios, de gostarmos dos outros, cresce e, portanto, mais cedo ou mais tarde, podemos assumir-nos como uma partícula de amor numa dimensão universal. Uma espécie de ser universal que ultrapassa a materialidade e separa o verdadeiro do falso. Isto é uma trajetória interessante, porque acho que nós, quando mentimos, quase que autorizamos a Natureza, o Universo a que também nos minta. Quando assumimos a verdade de uma forma clara e transparente parece que conquistamos o direito a que os outros também nos falem em verdade, e depois quando não falam, mesmo um discurso muito bonito e muito encadernado, parece que damos conta.

 

Vivemos uma época em que separar a verdade da falsidade é cada vez mais difícil. O caminho pode ser a espiritualidade?

Eventualmente aprimorarmos essas nossas competências que nem sabemos que temos agora. Deixe-me dizer que à medida que vamos percebendo as coisas assim, é num ambiente de tolerância, num ambiente de amor. Quando alguém está a mentir perante alguém e esse alguém o identifica pode denunciar, pode entrar em conflito ou pode pura e simplesmente calar, ser tolerante, pensar “coitado, está a mentir porque não sabe fazer melhor”.

 

Também percebemos que a espiritualidade é um caminho de desenvolvimento pessoal humano para viver em paz, sem medo e sem ansiedade. Como é que nós chegamos aí, a esse ponto ou a esse lugar, onde é só calma?

Acho que está na possibilidade de cada um de nós querer-se sintonizar com esses valores universais. E, portanto, chega um momento em que se tem medo, mas medo de quê?

Fiz karaté durante 20 anos. De início achava que aquilo era uma coisa para guerrear com os outros. E depois percebi que não, que era uma arte de defesa, aprendi muito. Parei porque tive um problema cardíaco e os médicos pediram-me para parar, mas custou um bocado.

Aprendi que a pessoa pode saber conter-se, pode saber acreditar em si e perceber a energia que tem disponível para se defender. E quando pondera sobre isso, percebe que pode defender-se além do aspeto físico, sem ser necessário andar a guerrear. Aprendi no karaté, que quando alguém me dá um murro há uma responsabilidade partilhada. A intenção é sempre do agressor, que quer dar um murro, mas andei 20 anos a aprender a defender-me, também penso que consenti que me desse um murro. Devo criar condições para me defender, se alguém me tocar a responsabilidade é partilhada.

Acho que na vida é um pouco assim também. Alguém vem de lá para cá para nos ferir, para nos magoar intencionalmente, temos a obrigação de estar atentos. Como é que fazemos? Normalmente a grande defesa é o desvio, de sorriso nos lábios e a coisa passa! O ódio gera ódio. Esse não é o caminho da espiritualidade, esse não é o caminho do amor como eu o desejei. Quando os palestinianos entraram em Israel e fizeram aquela brutalidade, desejei que o Governo israelita tivesse capacidade e lucidez de perceber que se naquela altura se coibisse de invadir a Palestina, iria ter o respeito do Mundo todo, mesmo do Mundo árabe, e ia criar condições reais para a pacificação naquela zona do golpe.

Podem-me dizer que é difícil. E é, de facto, o senhor Netanyahu e a sua equipa pensaram e estão a fazer exatamente o contrário. Que pena! Acho que todos percebemos que não é assim que se constrói um Mundo melhor. Quando estamos na arena é mais difícil, mas é possível. Aquilo em que mais acredito é na energia universal, nos valores universais. E acho que todos nós temos a possibilidade de fazer melhor, de fazer bem, de fazer tão bem como os melhores.

 

Depois deste caminho espiritual que tem feito e que vai continuar a fazer o que é que o assusta?

Não estou a ver o que é que me poderá assustar. Acredito nos valores universais, na maneira como o universo está organizado e no potencial de cada um de nós. Só para aprofundar o que estou a dizer, tenho uma enorme admiração por Jesus, por Buda, por Confúcio, seres fantásticos que passaram na Terra. Não sou religioso, mas não me importo que me chamem religioso, budista ou confucionista, porque gostaria muito de ser capaz de seguir o caminho destes grandes mestres. Todos nós temos esse potencial, temos essa possibilidade, ou seja, não me sinto inferior a Jesus, ou a Buda, ou a Confúcio, perdoe-me a modéstia. E acho também que ninguém é inferior a Jesus. Talvez eles já soubessem dominar melhor a sua postura animalesca, talvez ainda não saibamos tão bem fazê-lo, mas a todo o momento estamos capazes de poder fazer esse caminho de autoaperfeiçoamento.

 

Tem medo de morrer?

Morrer é um capítulo na história das nossas vidas.

 

E qual é que é o seu próximo desafio espiritual?

É chegar ao final da minha passagem na Terra com a consciência tranquila de que fiz o melhor que podia, que cumpri com aquele que era o meu propósito de vida.

 

Pode deixar dois ou três conselhos para quem quiser desenvolver esta dimensão espiritual: livros, práticas, atitudes? O que é que nós podemos fazer a partir daqui?

Acho que é muito comum as pessoas desejarem um Mundo melhor, também o desejo há uns anos. Hoje, só preciso de uma coisa, de contribuir para me melhorar a mim próprio. Hoje, acho que não tenho o direito de desejar que os outros sejam melhores, não tenho o direito de julgar os outros. Sou um ser humano, tenho o direito e a obrigação de me preocupar com o que faço, de procurar melhorar-me, procurar o autoconhecimento e procurar conhecer: Onde é que estou? De onde é que venho? Para onde é que vou? Para onde é que importa ir? Por onde é que é mais útil para mim e para os outros ir? E perceber o meu propósito de vida para além da materialidade das coisas. O que é que ando de facto aqui a fazer? O que é que me interessa? Colocar metas intermédias e procurar diariamente perceber se estou nesse sentido ou se me estou a distrair com coisas que não fazem falta. 10, 15 minutos por dia, relaxar um bocadinho. Cada um que escolha, a opção que funciona para si. Gosto muito de me encontrar comigo no silêncio, outros gostam na oração, outros gostam na música, pelos sons incubados, cada um que o faça como quiser, mas que o faça 10 minutos, a pensar o que é que fez nestas últimas 24 horas? Fiz aquilo que está de acordo com o meu grande propósito de vida? Ou fiz algumas coisas que me envergonham? Como é que devo fazer nas próximas 24 horas, se isso voltar a acontecer, para não falhar e não cometer o mesmo erro?

Agarrar um erro que reconheço em mim como o maior defeito e nas próximas 24 horas não o fazer, dia após dia, renovar a vontade. É um caminho inexorável para quem o faz com paciência, com persistência, com amor. Mais cedo ou mais tarde, tem o benefício de se perceber melhor, de conquistar para si próprio o direito a ser melhor. E quando percebemos que nos vencemos a nós próprios, que nos superamos, são momentos de satisfação, todos sabemos isso, há uma vibração espiritual até às lágrimas.

Deixamos para trás algo que nos incomodava muito. Podia ter sido o vício do tabaco, podia ter sido dizer palavrões, podia ter sido evitar o sentimento de ódio, seja o que for deixa-nos extasiados. Consegui! Venci a mim próprio. Esse para mim é o caminho, o caminho do autoaperfeiçoamento.

 

BIO:

Licenciado em Medicina, no Porto, inicia atividade empresarial aos 21 anos e seis anos depois passa a presidir à empresa da família: Bial. Faz parte da 3.ª geração Portela à frente da farmacêutica, neto do fundador dos Laboratórios Bial, criados em 1924, e filho do continuador.

Em 2011 decide passar a chairman e em 2021 dedicar-se em exclusivo à Fundação Bial. É a menina dos seus olhos, a Fundação tem como objetivo incentivar a investigação centrada no ser humano, tanto sob os aspetos físicos como do ponto de vista espiritual. Tem, inclusivamente, um sistema de bolsas para investigação científica que já apoiou mais de 1600 investigadores de 29 países, nas áreas da Psicofisiologia e da Parapsicologia.

Luís Portela é Comendador da Ordem do Mérito, de que mais tarde veio a receber a Grã-Cruz. É também Professor Honorário da Universidade de Cádiz, em Espanha. Em 1998, foi distinguido com o Prémio de Neurociências da Louisiana State University, nos EUA. Colabora regularmente na comunicação social, tendo publicado 10 livros, entre os quais Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência (editora Gradiva) e Da Ciência ao Amor: Pelo Esclarecimento Espiritual (editora Gradiva).

 

Esta entrevista foi publicada na edição de verão da revista Líder com o tema de capa A Grande Questão: Verdadeiro ou Falso?. Subscreva a Líder aqui.

Catarina Barosa,
Co-founder e Creative Director Tema Central

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