Causas e compromissos

Na base da minha atuação como cidadão e como líder associativo estão causas como a liberdade, a democracia e a iniciativa privada. Causas em que acredito e que defendo.

Intrinsecamente, o sistema económico baseado no mercado e na iniciativa privada – sistema que muitos designam por capitalismo – é, do ponto de vista histórico, aquele que melhor conseguiu promover o progresso. Com este sistema, pela primeira vez, os homens foram capazes de conceber uma ordem social em que as antigas aspirações de liberdade, fraternidade e igualdade se tornaram coerentes com a abolição da pobreza e o aumento da riqueza. Só com a economia de mercado foi possível “casar” o “egoísmo” com o “altruísmo”, ao obrigar o empresário, no seu próprio interesse, a ter em conta os interesses dos outros.

Acredito, por isso, que para deixarmos um futuro melhor às novas gerações temos, antes de mais, de assegurar a continuidade e o aperfeiçoamento deste sistema económico.

Mas o sistema económico não é, por si só, suficiente para assegurar um futuro melhor.

Uma economia livre e plenamente humana requer que a sociedade se organize, nas suas outras dimensões, em instituições fortes que evitem perversões no funcionamento dos mercados e criem condições para um desenvolvimento equilibrado, inclusivo e justo. Neste contexto, o papel do Estado é insubstituível.

Necessitamos de um Estado regulador, garante da coesão social e regional e potenciador de estratégias de modernização. Um Estado capaz de garantir o bom funcionamento dos mercados, mas também de colmatar as suas falhas; de promover objetivos sociais, sem bloquear a iniciativa individual; de combater a exclusão e a pobreza, agindo sobre as suas causas mais profundas e não apenas remediando os seus efeitos.

A Política – também a Política económica – não prescinde de uma base ideológica. Aliás, em tudo quanto afirmei, está presente uma base ideológica. Por isso comecei por afirmar as causas que defendo. Mas essa base ideológica não é, não pode ser, incompatível com uma Política mais humana, contribuindo para uma sociedade mais feliz e mais próspera. É essa a essência da atividade política: cuidar dos interesses da sociedade como um todo.

E se a Política é, também, a arte do compromisso, então o que espero é que, no ciclo que se vai iniciar em 30 de janeiro, os agentes políticos estejam à altura de estabelecer os compromissos necessários para assegurar a governabilidade, num quadro de estabilidade indispensável para promover as reformas que o País necessita.

Mais do que conflitos entre ideologias, o que está em causa é a submissão de interesses político-partidários ao interesse nacional.

Este artigo foi publicado na edição nr16 da revista Líder.

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Por António Saraiva, Presidente da CIP

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