Portugal vive uma emergência silenciosa: estamos a assistir a um dramático declínio da natalidade. Nos anos 60 nasciam mais de 200 mil bebés por ano; hoje são apenas 84 mil. A taxa de fertilidade é de 1,4 filhos por mulher, muito aquém dos 2,1 necessários para garantir a reposição geracional. As consequências já são visíveis.Escassez […]
Portugal vive uma emergência silenciosa: estamos a assistir a um dramático declínio da natalidade. Nos anos 60 nasciam mais de 200 mil bebés por ano; hoje são apenas 84 mil. A taxa de fertilidade é de 1,4 filhos por mulher, muito aquém dos 2,1 necessários para garantir a reposição geracional. As consequências já são visíveis.Escassez de talento jovem, envelhecimento acelerado da população ativa e pressões crescentes sobre a sustentabilidade económica e a segurança social. Este é um tema estrutural e deve estar no centro da agenda dos líderes empresariais.
A demografia determina talento, inovação, produtividade e competitividade. Um país com menos população será inevitavelmente um país com menor capacidade de criar riqueza. E os sinais são preocupantes: o Barómetro FutURe 2025, desenvolvido pela Merck, revela que 30% dos jovens europeus não pretendem ter filhos, muitas vezes por insegurança económica e falta de informação. Um em cada três admite ter pouca ou nenhuma literacia sobre fertilidade, e metade nunca discutiu o tema com um médico. Quando a decisão de adiar a parentalidade não é necessariamente bem informada e se combina com constrangimentos de natureza económica, o resultado é uma queda contínua nos nascimentos e uma pressão acrescida sobre o futuro económico.
O setor privado não pode ser mero observador. As empresas têm um impacto direto na forma como as pessoas organizam a sua vida, planeiam o futuro e conciliam trabalho e família. Organizações que oferecem políticas amigas da parentalidade – desde horários flexíveis até benefícios de fertilidade, apoio à saúde reprodutiva ou modelos híbridos de trabalho – tornam-se mais humanas, mais resilientes e mais competitivas. Atraem talento, reduzem rotatividade e reforçam a sua cultura. E, acima de tudo, contribuem para um ecossistema que permite às famílias concretizar o seu projeto de vida.
É neste contexto que surge o Movimento Mais Fertilidade, uma iniciativa que reúne empresas e entidades da saúde com um objetivo claro: aumentar a literacia em fertilidade e promover ambientes verdadeiramente amigos da família. O movimento disponibiliza sessões educativas, partilha de boas práticas, acesso a benefícios exclusivos para colaboradores e, muito em breve, um selo de distinção que reconhecerá as empresas comprometidas com esta agenda. Mais de 20 grandes organizações já aderiram, provando que existe vontade e sentido de responsabilidade.
A demografia é hoje uma variável crítica da competitividade nacional. Se queremos um país economicamente sustentável, inovador e atrativo, precisamos de agir já. E as empresas podem fazer a diferença. O Movimento Mais Fertilidade é uma solução estruturada que permite alinhar bem-estar, talento e estratégia económica num mesmo propósito. O futuro exige líderes capazes de antecipar. Este é o momento de o demonstrarmos.

