A 11 de março de 2020, Tedros Ghebreyesus, Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), declarava como Pandemia a infeção pelo novo coronavírus. Desde então, registaram-se mais de seis milhões de mortes e 446 milhões de casos. Em Portugal contabilizam-se mais de 21 mil mortes e mais de três milhões de infetados. E dois anos depois, António Guterres, secretário-geral da ONU acredita ser um “erro” grave considerar que a crise terminou. Globalmente, o total de casos diminuiu cerca de 5% e o de mortes 8%, no entanto, Tedros Ghebreyesus alerta que a recente queda nas taxas de testes “deixou o planeta às cegas em relação ao efeito da Covid-19”, diminuindo a capacidade de análise da localização, propagação e evolução do vírus.
Embora os casos e as mortes estejam a reduzir e as medidas de contenção comecem a ser levantadas, também o Diretor Geral da OMS se demonstra apreensivo e afirma que a pandemia está longe do fim, opinião corroborada por António Guterres, que destaca que a crise só terminará quando terminar para todos. Só na semana passada, a região do Pacífico Ocidental registou o total de 3,9 milhões de infetados, e está acompanhada por obstáculos na distribuição de testes, tratamentos e vacinas.
Apesar de parecer estarmos mais próximos de um estado endémico, há muitas assimetrias e realidades distintas que deixam preocupação na comunidade internacional, nomeadamente no que respeita ao acesso à vacinação.
Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de três mil milhões de pessoas ainda aguardam pela primeira dose da vacina, ressaltando que, há dois anos, a vida a nível global foi interrompida pelo vírus, “parando economias, sufocando redes de transportes e cadeias de suplementos, fechando escolas, separando pessoas dos seus entes queridos e mergulhando milhões de pessoas na pobreza”.
Não é a primeira vez que a humanidade passa por uma situação de pandemia: entre 1918 e 1919, estima-se que a gripe espanhola dizimou mais de 50 milhões de vidas. Curiosamente, o primeiro caso foi registado a 11 de março de 1918 numa instalação militar nos Estados Unidos, quando o soldado Albert Gitchell começou a apresentar sintomas.
Portugal tem sido elogiado pelo seu avanço no número de pessoas vacinadas, sendo que dados da DGS indicam uma taxa de vacinação completa de 91% da população, e 60% com doses de reforço. A mesma tendência, porém, não é sentida em todas as partes do mundo.