Em décadas anteriores, os dias de trabalho não lineares eram bastante incomuns. Hoje, com a adoção de padrões de trabalho híbrido e remoto, bem como horários cada vez mais flexíveis, os dias de trabalho assíncronos são mais uma realidade para a força de trabalho. Em alguns casos, os trabalhadores já o praticam a certo ponto […]
Em décadas anteriores, os dias de trabalho não lineares eram bastante incomuns. Hoje, com a adoção de padrões de trabalho híbrido e remoto, bem como horários cada vez mais flexíveis, os dias de trabalho assíncronos são mais uma realidade para a força de trabalho.
Em alguns casos, os trabalhadores já o praticam a certo ponto sem perceber, ao optar por trabalhar mais à tarde e noite, ou avançar mais nos projetos no início da manhã.
Nem todo o empregador dará aos colaboradores esse grau de liberdade. De acordo com especialistas, existem inúmeros benefícios do trabalho assíncrono – desde que certas medidas estejam em vigor.
O projeto-piloto português da semana de trabalho de 4 dias
Em Portugal, Pedro Gomes, professor de Economia na London School of Economics, será o coordenador da experiência-piloto para testar a semana de trabalho de 4 dias nas empresas portuguesas.
Aguardando a aprovação do governo, dia 2 de novembro, a primeira fase do projeto entrará em vigor no segundo semestre de 2023. Para já, o plano é não haver cortes salariais, nem nos dias de férias, e com redução das horas semanais.
Pensar a longo-prazo é a chave
Se os empregadores puderem introduzir políticas de trabalho assíncrono de maneira mais formal, poder-se-á restabelecer o equilíbrio entre o trabalho assíncrono e o excesso de trabalho.
Aaron De Smet, Senior Partner na McKinsey&Company, diz à BBC que isto pode ajudar a prevenir o burnout. “É encontrar a junção perfeita no novo mundo do trabalho, onde as restrições de quando, onde, e como fazemos o nosso trabalho foram reduzidas: em parte por meio da tecnologia, e por outro lado devido a novas normas decorrentes da pandemia”, conclui.
Gerir como o tempo é gasto
Laura Giurge, Professora assistente de Ciência Comportamental da London School of Economics and Political Science, diz que a crescente popularidade dos dias de trabalho não lineares decorre do facto de os trabalhadores acostumarem-se a rotinas de trabalho flexíveis devido à pandemia.
“O trabalho assíncrono permite que as pessoas economizem tempo em deslocações, realizem tarefas administrativas durante horas de baixa produtividade, façam mais exercício e economizem dinheiro ao fazer refeições em casa”, comenta com a BBC.
Uma maior flexibilidade geralmente traduz-se em maior produtividade. Em vez de estar a trabalhar oito horas seguidas num horário fixo, os colaboradores podem dividir os seus dias de trabalho em blocos que melhor se adaptem aos seus ritmos naturais de trabalho.
“Um dos principais benefícios dos dias de trabalho não lineares é ter controlo sobre como está a usar o seu tempo, e fazer o trabalho quando for mais produtivo para cada um”, comenta Giurge.


