Num mundo laboral hiperconectado, o maior luxo pode ser desligar. Mas será possível promover pausas reais sem que a produtividade das equipas sofra? A resposta, segundo a Manpower, é sim — se houver planeamento estratégico e uma cultura organizacional que leve o descanso tão a sério quanto os resultados. Com o verão em curso e […]
Num mundo laboral hiperconectado, o maior luxo pode ser desligar. Mas será possível promover pausas reais sem que a produtividade das equipas sofra? A resposta, segundo a Manpower, é sim — se houver planeamento estratégico e uma cultura organizacional que leve o descanso tão a sério quanto os resultados.
Com o verão em curso e os e-mails a não darem tréguas, muitas empresas enfrentam o velho dilema: garantir que as pessoas descansam, mas sem que o negócio descarrile. O problema é antigo, mas a era digital agravou-o. Com o trabalho híbrido e as ferramentas online, a fronteira entre tempo profissional e pessoal tornou-se porosa — e o risco de burnout, cada vez mais real.
Para contrariar esta tendência, a Manpower propõe cinco estratégias fundamentais que permitem às equipas desconectar de forma autêntica durante o período de férias, sem comprometer a eficácia organizacional. Um equilíbrio que, mais do que possível, é desejável — e estratégico.
1. Definir políticas internas claras
A ausência de regras formais pode gerar uma cultura ambígua, onde estar sempre disponível é visto como sinal de mérito. A solução passa por:
- Estabelecer políticas que reforcem o direito ao descanso;
- Clarificar as exceções (funções que, por natureza, exijam alguma disponibilidade);
- Criar um clima onde os colaboradores sintam que podem desligar sem medo de represálias ou juízos de valor.
2. Liderar pelo exemplo
As palavras importam, mas os gestos ainda mais. Cabe às lideranças dar o mote para uma nova cultura de trabalho:
- Não enviar mensagens ou agendar reuniões durante o período de férias dos colaboradores;
- Partilhar de forma transparente como também praticam o descanso e estabelecem limites;
- Criar um ambiente de segurança psicológica e respeito mútuo.
3. Preparar a transição antes e depois das férias
O início e o fim das férias são momentos críticos — e muitas vezes os mais stressantes. Para suavizar o impacto:
- Evitar reuniões exigentes ou prazos apertados nos dias que antecedem ou sucedem as férias;
- Ajudar na priorização de tarefas e na redistribuição temporária de responsabilidades;
- Permitir dias de transição (entrada/saída flexível) que ajudem a recuperar o ritmo.
4. Planificar recursos e ajustar equipas
Desligar com tranquilidade implica saber que há um plano para o que fica por fazer:
- Usar ferramentas para mapear ausências e redistribuir tarefas com antecedência;
- Avaliar a carga de trabalho de cada elemento antes de fazer substituições automáticas;
- Reforçar equipas com trabalho temporário ou mobilidade interna, se necessário.
5. Automatizar para reduzir dependências
Reduzir a dependência de pessoas em processos rotineiros permite manter a roda a girar, mesmo sem todos os elementos:
- Utilizar bots ou CRM para responder automaticamente a pedidos e atualizar bases de dados;
- Criar fluxos de trabalho automáticos que assegurem continuidade;
- Libertar as equipas para tarefas mais críticas e menos repetitivas.
No final, desligar não é um luxo — é um sinal de maturidade organizacional. Quando o descanso é respeitado, os trabalhadores voltam mais criativos, comprometidos e produtivos. E as empresas, mais ágeis, humanas e preparadas para o futuro.


