A complexidade crescente que envolve a era moderna desafia a liderança e os programas de formação que a desenvolvem a ultrapassarem as fronteiras dos seus modelos mais tradicionais. Isto por uma razão muito simples: liderança não é apenas sobre o que o líder faz, é sobre quem o líder é. Que valores e princípios o inspiram e inspiram os outros a querer segui-lo? Que caraterísticas pessoais imprimem autenticidade e confiança às suas relações interpessoais? Que hábitos o ajudam a tomar consciência das suas forças e fraquezas e a melhorar continuamente? E que práticas diárias lhe dão o equilíbrio físico e mental necessário para manter a calma, a assertividade e a resiliência quando o mundo à sua volta parece desabar?
Para que um líder seja verdadeiramente capaz de conhecer, cuidar e desenvolver a sua organização e as suas pessoas, levando-as sempre mais além, este deve primeiro ser capaz de fazer isso consigo próprio, explorando todos os compartimentos que formam a sua identidade. É aqui que recorremos ao conceito de “holos”, que em grego significa “todo” ou “inteiro”. Uma visão holística aplicada ao desenvolvimento do líder permite-lhe integrar o seu caráter e os seus valores na sua forma de liderar, bem como compreender os benefícios de trazer o seu “eu” completo para a liderança – diretamente impactada por 4 dimensões: física, emocional, espiritual e mental:
- Dimensão física: Permite ao líder aprender a ler os sinais do corpo (cansaço, stress, ansiedade, frustração…), através de rotinas de exercício e bem-estar que o ajudam a melhor conhecer as suas limitações e a promover a sua saúde e resistência. Uma postura “Fit to lead” que inspira hábitos saudáveis (de alimentação, sono, equilíbrio pessoal/profissional…) ajuda a promover ambientes de trabalho com mais dinamismo, compromisso e resiliência.
- Dimensão emocional: Otimiza a capacidade de compreender e lidar com as emoções próprias e dos outros para um melhor relacionamento interpessoal. Como descreve Daniel Goleman no seu livro “Emotional Intelligence: Why it can matter more than IQ”, desenvolver a inteligência emocional permite aos líderes atingir novos patamares de consciência e escuta ativa essenciais para aprender a dar e receber diferentes tipos de feedback, e com eles evoluir constantemente.
- Dimensão espiritual: Expande a consciência do líder acerca das suas fraquezas, talentos, fontes de inspiração, valores e princípios orientadores. Visto que a nossa mente se expande quando estamos mais calmos, fazer pausas regulares e adotar hábitos e práticas como a meditação e o mindfullness, por exemplo, ajudam a trazer mais clareza, foco e perspicácia na hora de motivar uma equipa ou conduzir uma estratégia.
- Dimensão mental: Promove a introspeção e o desenvolvimento contínuo, a aquisição de conhecimentos e ferramentas essenciais para que os líderes se tornem líderes de elevada performance. Ao estimular constantemente os lados esquerdo e direito do cérebro, o líder promove a sua capacidade de criar, executar e multiplicar resultados, conectando ideias fora da lógica racional que muitas vezes resultam em novos insights e momentos “Eureka”.
Por tudo isto, um programa de desenvolvimento de liderança, para ser verdadeiramente transformador e com impacto positivo no líder que nele participa e nos seus liderados, deverá conseguir ajudar a conquistar esta consciência holística. Só assim rumaremos para uma nova geração de líderes que, mesmo operando num mercado de trabalho marcadamente digital onde abundam mecanismos de automação, robotização e inteligência artificial, se destacam pelas suas competências humanas – que lhes permitem ampliar a sua consciência não só em relação a si próprios, à sua equipa e organização, mas à sociedade em geral, ao meio ambiente e ao legado que querem deixar às próximas gerações.