Hoje é Dia dos Avós e a nossa sugestão para esta data, naquele que é o quarto país mais envelhecido do mundo, é visitar a instalação artística «Vozes da Avó», de Melanie Alves, autora de oito retratos de matriarcas desconhecidas e do movimento ‘o colo como ativismo’.
A exposição, cuja produção engloba entrevistas, fotografias e vídeos, é um projeto sobre sete avós da Amadora que, pela sua diversidade de idades, etnias, raças, origens e profissões, representam as avós de Portugal. A oitava matriarca é a avó da artista, Maria José, que é o único rosto feito a partir de uma fotografia de juventude.
A artista luso-descendente pretende comunicar uma mensagem social, através da sensibilização para os netos registarem e ouvirem as histórias dos avós, e ambiental, enquanto projeto de green art, que pretende mostrar que todos os materiais e objetos podem ter várias vidas.
Uma ode à terceira idade e à sustentabilidade
«Este trabalho é uma ode, um hino à terceira idade, pois pretende mostrar que ser idoso é cool e fresh e sinónimo de experiência e de sabedoria e não apenas de incapacidade. Hoje em dia, ser rebelde também é ter tempo para ouvir e cuidar de quem nos embalou, nos protegeu e nos deu carinho», defende a autora.
‘Colo como ativismo’ e a ‘rebeldia de cuidar’ são, de acordo com a artista, os dois conceitos-chave da exposição. Melanie Alves fomenta o upcycling (reutilização criativa de produtos) e cerca de 95% dos materiais usados são provenientes de doações. A instalação de oito metros, que simboliza a casa de todas as avós, é feita a partir de objetos pessoais, colchas, agulhas, linhas e sobras de tecidos de fábricas portuguesas.
Melanie Alves nasceu nos Estados Unidos e depois de ter estudado Belas Artes em Portugal e França, e de ter vivido em Londres e São Francisco, regressou a Portugal em 2019 onde promove a sua arte de intervenção, explora o património humano e conta histórias de Portugal.
«Vozes da Avó» é de entrada gratuita e está presente até ao dia 31 de agosto no Espaço Cultural The Hood, Centro Comercial UBBO (Amadora). No final da instalação, os oito retratos vão ser separados e expostos individualmente em espaços culturais. O restante material será reaproveitado para outros trabalhos.