Portugal vive um défice estrutural de habitação, sendo que dados recentes estimam que estejam em falta no parque habitacional português entre 150 e 200 mil casas (ECO, 2025). Fatores como a elevada falta de mão-de-obra e os atrasos na aprovação de licenciamentos têm contribuído para o agravamento desta crise. Como resposta a este desafio, tanto […]
Portugal vive um défice estrutural de habitação, sendo que dados recentes estimam que estejam em falta no parque habitacional português entre 150 e 200 mil casas (ECO, 2025). Fatores como a elevada falta de mão-de-obra e os atrasos na aprovação de licenciamentos têm contribuído para o agravamento desta crise.
Como resposta a este desafio, tanto construtoras como clientes finais têm recorrido à construção modular, uma solução que permite responder com rapidez e previsibilidade de custos, permitindo acelerar os processos de construção e contornar constrangimentos como a escassez de mão-de-obra e a morosidade nos licenciamentos.
A nível europeu, países como a Áustria, Alemanha e Suécia já integram Madeira Lamelada Cruzada (CLT) em edifícios residenciais de vários pisos, com excelentes resultados de segurança e durabilidade (European Forest Institute, 2023). Em Portugal, a aplicação destas soluções a projetos de habitação coletiva poderia representar uma transformação estrutural no modo como construímos, tornando possível erguer bairros inteiros em apenas alguns meses.
A simplicidade como princípio de eficiência
Numa época em que a construção enfrenta o duplo desafio de se tornar mais sustentável e da escassez de habitação acessível, as casas modulares emergem como uma das respostas mais certeiras e consistentes, trazendo soluções concretas para estas adversidades. A sua força reside na simplicidade dos processos industriais controlados, materiais renováveis e foco na eficiência aplicada em cada etapa da construção.
Construir de forma modular significa produzir por partes. Em outras palavras, módulos e estruturas são produzidos e fabricados em ambiente industrial, sendo posteriormente montados no local final com precisão milimétrica. Esta metodologia permite oferecer um produto de qualidade superior, ao mesmo tempo que se reduz drasticamente a quantidade de desperdício produzido em estaleiro de obra. De acordo com a European Federation of Building and Woodworkers, a construção modular tem-se afirmado na Europa pela sua capacidade de acelerar o acesso à habitação e de reduzir emissões associadas ao setor.
Enquanto no estaleiro se prepara o terreno, a casa já ganha forma em fábrica, o que permite prazos até 50% mais curtos do que na construção tradicional (Making modular construction fit, McKinsey & Company, 2023), uma condição que se traduz num modelo com maior previsibilidade, eficiência e menor impacto ambiental.
A simplicidade, neste contexto, não é sinónimo de limitação, pois a modularidade da construção oferece liberdade arquitetónica e personalização.
Permite criar tanto habitações unifamiliares como edifícios de habitação coletiva, ajustados a diferentes contextos urbanos ou rurais (What is Modular Construction?, Modular Building Institute, 2025).
A madeira é a matéria-prima do futuro
Na Kōzōwood acredita-se que a madeira é a solução do futuro. Sistemas construtivos como o CLT e o Timber Frame combinam leveza, resistência e desempenho térmico e acústico superiores, características essenciais para a melhoria do parque habitacional em Portugal.
Cada metro cúbico de madeira utilizado retém cerca de uma tonelada de CO2, atuando como um reservatório de carbono durante toda a vida útil do edifício (European Commission Joint Research Centre, Forest-based bioeconomy and climate change mitigation, 2021). Além disso, a produção de uma habitação em madeira pode consumir até 80% menos energia do que uma equivalente em aço ou betão (MDPI Sustainability, 2020). Quando proveniente de florestas certificadas, a madeira assegura uma cadeia de abastecimento sustentável, apoiando os objetivos europeus de neutralidade carbónica até 2050.
Simplificar para construir melhor
Simplificar não significa reduzir, mas otimizar. A construção modular aproxima a arquitetura da indústria, oferecendo rapidez, controlo e fiabilidade em todo o processo construtivo, tendo a capacidade de racionalizar processos, melhorar o desempenho energético e reduzir drasticamente o desperdício.
A conjugação da tecnologia, design e consciência ambiental, permite ao setor off-site redefinir os standards da construção, garantindo menor impacto ambiental, maior eficiência e melhor conforto habitacional. A simplicidade, neste contexto, é sinónimo de inteligência aplicada, observada na capacidade gerada de fazer mais com menos, e construir com rigor e rapidez, dando uma resposta responsável às necessidades da sociedade.
Essa mesma filosofia está na base da industrialização e modularidade do setor da construção em Portugal – tendo o potencial de gerar uma visão integrada capaz de impulsionar a construção, criar emprego qualificado e reforçar o parque habitacional nacional de forma mais rápida, eficiente e sustentável.
Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

