Os cereais fazem parte da alimentação dos homens, dos animais, e são também matéria-prima para muitos produtos como massas, óleos, farinhas, entre outros. É certo, e confirmado pela Irish Farmers Association, que a Ucrânia e a Rússia são os principais exportadores de cereais, representando mais de um quarto das exportações mundiais de trigo.
Se antes as reservas de cereais já escasseavam devido à seca extrema, o conflito veio deteriorar a situação, e, em consequência, os preços de cereais e de outros produtos aumentou de forma rápida. Muitos dos agricultores têm usado os seus tratores não para trabalharem nos seus terrenos, mas para transportar tanques e porta-tropas russos abandonados, avançou artigo do World Economic Forum.
Só na Ucrânia, 42 milhões de hectares estão cobertos por terras agrícolas férteis, e é na região de sudeste onde se concentra grande parte do cultivo de trigo, precisamente, uma das regiões do país que tem sido mais fustigada pelos bombardeamentos. Estima-se que a Ucrânia exporte menos quatro milhões de toneladas de trigo este ano, do que o previsto anteriormente.
Mas o conflito afeta igualmente de forma atroz outros setores. Também combustíveis e fertilizantes têm sido escassos, e novas barreiras logísticas e restrições vieram afetar as exportações da Rússia, que tem sofrido sanções. Note-se que quase um terço dos fertilizantes usados na União Europeia vem da Rússia, também ela principal fornecedora mundial.
Este panorama geral veio trazer impactos nas metas de sustentabilidade para o setor agrícola, sendo que tem surgido o apelo na redução das metas a fim de dar resposta à escassez. A Reuters avança que a União Europeia poderá permitir que agricultores contornem regras de preservação de solos e biodiversidade para poderem plantar culturas para animais em terrenos pousios. No Brasil, tem-se abordado a ideia de permitir a exploração mineira em terras indígenas a fim de sustentar o suplemento de fertilizantes.
As atuais circunstâncias levantam o receio de que a escassez de alimentos conduza à agitação social e a esforços que possam ser prejudiciais ao ambiente, e poderá ser especialmente devastadora para países frágeis ou dependentes das importações. Nesse sentido, a agência alimentar das Nações Unidas tem recomendado aos países que procurem por fornecedores alternativos e diversifiquem a sua produção nacional.