Em 2023 foram superadas todas as expectativas e atingidos os melhores resultados turísticos de sempre em Portugal. Segundo o Turismo de Portugal, o ano 2023 foi o melhor de sempre, em todos os indicadores: dormidas, hospedes e receitas. Até novembro foram registadas 73 milhões de dormidas e 23,7 mil milhões de euros de receitas que […]
Em 2023 foram superadas todas as expectativas e atingidos os melhores resultados turísticos de sempre em Portugal. Segundo o Turismo de Portugal, o ano 2023 foi o melhor de sempre, em todos os indicadores: dormidas, hospedes e receitas. Até novembro foram registadas 73 milhões de dormidas e 23,7 mil milhões de euros de receitas que corresponde a aumentos de 9,7% e 37,6%, respetivamente, face a 2019.
Paralelamente, o setor hoteleiro prospera em Portugal. A corroborar os dados, Miguel Proença, CEO do grupo Hoti Hotéis, uma cadeia hoteleira com capital 100% português, descreve o ano 2023 como um «recorde absoluto», com 102 milhões faturação, um aumento de 22%, face a 2019. O ano fechou com uma taxa de ocupação de 74,5%, perante uma estimativa de 71,3%.
Para 2024 prevê-se atingir os 110 milhões de euros e a expansão para novos mercados, com a entrada do grupo em Angola (Luanda), e a presença na Galiza. Os dados foram partilhados durante a apresentação dos resultados do grupo, em Lisboa, onde se falou também das tendências a marcar o setor em 2024. O encontro contou ainda com a presença de Manuel Proença, Administrador do grupo e Ricardo Gonçalves, Administrador para a área de expansão.

Negócio familiar prospera
Com 19 unidades a operar em Portugal, incluindo um Hotel na Madeira e um em Moçambique, o grupo Hoti vai abrir mais dois em 2024: São João da Madeira e Braga. Entre a construção das novas unidades e a continuidade do ciclo de remodelações e rebranding de outras, está contemplado um investimento de cerca de 30 milhões euros para este ano.
Segundo o CEO do grupo, o ano 2023 representou um aumento de receita, de custos totais e uma «margem estabilizada em relação a 2022». Comparativamente a 2022, perante a análise dos resultados, 2023 foi «um primeiro ano pleno sem qualquer fator de perturbação», em que pela primeira vez houve a afirmação do preço médio, em relação a 2019, com um crescimento de cerca de 20%, que se faz muito pela ocupação com 10% acima de 2022. Os dois efeitos combinados, preço médio e ocupação, resultam numa receita global «recorde».
«O receio em relação a 2023 era que a passada na evolução dos custos de exploração suplantasse a capacidade, surpreendentemente elevada, em relação às receitas. Ao longo do ano, e nos últimos três meses, a aceleração da receita permitiu que globalmente a estrutura (PNL) da exploração, se mantivesse idêntica e mantivemos o nosso retorno operacional à volta dos 42%, que é o mesmo valor de 2022 e na verdade era o valor orçamentado», relata.
Fase a 2019, os principais mercados de geração de receitas são o nacional, com um crescimento de 37%, em 2023 , seguindo-se Espanha, Alemanha, EUA/ Canadá e Reino Unido.
Tendências do Setor 2024
Sustentabilidade
Miguel Proença afirma estarem a dar seguimento às obrigações dos indicadores ESG, «sendo que começamos por implementar antes de medir». As medidas consideram o acolhimento de parques fotovoltaicos, em hotéis que tenham esse espaço físico, de modo «a assegurar a substituição do consumo de energia entre 20 e 30%».
Escassez de Talento
Quanto à falta de mão de obra, realidade que vai continuar presente em 2024, o CEO refere ser um «tema transversal, seja nas áreas mais operacionais ou de cariz mais técnico». Uma questão «inatacável» que representa também um «bloqueio enorme» é a solução de habitação para os colaboradores que residem fora das áreas onde estão os hotéis. Neste momento, o grupo hoteleiro está a criar algumas alternativas de forma a fornecer habitação aos colaboradores.
Novos perfis e Formação
A Hotelaria sofreu uma profunda transformação desde os anos 2000 até agora, no que toca às competências e perfis de trabalho. «Há uma fraqueza grande na capacidade de formação em hoteleira em Portugal. Hoje a hotelaria é composta por novos perfis, realidades que extravasam os limites operacionais e para os quais existe uma escassez enormíssima para preencher», partilha Miguel Proença. Perante esta escassez, o recrutamento torna-se um desafio. «Temos de recrutar elementos júnior, sem experiência, ou têm de vir de outras atividades, o que não faz sentido quando a nossa atividade representa uma fatia do PIB nacional cada vez mais relevante e existem tantas realidades conexas de trabalho que estão ligadas à Hotelaria», conclui.


