Foram registadas temperaturas recorde para o mês de junho em Portugal, com Mora, em Évora, a registar 46,6 graus Celsius no último fim de semana. O valor registado superou em quase dois graus o recorde anterior de junho, de 44,9°C, marcado em Alcácer do Sal em 2017, e ficou próximo do recorde absoluto nacional, alcançado […]
Foram registadas temperaturas recorde para o mês de junho em Portugal, com Mora, em Évora, a registar 46,6 graus Celsius no último fim de semana. O valor registado superou em quase dois graus o recorde anterior de junho, de 44,9°C, marcado em Alcácer do Sal em 2017, e ficou próximo do recorde absoluto nacional, alcançado há mais de 20 anos em Amareleja, Beja. A um de agosto de 2003, a temperatura do ar atingiu 47,3°C nessa freguesia, localizada na fronteira com Espanha.
A onda de calor varreu o país com temperaturas extremas e continua pela Europa. A verdade é que estes fenómenos não são apenas incómodos: podem ser mortais, estimando-se que cerca de 4.500 pessoas possam morrer no Sul da Europa nos próximos dias, devido ao aumento das temperaturas.
De acordo com o World Weather Attribution, as ondas de calor são o tipo de clima extremo mais mortal em todo o mundo, com centenas de milhares de pessoas a morrerem anualmente por causas relacionadas com o calor.
Entre os mais vulneráveis estão pessoas com mais de 65 anos, mulheres grávidas, crianças e pessoas com doenças crónicas ou subjacentes. Essencialmente, existem três riscos físicos principais associados às ondas de calor: desidratação, superaquecimento, bem como exaustão por calor e insolação.
As ondas de calor podem ser o novo normal
Certo é que, apesar do calor extremo, este verão poderá ser um dos mais frescos do resto das nossas vidas. Com a tendência para as alterações climáticas se agravarem, estes fenómenos podem mesmo ser o nosso novo normal.
A onda de calor acontece num momento em que os cientistas afirmam que as «cúpulas de calor» por trás do clima extremo na Europa e nos EUA quase triplicaram em intensidade e duração desde a década de 1950. Uma cúpula de calor é um fenómeno atmosférico que ocorre quando um sistema de alta pressão retém o calor.
Há vários estudos que confirmam que as ondas de calor são diretamente afetadas pelas alterações climáticas. Uma investigação concluiu que as ondas de calor estão a tornar-se até dez vezes mais prováveis em algumas áreas devido às alterações climáticas. Outro estudo do Met Office do Reino Unido descobriu que as alterações climáticas induzidas pelo homem tornaram a onda de calor de 2018 no país 30 vezes mais provável do que seria naturalmente.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) afirma: «À medida que o clima da Terra aquece, dias e noites mais quentes do que o normal estão a se tornar-se mais comuns e espera-se que as ondas de calor se tornem mais frequentes e intensas.»
Países como a Turquia e França foram atingidos por incêndios florestais em meio ao aumento das temperaturas. Na Alemanha, a onda de calor baixou os níveis de água do rio Reno, o que afetou o transporte marítimo, com os navios a poderem navegar apenas com cerca de 50% da sua capacidade, aumentando os custos de frete para os proprietários de carga.
Estarão as nações preparadas?
Já não se trata de garantir a gestão de ondas de calor quando elas ocorrem, mas também de estar mais preparado, afirmou a Organização Mundial de Saúde (OMS). Numa pesquisa realizada em 2022, apenas 21 dos 57 países da região europeia da OMS relataram ter um plano nacional de ação para a saúde em relação ao calor. Destes, 14 estavam na UE.
De facto, quase 200 países concordaram em aumentar o orçamento do órgão climático das Nações Unidas (ONU) em 10% para os próximos dois anos. O acordo, firmado nas negociações climáticas da ONU em Bona, na Alemanha, aumentou o orçamento principal da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas para 81,5 milhões de euros (95,5 milhões de dólares).
O aumento é «um sinal claro de que os governos continuam a considerar a cooperação climática convocada pela ONU como essencial, mesmo em tempos difíceis», disse o chefe climático da ONU, Simon Stiell.
Tem havido um défice orçamental nos últimos anos, com os principais doadores a não terem os pagamentos em dia. Quando administração Trump suspendeu o financiamento internacional para o clima, a contribuição dos EUA este ano passou a ser coberta por uma organização filantrópica.


