Depois de um período marcado por incerteza e pressão sobre as empresas, 2025 deixou sinais contraditórios, mas globalmente positivos, na dinâmica empresarial em Portugal. O número de insolvências caiu 2% face a 2024, ao mesmo tempo que a constituição de novas empresas aumentou 5%, segundo dados divulgados pela Iberinform. No total, 3.640 empresas entraram em […]
Depois de um período marcado por incerteza e pressão sobre as empresas, 2025 deixou sinais contraditórios, mas globalmente positivos, na dinâmica empresarial em Portugal. O número de insolvências caiu 2% face a 2024, ao mesmo tempo que a constituição de novas empresas aumentou 5%, segundo dados divulgados pela Iberinform.
No total, 3.640 empresas entraram em insolvência em 2025, menos 71 do que no ano anterior. A descida é modesta, mas relevante num contexto económico ainda marcado por custos elevados, ajustamentos financeiros e menor margem de erro para muitas organizações.
Menos insolvências no acumulado, ligeiro aumento no final do ano
O último mês de 2025 trouxe um sinal misto. Em dezembro, as insolvências aumentaram 0,3% em comparação com o mesmo mês de 2024. Ainda assim, no acumulado do ano, a tendência manteve-se de descida.
Do ponto de vista da tipologia, o ano fechou com um aumento de 3,4% nas declarações de insolvência apresentadas pelas próprias empresas, o que sugere maior antecipação e reconhecimento das dificuldades financeiras. Em sentido inverso, as insolvências requeridas por terceiros diminuíram 2%, enquanto os encerramentos com plano de insolvência caíram 11%.
No total, 2.014 empresas foram efetivamente declaradas insolventes, menos 80 do que em 2024.
Porto e Lisboa concentram mais insolvências, mas com trajetórias diferentes
A distribuição geográfica mantém padrões conhecidos. Porto e Lisboa concentraram o maior número de insolvências em 2025, mas com evoluções distintas.
No Porto, foram registadas 882 insolvências, uma descida de 1,9% face ao ano anterior. Já em Lisboa, o número subiu para 876 empresas, o que representa um aumento de 4,4%.
Os maiores aumentos percentuais ocorreram em distritos como Horta (50%), Castelo Branco (24%), Leiria (18%) e Faro (13%). Em contrapartida, as quedas mais acentuadas verificaram-se em Beja (-50%), Ponta Delgada (-28%), Viseu (-24%) e Évora (-21%), entre outros.
Telecomunicações e Transportes pressionam estatísticas
A leitura setorial revela focos claros de fragilidade. Em 2025, os setores com maior crescimento nas insolvências foram: Telecomunicações (+125%); Agricultura, Caça e Pesca (+39%); Transportes (+28%)
Em sentido oposto, destacam-se as reduções no setor da Eletricidade, Gás e Água (-36%) e na Indústria Transformadora (-12%), sugerindo maior resiliência financeira nestas atividades.
Criação de empresas cresce 5% e supera as 52 mil
Enquanto as insolvências recuaram, a criação de novas empresas ganhou fôlego. Em 2025, foram constituídas 52.617 empresas, mais 2.448 do que em 2024, o que representa um crescimento de 5%.
Lisboa voltou a liderar, com 16.360 novas empresas, mais 3,9% do que no ano anterior. O Porto seguiu com 9.101 constituições, registando um crescimento mais expressivo, de 6,5%.
Distritos do interior aceleram na criação empresarial
O crescimento não se concentrou apenas nos grandes centros. Distritos como Viseu (19%), Ponta Delgada (14%), Leiria (13%), Vila Real (13%), Bragança (12%) e Santarém (11%) registaram aumentos significativos na criação de empresas.
Em contraste, a Horta apresentou a maior quebra, com uma redução de 15% face a 2024.
Agricultura e Construção puxam novas empresas
Por atividade económica, os setores com maior crescimento na constituição de empresas foram: Agricultura, Caça e Pesca (+20%) ; Construção e Obras Públicas (+20%)
Já os Transportes e as Telecomunicações registaram as maiores quebras, ambas com descidas de 21%, refletindo ajustamentos estruturais nestas áreas.
Um retrato de ajustamento, não de euforia
Os dados de 2025 desenham um cenário de ajustamento gradual, mais do que de euforia. Há menos empresas a cair, mais empresas a nascer, mas também sinais claros de pressão em setores específicos e em algumas regiões.
O tecido empresarial português parece estar a reorganizar-se com mais prudência, maior seletividade e um crescimento que continua a ser desigual.


