Os mercados cedo reagiram à vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, antecipando políticas de incentivo ao crescimento e uma inflação mais elevada. «O principal risco está no comércio e a Europa torna-se mais preocupante, pois poderá ficar num ambiente comercial mais hostil», advertem os especialistas. A Líder partilha uma perspetiva sobre […]
Os mercados cedo reagiram à vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, antecipando políticas de incentivo ao crescimento e uma inflação mais elevada. «O principal risco está no comércio e a Europa torna-se mais preocupante, pois poderá ficar num ambiente comercial mais hostil», advertem os especialistas.
A Líder partilha uma perspetiva sobre as implicações económicas que podem advir da nova Administração a tomar pose em janeiro de 2025: comércio, impostos e transição energética são analisados por Johanna Kyrklund, George Brown e David Boyce, três economista da Schroders.
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Aterragem suave para a Economia americana
Segundo os analistas, a vitória de Trump não alterou a posição positiva relativamente às ações globais, com preferência pelas ações norte-americanas. Durante a sua anterior administração, Donald Trump usava o índice Dow Jones como barómetro de sucesso.
Em segundo plano, continua a ver-se uma aterragem suave para a Economia dos EUA. A política fiscal deverá continuar a ser favorável, e o principal risco está no comércio. A curto prazo, uma postura protecionista no comércio favorece o dólar americano e representa um risco para o crescimento fora dos EUA. E é esperado que as autoridades chinesas continuem com políticas de estímulo para compensar isso.
A Europa torna-se uma preocupação maior, pois pode ficar no centro de um ambiente comercial mais hostil – sem a liderança unificada necessária para enfrentá-lo. De acordo com a análise, continua-se a recomendar a posse de obrigações por razões tradicionais – para gerar rendimento. O papel das obrigações como diversificadores continua desafiado pela probabilidade de políticas fiscais expansionistas.
Numa perspetiva geral, continua a ver-se baixo risco de uma aterragem económica brusca e considera-se que esta administração aumenta o risco de uma subida da inflação mais tarde, em 2025, devido às suas políticas comerciais e fiscais. O pior resultado teria sido uma eleição contestada, o que se evitou.
Vitória de Trump será reflacionária para a Economia dos EUA
É esperado que o partido mantenha a maioria na Câmara e como tal Trump está bem posicionado para implementar a sua agenda política. Comprometeu-se a cortar ainda mais os impostos e a regulamentação, enquanto aumenta as tarifas e restringe a imigração – uma combinação que será reflacionária para a economia dos EUA.
No final de novembro, os analistas pretendem aumentar ainda mais a previsão de crescimento acima do consenso para 2025, atualmente de 2,1%. As previsões anteriores, em agosto, baseavam-se nas probabilidades de uma governação dividida sob Kamala Harris. A inflação também deverá ser mais persistente, reforçando a convicção de que a Reserva Federal (Fed) não realizará tantos cortes como indicou. Partindo do princípio de que a taxa neutra está em torno dos 3,50%, o regresso de Trump à Casa Branca significa provavelmente que a Fed terá de manter as taxas acima desse nível.
Transição energética: incentivos verdes em risco, mas custos das renováveis atrativos
Nos últimos 15 anos, de acordo com os especialistas, o custo de geração de energia a partir do vento e da solar caiu drasticamente, competindo agora diretamente com os custos variáveis de produção de energia a partir de combustíveis fósseis. Do ponto de vista dos custos para as concessionárias, as renováveis tornaram-se uma escolha óbvia.
Donald Trump deu a entender que quer acabar com o apoio económico à indústria de energia limpa, mas poderá ter dificuldades em revogar unilateralmente a Lei de Redução da Inflação (IRA). Para pôr fim aos incentivos fiscais verdes seria necessário o apoio do Congresso dos EUA, algo que o novo presidente pode não conseguir, dado o amplo estímulo económico que a IRA produziu.
Com base na nossa análise dos dados sobre projetos de energia verde, verificámos que mais de 50% dos novos empregos e despesas de capital foram anunciados em estados com inclinação republicana, em comparação com 20% em estados com inclinação democrata desde a aprovação da IRA. Contudo, um abrandamento da transição para a energia limpa é possível, já que Trump pode dificultar a aplicação da lei climática através de ações executivas, como o endurecimento das regras de qualificação para créditos fiscais ou ao congelar a concessão de subsídios e empréstimos para projetos de energia verde.
Trump também pode vir a reintroduzir a secção F, que reclassificaria o papel de milhares de funcionários federais e com isso ganhar influência sobre instituições políticas-chave, como a Agência de Proteção Ambiental (EPA). A sua primeira administração reduziu os orçamentos da EPA e limitou as suas atividades regulamentares. Estas áreas do governo seriam particularmente vulneráveis a mais cortes.



