O futuro deixou de ser uma abstração longínqua. Chega com a velocidade da tecnologia que ameaça empregos, com o ritmo acelerado das mudanças sociais e com o peso das perguntas que já não podemos adiar: que líderes queremos e que mundo estamos a construir? Dois finalistas do 12.º ano subiram ao palco da NOVA SBE […]
O futuro deixou de ser uma abstração longínqua. Chega com a velocidade da tecnologia que ameaça empregos, com o ritmo acelerado das mudanças sociais e com o peso das perguntas que já não podemos adiar: que líderes queremos e que mundo estamos a construir?
Dois finalistas do 12.º ano subiram ao palco da NOVA SBE na primeira Leadership Next Gen para responder de frente a essas inquietações. A sessão, intitulada The New Generation of Leaders, transformou-se num espelho cru de uma geração que cresce entre algoritmos, mas que insiste em manter a sua humanidade.
Pedro Oliveira, Dean da NOVA SBE, lançou duas perguntas simples e diretas: «O que espera a sociedade de vocês?» e «Acham que os jovens vivem amargurados com a tecnologia e que esta lhes pode tirar o emprego?»

A máquina não educa, não guia, não inspira. Isso cabe a nós»
Luís Vasconcelos, finalista do 12.º ano, respondeu sem rodeios: «Antes da competência académica ou profissional, o essencial é sermos boas pessoas». Admitiu que a inteligência artificial preocupa — «a técnica é muitas vezes superior à nossa» — mas destacou uma diferença fundamental: «Uma dessas coisas é a empatia. Só nós abraçamos, as máquinas não».
Essa preocupação permeou toda a conversa. Luís explicou que o curso de Direito, que pretende seguir, poderá sofrer forte impacto da automação. «Muitas tarefas podem ser realizadas por inteligência artificial. Mas o que não podemos substituir é a forma como levamos as pessoas a resolver problemas. A máquina não educa, não guia, não inspira. Isso cabe a nós.»
Luís defendeu que a componente social anda de mãos dadas com a técnica. As universidades devem formar não só profissionais competentes, mas também cidadãos conscientes. «As chamadas soft skills — comunicação, flexibilidade, visão — estão cada vez mais exigidas. É isso que nos distingue». E deixou uma frase que arrancou aplausos: «Não vou levar a minha profissão para a cova, mas sim as experiências e momentos de partilha».
O público participou com cartões vermelhos e verdes. A maioria reconheceu que a universidade prepara mais para o trabalho do que para a vida. Melissa Figueiredo, também finalista, acrescentou: «Se queremos ser líderes, não basta dominar a técnica. Precisamos de aprender a ouvir, a lidar com pessoas e a sermos visionários».
A visão de liderança ganhou amplitude: não se restringe a CEOs ou cargos de topo, mas deve ser partilhada. «Todos nós devemos liderar pequenas coisas», concluiu Melissa. «Só assim, com ação conjunta, conseguimos mudar o mundo.»

Experimentar e conhecer pessoas além dos papéis
Luís trouxe a experiência de uma missão católica em Colares para ilustrar a diferença: «Uma senhora que lá estava assumiu a chefia. Podia ter feito só horários e calendários mas decidiu participar. O que nos uniu foi a forma como nos acalmava, como nos dava um abraço quando era preciso. Isso é liderança. Uma máquina não faz isso.»
O tema regressou à inteligência artificial. Luís reconheceu que, apesar das vantagens, há um receio silencioso entre os jovens: «Quando pensamos a sério no futuro, percebemos que muitas das nossas responsabilidades podem ser substituídas. A questão é: o que oferecemos de diferente?» A resposta surgiu de imediato: «empatia, ética, cuidado. Uma máquina pode executar tarefas, mas não compreende valores.»
Melissa partilhou a sua própria experiência ao entrar recentemente no ensino superior: «Eu estava à espera de uma universidade fechada, cada um por si. Mas encontrei professores disponíveis, abertos ao diálogo, projetos sociais que apoiam mulheres refugiadas, iniciativas de integração. Isso mostra que as universidades estão a mudar. E nós, estudantes, mudamos com elas.»
O debate terminou com uma reflexão sobre a pergunta que acompanha todas as gerações: «O que queres ser quando fores grande?» Luís foi direto: «Eu sei o que quero ser — pai. Quanto à profissão, isso vai mudando. A vida não é linear. Em cinco anos já podemos ter mudado de rumo. O que importa é quem somos, não o cargo que ocupamos.»
Melissa reforçou: «Nunca haverá uma resposta certa, porque o mundo muda e nós mudamos com ele. O que levamos da vida não é a profissão, mas as experiências, os momentos, o que aprendemos. É isso que fica.»
Entre aplausos, ficou a sensação de que a geração que cresce entre algoritmos não se rende às máquinas. O futuro pede mais do que eficácia — pede humanidade.
Assista ao momento completo aqui:
Pedro Oliveira, Melissa Figueiredo, Luís Vasconcelos – Linkdean, The new generation of leaders
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Todos os momentos da Leadership Next Gen estão disponíveis na Líder TV e nos canais 165 do MEO e 560 da NOS.


