Hoje contratam-se pessoas pelas suas capacidades, e não pelo horário ou proximidade do escritório. A expectativa é de que 40% a 60% do horário de trabalho seja passado no local de trabalho e o restante em casa. Julia Hobsbawn, autora do livro “The Nowhere Office” escreve na Strategy+Business, onde releva que a disrupção dos últimos […]
Hoje contratam-se pessoas pelas suas capacidades, e não pelo horário ou proximidade do escritório. A expectativa é de que 40% a 60% do horário de trabalho seja passado no local de trabalho e o restante em casa.
Julia Hobsbawn, autora do livro “The Nowhere Office” escreve na Strategy+Business, onde releva que a disrupção dos últimos dois anos provou que o trabalho no escritório das 9h às 17h não vai voltar a ser uma realidade. A tendência é que as pessoas deem mais valor ao ambiente de trabalho e suas às suas condições do que ao salário em si, o que se reflete no movimento crescente da Great Resignation.
A autora deixa três sugestões de como se adaptar a estas mudanças e reavaliar as prioridades:
- “Como” e “porquê” importam mais do que “onde” e “quando”
A maior mudança que se nota é na atitude no que toca ao estar presente. Hoje o estar presente é possível através dos meios digitais, não só presenciais. O desenvolvimento da tecnologia redefiniu a relação entre o local de trabalho e o tempo gasto para lá chegar. Colaboradores consideram uma medida mais atrativa ir ao escritório quando é necessário, e ficar a trabalhar a partir de casa quando o contacto não é necessário, poupando assim os tempos de deslocação e os preços inflacionados dos combustíveis. O espaço de trabalho é menos relevante, passando a importar mais estar num espaço com as pessoas com quem se trabalha: assim, o escritório em si já não é condição sine qua non. Dá-se agora prioridade às relações sociais entre colegas, o bom ambiente, que se traduz num aumento de produtividade, segundo um estudo da Universidade de Stanford.
- A “fase de vida” de um colaborador transformar-se-á na nova maneira de identificar pessoas.
A fase de vida em que os trabalhadores de uma organização se encontram vai se tornar mais central que qualquer outro fator. A autora divide as fases de vida em três: o que aprende, o que se demite e o líder. O que aprende considera que estar no escritório é benéfico, visto que pode estar a partilhar casa e internet, e aprender com colegas no local de trabalho pode ser essencial.
De acordo com um estudo da Statista, em 2030 é esperado que metade da população trabalhadora dos EUA sejam freelancers, o que se enquadra na categoria dos que se demitem. Estes não necessitam de um trabalho fixo, full-time e presencial, necessitam sim de um local onde possam ocasionalmente juntar-se com os colegas, e se não estiver satisfeito com o trabalho facilmente muda de emprego.
Os líderes, por sua vez, necessitam de ouvir e aprender cada vez mais, enquanto deixam de monitorizar ao extremo e deixam de impor métodos antiquados. Planear padrões de trabalho e de locais adequados para trabalhar consoante a fase de vida dos seus colaboradores será crucial.
- Saúde Social é o novo Bem-estar
Antes da Pandemia o bem-estar era tema central. No entanto, no local de trabalho não encontrávamos o bem-estar pretendido, mas sim um grande foco de stress, que se traduzia também em pouca produtividade. A saúde social define Hobsbawn, é o estado conectado de uma organização e os seus colaboradores, principalmente da partilha de conhecimento através de relações sociais. Assim, é importar estimular e encorajar as relações sociais entre colegas para os trabalhadores ganharem confiança e capital social, que se irá refletir nas suas saúdes física e mental.
As pessoas terão de ter alguma liberdade sobre como as fomentar. Controlo do tempo, das relações e boa comunicação é a chave para uma boa saúde social. Quanto mais saudáveis as relações, mais coesa será a produtividade.


