O desafio de dar palco e voz às líderes e empreendedoras que souberam ser fortes, mas também sensíveis, prolonga-se pelo mês de abril.
A propósito do Dia Internacional da Mulher, celebrado em março passado, a Líder partilha as respostas a um guião de perguntas comuns a todas.
Celebrar ser mulher, sim. Agora e sempre, enquanto houver voz, palavras e histórias. Preparados para “ventilar o coração”? (Marjane Satrapi sabia o que dizia.)
Sofia Esteves, Executive Director da Celfocus
Sofia Esteves tem uma longa experiência em consultoria e em data & analytics, tendo desempenhado anteriormente várias funções de liderança em empresas como a Novabase, o SAS Institute, entre outras.
É formada em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico e possui um MBA pela Universidade Católica.
De que matéria são feitas as grandes mulheres?
Na minha perspetiva, destacaria as seguintes competências, comportamentos e formas de estar na vida:
Vivem o seu propósito de vida, mantendo-se fiéis aos seus valores e procurando constantemente evoluir enquanto pessoas e profissionais.
Tem autoconfiança e são resilientes, demonstrando uma grande capacidade de trabalho e persistência no atingimento dos objetivos e metas traçadas. Veem os obstáculos como oportunidades de aprendizagem e não como bloqueios.
Assumem o seu “sexto sentido”, potenciando uma visão periférica mais abrangente, resultando numa maior atenção aos detalhes (que muitas vezes, é o que marca a diferença) permitindo abordar as situações com uma maior sensibilidade e empatia. Exercendo competências que considero fundamentais para os líderes do futuro.
Aspiram por algo maior e procuram fazer a diferença com determinação, tendo um impacto positivo no seu círculo familiar, na sua comunidade e no mundo através dos múltiplos papéis que desempenham (mãe, mulher e profissional).
Em que sentido a vulnerabilidade pode ser uma força para os que lideram?
No atual ecossistema em que vivemos, global, complexo, incerto, e em constante evolução, a agilidade e a capacidade das organizações se adaptarem, frequentemente reinventando-se, por forma a manterem-se relevantes no mercado em que atuam, são competências absolutamente vitais. Esta realidade, em conjunto com os novos modelos híbridos de trabalho, traz desafios adicionais, no que diz respeito à gestão de talento efetiva, e reforça ainda mais a sua importância como alavanca crucial para o sucesso e sustentabilidade dos negócios.
Acredito que enquanto líderes, uma das nossas principais missões, passa por criar as condições que permitam a captação e a retenção deste valioso capital humano, fomentando a criação de um ambiente seguro que potencie um engagement forte dos trabalhadores à organização. Um ambiente onde cada pessoa, de forma genuína, esteja disposta a arriscar, a ser vulnerável, a tomar decisões difíceis, a confiar e a empatizar com os outros, dando feedback honesto e construtivo, impulsionando não só o seu crescimento profissional individual, mas também o desenvolvimento organizacional. Desta forma, vejo a vulnerabilidade como um “superpoder”, como um sinal de força e de coragem, e não de fraqueza. Ser vulnerável implica assumir riscos, quando não controlamos os resultados, e aprender com as nossas falhas. Sem vulnerabilidade, não há lugar a criatividade ou a inovação, indubitavelmente essenciais para o futuro das organizações.
O que foi determinante no seu crescimento pessoal e profissional?
Por um lado, um certo “desassossego” que me caracteriza e que me levou constantemente a procurar novos desafios e novas experiências que potenciassem o meu crescimento pessoal e profissional. Por outro lado, a sorte de ter encontrado ao longo do meu caminho. pessoas com quem aprendi muito e que acreditaram no meu valor e potencial. Para além, claro está, do apoio incondicional da minha família.
Que conselho daria hoje ao seu ‘eu’ mais novo?
Apreciar e agradecer todos os dias, as pequenas alegrias da vida, tais como, estar com as pessoas que me são mais queridas, testemunhar o brilho nos olhos dos meus filhos futebolistas quando marcam um golo, ouvir as minhas músicas preferidas ou desfrutar de um belo pôr do sol. A nossa felicidade é feita destes breves momentos.
Que ensinamentos deixa para outras mulheres?
Nunca desistirem, acreditarem no seu valor e no seu potencial, apesar dos possíveis detratores que possam encontrar pelo caminho. Terem a coragem de seguirem a sua intuição e o seu coração. Encontrarem o seu propósito de vida e não se colocarem em segundo plano, encontrando equilíbrio e respeitando o seu well-being.
Como lida com o erro?
Permitindo-me ser vulnerável, procuro ver a falha como parte do processo de aprendizagem, tentando tirar sempre sentido dos acontecimentos e procurando incorporar esses ensinamentos em futuras situações. Apesar da falha poder ser uma fonte frustração, a verdade é que são esses momentos que aceleram significativamente o nosso crescimento, trazendo à tona competências que desconhecíamos e novas perspetivas sobre os temas.
Quais são as suas referências e fontes de inspiração?
Sou curiosa e procuro beber de várias fontes, desde as pessoas do meu círculo mais íntimo, até grandes pensadores ou figuras públicas. De qualquer forma, elencaria os seguintes traços comuns que me inspiram: determinação em encontrar o propósito de vida e a coragem para vivê-lo, a inteligência (QI e QE) e a procura incessante de crescimento pessoal, a humildade (que nos permite manter os pés assentes na terra), a integridade e o respeito pela diversidade e a vontade de querer deixar uma marca positiva no mundo por mais pequena e simples que ela possa ser.
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