Desde outubro de 2023, o conflito entre Israel e a Palestina agravou-se para uma das suas fases mais sangrentas. A atual escalada teve início quando o Hamas atacou um festival de música que decorria em Israel. Atualmente, o número de mortos ultrapassa os 22 mil, incluindo milhares de crianças, segundo o site Human Rights Watch. Hoje, […]
Desde outubro de 2023, o conflito entre Israel e a Palestina agravou-se para uma das suas fases mais sangrentas. A atual escalada teve início quando o Hamas atacou um festival de música que decorria em Israel. Atualmente, o número de mortos ultrapassa os 22 mil, incluindo milhares de crianças, segundo o site Human Rights Watch.
Hoje, assinala-se o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano e estão marcadas manifestações de apoio em Lisboa, Porto e Coimbra. Pelo resto do mundo também há marchas de solidariedade com aquele território e todas as pessoas que sofrem com a guerra.
Os números são arrebatadores: cerca de 18 mil mortes em Gaza, grande parte civis, e mais de 1.200 em Israel. Crianças estão entre as principais vítimas, realçando a tragédia humanitária do conflito. Israel acusa o Hamas de usar civis como escudos humanos, enquanto grupos de direitos humanitários denunciam a resposta israelita como desproporcional e devastadora para a população civil de Gaza. Os serviços básicos estão à beira do colapso, e no meio dos escombros as mortes não param de aumentar.
Na Assembleia Geral da ONU, em outubro, António Guterres considerou a situação em Gaza um «abismo humanitário». O secretário-geral da organização aprofundou «não haver desculpa para bombardear civis, hospitais ou escolas» e que a violência não criará soluções, «apenas mais sofrimento». A ONU e organizações humanitárias têm trabalhado no terreno sob condições extremas para oferecer assistência aos milhões de deslocados. O cessar-fogo foi reforçado na terça-feira passada, na abertura do Fórum Global da Aliança das Civilizações da ONU (UNAOC), com o secretário-geral a afirmar que «precisamos de paz!».
A falta de paz está a levar a uma erosão da confiança no sistema multilateral, nas sociedades e entre as pessoas.
O Papa Francisco também reiterou a urgência de diálogo e condenou a guerra como uma falha na construção da paz. Este mês, em plena Praça de S. Pedro, no Vaticano, o papa sentenciou a guerra como «uma derrota para a humanidade» e pediu aos líderes para escutarem «o clamor das crianças e dos inocentes». Apesar das pressões, a pacificação da guerra parece distante, já que Israel continua com operações militares visando as infraestruturas do Hamas.
O que se vê hoje não é apenas uma guerra entre exércitos, mas o acumular de décadas de disputas territoriais, religiosas e políticas. É a história de dois povos que não encontram um caminho para a paz, estando presos num ciclo de violência que vai roubando o futuro das novas gerações. É um eco de tragédia, mas acima de tudo de resistência.
Sangue, lágrimas e destruição: a sobrevivência de Netanyahu no poder
Benjamin Netanyahu, líder com mais tempo no poder em Israel, denomina-se o “guardião da segurança nacional”, algo que já foi testemunhado pela imprensa israelita. No entanto, a surpresa do ataque inicial do Hamas revelou falhas graves na prontidão militar, minando a sua principal bandeira política. Além disso, as suas alianças com partidos ultranacionalistas e religiosos aprofundam divisões internas e aumentam tensões globais.
Enquanto Netanyahu defende as operações militares como necessárias para “eliminar o Hamas”, a crescente perda de vidas civis em Gaza alimenta acusações internacionais de crimes de guerra. Juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, expediram na semana passada um mandato de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant. Ambos foram acusados de crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza.
Sara Gómez Armas, jornalista da agência noticiosa EFE, dá conta da tensão interna em Israel. Na esfera doméstica, Netanyahu vai enfrentando protestos significativos, tanto de judeus como de árabes israelita. O líder daquele país também é alvo de críticas ferozes da oposição. Acusam-no de instrumentalizar a guerra para se manter no poder, desviando o foco de investigações de corrupção que o cercam há anos.
A situação atual é periclitante para um governo que optou por estratégias de força, muitas vezes à custa de soluções pouco diplomáticas. A história pode lembrar o seu governo não apenas pelos longos anos em que comandou o país, mas pelos custos humanitários e políticos das suas decisões em tempos de crise.


