Com a chegada de 2026, surgem novos desafios e oportunidades para as organizações adaptarem as suas estratégias num mercado cada vez mais digital e globalizado. As lideranças empresariais enfrentam um contexto económico paradoxal: maior resiliência do que o esperado após sucessivos choques globais, mas com riscos estruturais cada vez mais evidentes. «Esperamos, para 2026, um ano […]
Com a chegada de 2026, surgem novos desafios e oportunidades para as organizações adaptarem as suas estratégias num mercado cada vez mais digital e globalizado. As lideranças empresariais enfrentam um contexto económico paradoxal: maior resiliência do que o esperado após sucessivos choques globais, mas com riscos estruturais cada vez mais evidentes.
«Esperamos, para 2026, um ano de crescimento moderado, mas com desafios bastante significativos. A dívida pública elevada, o envelhecimento demográfico dos países europeus, a própria escassez de talento e uma fragmentação geopolítica, cada vez maior, são tudo elementos que estão a redesenhar as regras da competitividade. Para gerir com sucesso um negócio, é essencial que os líderes empresariais encarem a revisão e otimização de custos como prioridade no próximo ano. Reduzir despesas não é apenas uma abordagem defensiva, mas sim uma alavanca estratégica para o crescimento», afirma João Costa, country manager do ERA Group.
Neste contexto, o ERA Group identifica cinco áreas críticas que irão distinguir as lideranças capazes de crescer de forma sustentada no próximo ciclo económico.
1. Gestão estratégica de custos como vantagem competitiva
Num ambiente marcado por maior pressão sobre margens, a gestão de custos deve assumir um papel central nas decisões de liderança. Mais do que cortes reativos, o desafio passa por identificar ineficiências estruturais, renegociar fornecedores e redesenhar processos com impacto direto na criação de valor.
Uma abordagem analítica e contínua à otimização de custos permite libertar capital para investimento, aumentar a agilidade organizacional, bem como reforçar a resiliência face a ciclos económicos adversos.
2. Eficiência operacional num contexto de incerteza prolongada
A volatilidade económica deixou de ser uma exceção para se tornar, cada vez mais, estrutural. Tensões comerciais e geopolíticas, bem como a aplicação de tarifas de forma volátil e pouco imprevisível, exigem das lideranças maior capacidade de operar com flexibilidade e rapidez.
Reforçar a eficiência operacional, através da simplificação de processos, de uma monitorização rigorosa de despesas e da tomada de decisão baseada em dados, pode tornar-se essencial para responder à imprevisibilidade do mercado sem comprometer a estratégia de médio e longo prazo.
3. Apostar em novas tecnologias e na Inteligência Artificial com foco no impacto real
A Inteligência Artificial (IA) tem provado o seu impacto concreto na produtividade, mas ainda de forma desigual entre regiões e setores. Para as lideranças, o desafio não deve estar na adoção indiscriminada desta nova tecnologia, mas na sua aplicação estratégica.
Identificar onde a IA pode gerar ganhos operacionais tangíveis e colmatar escassez de talento será decisivo. Em paralelo, cresce a exigência de uma governação responsável desta tecnologia, alinhada com princípios éticos e o novo enquadramento regulatório.
4.Talento, demografia e novas dinâmicas do trabalho
O envelhecimento da população europeia e a escassez estrutural de mão de obra colocam a gestão de talento no centro da agenda estratégica. A capacidade de atrair, reter e qualificar pessoas, bem como de integrar a migração como fator de crescimento económico, será determinante para a sustentabilidade e sucesso das organizações.
As lideranças mais eficazes são aquelas que alinham eficiência operacional, com modelos de trabalho mais flexíveis e políticas de valorização do capital humano.
5. Saber gerir riscos num contexto multipolar
Com a ascensão de múltiplas superpotências económicas, as empresas são obrigadas a repensar cadeias de abastecimento, a sua exposição a mercados e até mesmo estratégias para mitigar riscos. Preparar-se para eventuais cenários de desaceleração ou recessão, sem adiar decisões estruturais, será um fator distintivo das lideranças mais bem-sucedidas. Antecipar riscos e agir de forma proativa permitirá transformar a incerteza em oportunidade estratégica.
Num contexto global resiliente, o sucesso das lideranças em 2026 dependerá menos da reação a crises pontuais e mais da capacidade de promover mudanças estruturais, sustentadas por eficiência, visão estratégica e disciplina na execução.


