Numa era em que grande parte da comunicação profissional se faz por escrita, especialmente por e-mail, nem sempre é fácil perceber o que está realmente a ser dito ou insinuado. Expressões aparentemente inofensivas podem carregar um tom sarcástico ou passivo-agressivo, gerando desconforto, ansiedade e até conflitos no ambiente de trabalho.
De acordo com um estudo feito com cerca de 1 000 trabalhadores nos Estados Unidos, 83 % afirmam ter recebido um e-mail passivo-agressivo no trabalho. Quase metade (42 %) diz que esses comportamentos vêm de superiores, e quase um quarto dos inquiridos chegou mesmo a mudar de emprego por causa disso.
Por que isso acontece?
A comunicação escrita elimina elementos como tom de voz, expressões faciais e linguagem corporal, deixando só o texto. Essa ausência de contexto pode fazer com que frases que parecem educadas à primeira vista sejam interpretadas como indiretas hostis.
Segundo analistas de comunicação, muitas vezes quem envia estas mensagens tenta evitar confronto direto, mas acaba por transmitir frustração de forma velada.
As frases que mais irritam
Alguns termos proliferam nos e-mails corporativos e são frequentemente percebidos como passivo-agressivos:
«Per my last email» — muitas vezes lido como «já disse isto antes, leu ou não?», apesar de parecer apenas uma referência prática.
«Not sure you saw this» / «Friendly reminder» — frases que insinuam falta de atenção ou responsabilidade do destinatário.
«Please advise» — pode soar seco ou impessoal, deixando quem lê na defensiva.
Outras listas publicadas por especialistas apontam expressões como ‘Noted’, ‘I look forward to hearing from you’ ou ‘Kind regards’ no final de uma mensagem longa, que em contexto podem ser interpretadas como pouco colaborativas ou até hostis.
O impacto real no trabalho
O problema não é só semântico. A prevalência de e-mails com tom passivo-agressivo pode contribuir para um ambiente de tensão ou insegurança entre colegas. Uma investigação relatada em plataformas de recursos humanos sugere que esses padrões de comunicação podem prejudicar relações de trabalho, reduzir a confiança e tornar a colaboração mais difícil.
Especialistas chamam atenção para o facto de que mesmo quando a intenção não é hostil, a interpretação pode ser negativa, o que leva muitos a recomendar uma abordagem mais direta ou empática na comunicação corporativa.
Como evitar cair na armadilha
Algumas sugestões simples para melhorar a clareza e reduzir a ambiguidade incluem expressar claramente o pedido ou objetivo da mensagem, em vez de insinuar frustração. Evitar frases ‘padrão’ que ficam facilmente marcadas como passivo-agressivas. Reescrever e reler antes de enviar para assegurar que o tom não está involuntariamente negativo.
Especialistas em comunicação organizacional — e até coaches de liderança — defendem que combinar assertividade com empatia é a melhor forma de evitar mal-entendidos e construir relações profissionais mais saudáveis.


