Os plásticos representam mais de 80% do lixo que existe nos oceanos e, todas as evidências parecem apontar para a relação entre a presença de microplásticos nos oceanos e muitos problemas de saúde. As algas, os peixes e muitas espécies estão a ser afetados. E o mais certo é que nós, humanos, estejamos já a sofrer também as consequências desta contaminação.
Onde anda o plástico?
Podemos pensar que há plástico apenas nas zonas mais povoadas do globo ou junto à costa, mas não é assim. Hoje sabe-se que há plástico espalhado por todos os ecossistemas do Planeta (terrestres e marinhos), desde as regiões mais remotas, à zona mais funda dos oceanos.
O que vemos nas nossas praias é apenas a ponta do icebergue, pois não há apenas plástico a flutuar nas águas, mas também quantidades impressionantes deste material depositadas no fundo.
Quanto plástico há no mar?
Para saber a quantidade de plástico que vai parar aos oceanos, um exaustivo estudo científico concluiu que, todos os anos, cerca de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos (quase tudo embalagens)! Isto equivale a ser despejada no mar, a cada hora que passa, cerca de uma tonelada de plástico.
A cada minuto, um camião de plástico. Sem pausas. Os autores deste estudo alertaram ainda para o seguinte: com o crescimento das populações e com o aumento do consumo de plástico, este número irá duplicar até 2025.
É assim que chegamos à triste conclusão: em 2050, haverá mais plástico do que peixe no mar. É demasiado grave para não fazermos nada!
Quanto tempo demora o plástico a degradar-se?
Pode demorar desde algumas semanas a centenas de anos. Este tempo de degradação depende de muita coisa: do tipo de plástico, do tamanho do objeto, das condições ambientais (sol, temperatura, correntes) ou da(s) zona(s) por onde andou ou onde se encontra.
Por exemplo, os plásticos que vão parar ao fundo dos oceanos demoram muito mais tempo a degradar- -se devido às temperaturas mais baixas da água e ao facto de estarem em zonas menos iluminadas e onde há menos erosão. Em teoria, sendo um material orgânico (feito a partir do petróleo), o plástico deverá decompor-se em CO2 e água. Mas ninguém sabe quanto tempo tal levará a acontecer, pois ninguém viveu tempo suficiente para assistir à sua degradação completa.
As consequências do plástico nos oceanos
O encontro com o plástico dos oceanos é quase sempre um encontro infeliz. O plástico é uma ameaça para a vida selvagem, para os ecossistemas e também para o Homem.
O perigo das substâncias tóxicas
O plástico tem características químicas muito particulares. Por um lado, é um material capaz de adsorver outras substâncias, isto é, as moléculas dos fluídos (neste caso, poluentes) aderem (ou agarram-se) à sua superfície. É por isso que o plástico que anda há muito tempo no mar contém quase sempre grandes quantidades de poluentes que, de alguma forma, foram parar ao mar. Por vezes são substâncias químicas antigas, que até já foram proibidas, mas que ainda existem nas águas. Por outro lado, o plástico tem também a capacidade de libertar substâncias que fazem parte da sua própria composição. Por exemplo, com a exposição prolongada ao calor, certos plásticos podem libertar os seus próprios aditivos e também os poluentes que absorveram. Um grupo de aditivos que já se provou ser muito nocivo para a saúde é o dos ftalatos. Resultado: o plástico pode conter uma grande quantidade de substâncias tóxicas. E mesmo quando se degrada em partículas muito pequenas, essas substâncias tóxicas continuam presentes. Entrando na cadeia alimentar dos animais dos oceanos, não é difícil que estas substâncias passem para os tecidos humanos através dos peixes e mariscos que comemos.
Os microplásticos são um macroproblema
Enquanto vagueia pelos oceanos, o plástico vai sofrendo vários tipos de danos por ação do frio, do calor, do sol, do sal, das ondas e do vento ou do contacto com as areias e as rochas. Gradualmente, torna-se frágil e vai-se partindo, dando origem a milhares de pequenas partículas. A todas estas partículas de plástico com dimensões inferiores a 5mm dá-se o nome de “microplásticos”.
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Pode ler o artigo completo na edição de primavera da revista Líder.
Por Ana Pêgo, co-autora de Plasticus Maritimus, Uma Espécie Invasora, Planeta Tangerina
Ilustrações de Bernardo P. Carvalho, Editora Planeta Tangerina