Ainda há muito a fazer para que se alcance a igualdade de género, e o associativismo é uma área que pode passar despercebida. No estudo “Representatividade dos parceiros sociais e impacto da Governança Económica”, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, as mulheres compõem apenas 19% dos órgãos das Associações empresariais. “As mulheres […]
Ainda há muito a fazer para que se alcance a igualdade de género, e o associativismo é uma área que pode passar despercebida. No estudo “Representatividade dos parceiros sociais e impacto da Governança Económica”, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, as mulheres compõem apenas 19% dos órgãos das Associações empresariais.
“As mulheres no associativismo” foi o tema do 10º e último episódio do podcast “Promova Talks”, sob moderação do Jornalista André Macedo, e participação das Vice-Presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) Cristina Antunes, Ana Palmeira de Oliveira, Ana Maria Couras, e a Secretária-Geral da CIP, Carla Sequeira.
A avaliação da representatividade das mulheres nas associações sejam elas setoriais, regionais, culturais ou sociais, não se altera entre as convidadas. Ana Palmeira de Oliveira considera que, embora se verifiquem melhorias desde os últimos dez anos, e em determinadas áreas técnicas, como a das ciências, seja possível encontrar mais mulheres, de um modo geral e transversal, “são poucas as mulheres ainda nos cargos de liderança”, evidenciando-se nas reuniões empresariais.
Cristina Antunes vem acrescentar a insistência de uma cultura tradicional que ainda influencia a
representação do homem e da mulher nos cargos de liderança. Embora cada vez mais mulheres estejam envolvidas nos negócios e são tão capazes, ou mais, do que os homens, existe uma falta de ambição assente na cultura tradicional. “Acho que as mulheres precisam de ser mais empreendedoras”, e aponta ser necessário haver formação no empreendedorismo e candidaturas nesta ordem.
Ana Couras lança uma nota de otimismo, constatando que as novas gerações estão mais predispostas à mudança e os papéis estereotipados de género começam a desvanecer: as mulheres tanto estão a ocupar áreas inovadoras científicas de largo investimento, como os homens estão, também eles, a realizar tarefas de lida doméstica que tradicionalmente eram consideradas femininas. “Eu vejo a diferença como o homem, o companheiro, olha para as suas tarefas, em que já não diz tanto ‘eu vou ajudá-la’, mas as assume como suas”, e perspetiva que este seja o passo para que se comece a repensar os papéis familiares.
O associativismo está a sentir alterações e renovações, como a própria CIP que, embora não esteja
perto da representação feminina de 50%, está a seguir esse caminho. “Antes entrávamos numa sala onde só havia homens. As únicas pessoas mulheres eram os Secretários Gerais ou Diretores Gerais das organizações, neste momento já não é assim. Já há várias presidências.”, explica Carla Sequeira.
A Secretária-Geral revela que, apesar de o meio estar predisposto à mudança para um associativismo igual para homens e mulheres, é necessário uma mudança de pensamento. Cristina Antunes afirma que falta às empresárias terem a vontade de prestar este serviço público, admitindo ser uma tarefa complicada de gerir devido à insistência do papel tradicional da mulher enquanto mãe e fazedora das tarefas da casa, mas relembra que é “muito importante perceberem que as associações são decisivas para o desenvolvimento da sua região” e, consequentemente, traz benefícios para as suas carreiras e para os seus negócios.
O “Promova Talks” foi criado no âmbito do Projeto Promova, lançado pela CIP, em parceria com a NOVA SBE. Trata-se de um programa de desenvolvimento e formação com o objetivo de promover cada vez mais mulheres em cargos de liderança nas empresas portuguesas. É um podcast mensal, produzido pela CIP em parceria com a Randstad, que visa discutir os desafios da igualdade de género e de oportunidades no emprego para as mulheres. O 1.º episódio tem como tema “O recrutamento sem género”, o 2.º “As mulheres no setor da saúde”, o 3º “As mulheres a tecnologia”, o 4.º “Gerações no Feminino, o que muda?”, o 5.º “Work life balance”, o 6º “Por que razão as mulheres avançam lentamente nas carreiras?”, o 7º “Networking no Feminino”, o 8º “As mulheres na Indústria”, e o 9º “Equidade Salarial”.


