Perceber o que vai ser, afinal, o “novo normal”, no contexto de trabalho pós Pandemia, e quais os principais desafios e estratégias que as lideranças antecipam a curto prazo, foi o objetivo de um novo estudo elaborado pela plataforma Community. Entre as principais conclusões, a reinvenção de novas formas de comunicar em equipa é o […]
Perceber o que vai ser, afinal, o “novo normal”, no contexto de trabalho pós Pandemia, e quais os principais desafios e estratégias que as lideranças antecipam a curto prazo, foi o objetivo de um novo estudo elaborado pela plataforma Community.
Entre as principais conclusões, a reinvenção de novas formas de comunicar em equipa é o principal desafio de liderança, referido por 66% dos gestores. A maioria das lideranças (52%) estão também focadas em lidar com a incerteza do mercado e 38% em gerir a ansiedade ou a insatisfação dos seus colaboradores.
O estudo realizado entre setembro e outubro de 2021, baseado em 87 respostas a um questionário feito a um universo de empresas portuguesas, destacou ainda que as lideranças masculinas apontam os objetivos de negócio como os aspetos mais desafiantes do momento, enquanto as lideranças femininas, por comparação, apontam mais desafios relacionados com questões emocionais. No geral, as lideranças mostram-se otimistas, com 74% a dizerem-se confiantes ou muito confiantes face ao atual cenário.
Quanto aos novos modelos de trabalho, metade dos gestores em Portugal (51%) defende que o trabalho mais autónomo e flexível aumenta a produtividade dos colaboradores enquanto apenas 9% defendem que o trabalho presencial com horários predefinidos ajuda à produtividade. Contudo, as opiniões dividem-se quanto aos efeitos da autonomia e da flexibilidade no envolvimento e motivação dos colaboradores. A opinião mais votada (37%) é a de que a flexibilidade e a autonomia não influenciam no envolvimento, no sentido em que um colaborador muito motivado tanto o é em casa a trabalhar sem horários, como no escritório com horários predefinidos.
Acerca da temática work-life balance, o estudo mostra que 8 em cada 10 gestores percecionam como uma das principais necessidades dos colaboradores, nesta fase, o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. Contudo, apenas 16% considera o controlo da ansiedade e do stress uma necessidade dos seus colaboradores.
No seguimento dos principais resultados, são ainda apresentadas algumas recomendações para as lideranças:
1) Reforçar o planeamento de momentos intencionais de comunicação, o que considera: evitar reuniões espontâneas sobre assuntos importantes; criar momentos na agenda das reuniões para se falar sobre temas avulsos ligados ao quotidiano da equipa e do escritório; agendar encontros informais entre a equipa pelo menos uma vez por mês.
2) Assegurar que quem está a trabalhar remotamente sinta que tem autonomia, mas que faz parte integrante da equipa, nomeadamente: ajustar os tempos de resposta a solicitações por email ou por plataformas de comunicação; esclarecer objetivos de trabalho e expressar confiança, dando autonomia aos colaboradores; promover a utilização de documentos partilhados, que possam estar acessíveis para consulta ou edição por toda a equipa em qualquer lugar.
3) Gerir a incerteza, recomendado: prática de mindfullness, ou “atenção plena”; exercitar a autorregulação de pensamentos; aumentar as práticas empáticas na relação com as equipas.
Sara Midões, especialista em Liderança Positiva e bem-estar no trabalho, e fundadora da Community, uma plataforma de serviços e de divulgação de informação sobre como trabalhar e viver melhor, explica que “as lideranças sentem maior pressão para gerir as suas prioridades e têm o dobro das interrupções ao longo do dia, comparando com os restantes colaboradores. Sabe-se que, face à Covid-19, as lideranças acusaram níveis de stress superiores aos dos elementos das suas equipas. Por outro lado, os líderes enfrentam agora novos desafios de gestão, ao mesmo tempo que o seu papel de envolvimento dos colaboradores na fase pós-pandémica é ainda mais necessário”.
“Com este estudo quis promover o diagnóstico, a partilha de experiências e a criação colaborativa de abordagens positivas e eficazes para as organizações em Portugal”, afirma a autora.


