Para que desafios estamos a formar as nossas lideranças? Quais são as expectativas e desejos das suas equipas? E as organizações, o procuram nas lideranças? Quem são os líderes dos quais a nossa sociedade e o nosso Mundo estão carentes? A permanente e legítima questão “o que será necessário para liderar no futuro” desafia-nos, não […]
Para que desafios estamos a formar as nossas lideranças? Quais são as expectativas e desejos das suas equipas? E as organizações, o procuram nas lideranças?
Quem são os líderes dos quais a nossa sociedade e o nosso Mundo estão carentes?
A permanente e legítima questão “o que será necessário para liderar no futuro” desafia-nos, não porque não saibamos que liderar já é um grande desafio e, portanto, nele está contido um sem número de oportunidades de novas visões de Mundo e de si mesmo, mas porque precisamos somar a isso um ingrediente determinante: a velocidade da mudança.
Portanto, desenvolver novas lideranças prevê, não apenas considerar velhos hábitos, modelos conhecidos ou metodologias aprovadas, exatamente, porque estamos em mudança permanente, breve, rápida, fugaz. Vamos precisar aprender a olhar o Mundo de uma perspectiva que, para nós, também é desconhecida, e isso significa uma alta capacidade de desaprender muitas das nossas certezas e desconstruir alguns dos tantos paradigmas.
É esperado que muitas competências reconhecidas hoje, continuem a ser relevantes no exercício da liderança, mas é igualmente importante termos consciência de que outras tantas ainda desconhecidas serão determinantes para conduzir equipas no dia a dia.
Para além de desaprender, teremos que ter mais do que nunca a capacidade de analisar criticamente as situações e contextos. O uso da inteligência artificial no mundo do trabalho é uma realidade e podemos extrair o melhor dessa ferramenta, ao maximizar a nossa consciência, desenvolvendo análises críticas sobre o que é certo e errado, adequado ou não para cada uma das realidades e contextos.
Com certeza, precisaremos de desenvolver nas nossas lideranças a habilidade de lidar com o diverso, isso significa que precisaremos ampliar, de sobremaneira, a terceira dimensão da inteligência emocional: a empatia, conceito que está fundamentado na nossa capacidade de ver sob a perspectiva do outro, não emitir julgamentos e estabelecer conexão com a emoção do outro. Neste contexto, vamos experimentar modelos de equipas que ainda não são realidade para a maioria de nós, desde multidisciplinares, formadas por diversas gerações, até equipas compostas por humanos e robôs. De quanta empatia e escuta ativa precisaremos para liderar tamanha diversidade?
Vamos desenvolver os nossos líderes para que tenham dúvidas e se questionem. O ideal é que esqueçam as verdades absolutas, desde já. Porque, de facto, elas nunca existiram, é tudo uma questão de contexto e referência, mas sua perenidade está à prova. E, pode imaginar-se que se temos mudanças em velocidades aceleradas, não teremos nada absoluto, muito menos verdades.
Ou seja, o que proponho é que possamos pensar na possibilidade de desenvolver nas nossas lideranças as competências que os deixem mais preparados e confortáveis para lidar com o desconhecido e com a velocidade com que esse desconhecido surge, se estabelece e se vai, num ciclo permanente do novo, onde quando acreditamos que “dominamos” algo, talvez já não seja mais relevante, e um outro novo se apresenta e nos surpreende.
E para finalizar o meu preceito. Algo que precisamos continuar a considerar na formação das nossas lideranças, especialmente num cenário de mudança permanente, inovação e quebra de paradigmas: o autoconhecimento. Ram Charan nos desafia com o seguinte conselho: “Stop looking for a universal theory. Leadership has to fit the context. Learn what you are. Learn what you can be. Seek help when necessary to stand out and increase your capacity”.
Vamos seguir olhando para o Mundo lá fora, trocando ideias e identificando o caminho mais apropriado para preparar os líderes, mas jamais podemos esquecer que, absolutamente, tudo começa quando olhamos para dentro.
Este artigo foi publicado na Aprender Magazine que faz parte integrante da revista Líder de Verão. Tenha acesso ao artigo aqui .


