A partir de 7 de junho, a Diretiva Europeia para a Transparência Salarial entrará em vigor, obrigando as empresas a tornar públicas as suas bandas salariais e a justificar diferenças superiores a 5% entre colaboradores em funções equivalentes. Esta obrigatoriedade coloca os gestores perante um desafio: como manter a competitividade para atrair talento sem comprometer a sustentabilidade financeira da organização
A Seresco, multinacional espanhola especializada em soluções tecnológicas e transformação digital, aponta caminhos práticos para responder a esta nova realidade. Segundo a empresa, gerir orçamentos salariais deixa de ser um mero exercício matemático para se tornar um ato estratégico, onde a preparação presente determina a sustentabilidade futura.
Até agora, muitas empresas geriam os salários com base em negociações individuais, mantendo alguma discrição. A partir de junho, a obrigatoriedade de revelar bandas salariais e justificar disparidades exigirá auditorias internas e, em alguns casos, ajustes orçamentais imediatos. «Se a transparência revelar desigualdades, o custo da correção terá de ser integrado no orçamento corrente», explica a Seresco. Ignorar esta realidade pode resultar em custos financeiros elevados e afastamento de talentos.
Três passos para equilibrar competitividade e sustentabilidade
Bandas salariais com elasticidade: definir faixas salariais claras permite premiar desempenho e senioridade sem ultrapassar o teto orçamental. A estratégia garante equidade interna e mantém a empresa competitiva no mercado, oferecendo remunerações atrativas no topo da banda sem comprometer a massa salarial global.
Do salário base ao valor total: a competitividade não se mede apenas pelo salário líquido. Empresas bem preparadas comunicam o «total rewards», integrando benefícios flexíveis, modelos de trabalho híbridos e bónus indexados a resultados. Este modelo assegura que os custos só aumentam quando a receita acompanha, protegendo a sustentabilidade financeira.
Evitar o risco da inércia: ignorar a normativa pode gerar correções salariais forçadas e desorganizadas, afetando tesouraria e aumentando o turnover. Para mitigar o risco, a Seresco recomenda: auditoria de equidade, identificando gaps salariais superiores a 5% e planear ajustes; benchmarking de mercado; alinhando bandas salariais para reter talento; avaliação de desempenho, usando dados objetivos para justificar aumentos.
Segundo a Seresco, a transparência salarial não é um instrumento para inflacionar salários, mas uma forma de assegurar que cada euro investido na equipa é gasto de forma justa e sustentável. Para os líderes empresariais, o equilíbrio entre contas e expectativas dos colaboradores será um teste decisivo nos próximos anos.


