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Home Entrevistas Paulo Pascoal: «A imaginação é onde a cultura volta a ser liberdade»

Entrevistas

Paulo Pascoal: «A imaginação é onde a cultura volta a ser liberdade»

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23 Janeiro, 2026 | 13 minutos de leitura

A cultura africana e afrodescendente persiste como um corpo em fricção com o mundo. Em Paulo Pascoal — artista de fronteiras móveis, criado entre Angola, Espanha e Portugal — essa cultura surge como matéria viva, telúrica, em permanente estado de tradução. Para ele, a rua, o corpo e a palavra são arquivos paralelos de uma história que nunca foi autorizada a escrever-se inteira.

Não há pressa em definir o que é cultura africana, talvez porque nunca foi uma ideia abstrata para ele. Está nas mulheres que vê desde criança, a carregar bacias cheias de peixe e sacos de mandioca com os filhos colados ao corpo. E é a partir desses corpos que o artista aprende a mover-se entre países, línguas, instituições, sempre com a sensação de que falta um documento, um carimbo, uma autorização invisível.

Nesta conversa, Paulo Pascoal fala de cultura como trabalho contínuo e sem adorno, de imigração enquanto suspensão identitária prolongada, do corpo como base de dados sensível onde se inscrevem impactos e sobrevivências. Fala também da imaginação como último território soberano num tempo de refluxo político, conservadorismo reconfigurado e normalização da exclusão. No Dia Mundial para a Cultura Africana e Afrodescendente, a sua voz não propõe salvação nem síntese: reclama continuidade e lembra que a cultura não se domestica, apenas se adapta para continuar viva.

 

Quando ouves ‘cultura africana e afrodescendente’, qual é a primeira imagem que te vem à cabeça?

A mulher africana. As kinguilas, as zungueiras a levarem o peixe em bacias na cabeça, vestidas com múltiplos tecidos africanos, muitas vezes com a criança às costas. Porque, de facto, a mulher é essa identidade africana que move a cultura, que move o mercado, que move muitos dos PIBs nacionais das nações africanas.

É a primeira imagem cultural que eu tenho de África. E é curioso porque eu vejo isso aqui também.  É algo muito coletivo. Muito transversal. Não é uma imagem que se restringe ao continente africano. Está aqui, em Lisboa, no Rossio, em São Domingos, em Queluz, onde se sentam perto da estação com os seus produtos: frutos secos, malaguetas, amendoins, mandioca frita — o bombó — todos esses quitutes da terra. Há algo de profundamente telúrico ali.

 

Cresceste entre Angola, Espanha e Portugal. Em que momento percebeste que a tua identidade não cabia num único país?

Acho que fui percebendo aos poucos. Quando começamos a emigrar muito cedo, a primeira grande vontade é a adaptação. E essa vontade faz com que tenhamos um desejo enorme de conhecer a cultura local, aprender a língua, perceber os códigos.

O primeiro país para onde emigrei foi Espanha. Fui para um seminário de padres. Era aprender espanhol à força, comunicar com os outros rapazes e com os padres, e deixar-me apaixonar por essa novidade. Eu sou muito apologista de ficar contente quando não conheço algo, porque é mais uma coisa que posso aprender.

Depois fui para os Estados Unidos, outro idioma, outra forma de estar. Só agora, nos últimos anos em Portugal, é que comecei a repensar realmente o meu lugar. Porque esse sítio de seres sempre ‘o outro’, o estrangeiro, não é só uma questão de auto-identificação — tem muito a ver com a forma como os sistemas nos tratam.

 

Falas muitas vezes dessa violência sistémica. Como é que ela se manifesta no dia-a-dia?

De forma muito concreta. Neste momento, por exemplo, a minha residência em Portugal está caducada há mais de um ano. O meu cartão era válido por dois anos, depois de já cá estar há oito. Em agosto do ano passado fui chamado para a entrevista de renovação e desde então estou à espera.

Isto não é apenas simbólico. Impede-me de viajar. Impede-me de atualizar dados bancários. Posso perder acesso à minha própria conta porque a aplicação exige documentos válidos. Impede-me de mudar de emprego, porque ninguém quer correr riscos – nem o trabalhador, nem a empresa. Provoca também uma disrupção na identidade. Ficas refém.

Mesmo quando tens oportunidades, estás sempre à mercê. E isso cria um lugar hipercapitalizado onde a cultura, que já é precária, passa a ser asfixiada também por estes mecanismos.

 

Achas que Portugal ainda não entende o que é ser africano ou afrodescendente?

Portugal entende muito bem África. Esteve lá seis séculos. O problema é que a imagem que Portugal tem de África precisa de ser renovada. Reconsiderada.

E precisa também de reconhecer que a própria cultura portuguesa é uma cultura de fusão, profundamente influenciada por África. Hoje há muitas pessoas negras portuguesas, mas Portugal ainda se nega a aceitá-las dessa forma.

Isso vê-se nas políticas públicas: não temos dados étnico-raciais, não temos um sistema de cotas que facilite o acesso à educação, à cultura, aos códigos de poder.

Há mais representatividade, isso é verdade. Conheço hoje muitos mais criadores negros na cultura portuguesa. Mas é um processo. Só passaram 50 anos desde o fim do colonialismo. Isso não é nada face aos séculos anteriores.

 

A cultura africana não é só arte. É resistência. O que é que a cultura faz que a política não consegue?

A cultura dá acesso. É produto do imaginário de pessoas que constroem paraísos onde muitas vezes não lhes é permitida a entrada.

Quando comecei a fazer arte em Portugal, apesar de todas as contingências, eu não parei. E quando tenho público, é um público que reconhece esse tipo de tradução. Não gosto muito da palavra ‘ativismo’, porque é romantizada e é difícil de sustentar. Mas claro que há uma dimensão política.

Vivemos um tempo em que parecia haver progresso linear e, de repente, estamos a andar para trás. Leis a serem revistas, direitos a serem cancelados. No pós-pandemia, muita gente virou à direita por medo — medo de morrer, medo de perder. E isso gera conservadorismo, exclusão, a ideia de que o outro está a mais.

 

Como é que o corpo entra nisso tudo? Falas muitas vezes do corpo como arquivo.

O corpo é uma base de dados. Um instrumento. Quando eu danço, danço a partir da experiência do meu corpo. Os rituais, o treino, a musculatura — tudo isso protege essa memória incorporada.

A única forma de sobreviver a tantas violências é continuar a educar-me. Não só intelectualmente, mas corporalmente. Não estagnar. Continuar em movimento.

 

Há algum projeto que te tenha marcado de forma especial?

O último projeto que me marcou foi a última vez que estive em palco. Com a ópera da Diego Bragà, construída a partir do arquivo deixado pelo tio dela, Ricardo Wagner, que abdicou da vida após o falecimento da mãe. Um arquivo de cartas trocadas entre 160 homens queer durante a ditadura brasileira, em Copacabana. Pessoas que só podiam encontrar-se no subsolo, porque à superfície era proibido.

Essa correspondência deu origem a uma hiperPOPera – como definida pela artista. E isso, para mim, é cultura: memória, resistência, corpo, história — tudo junto.

Falavas há pouco da ópera e da forma como as personagens eram construídas. Sentiste aí também limites na representação?

É curioso, porque percebo que, enquanto outros intérpretes — que não são negros — têm maior liberdade para criar personagens completamente desligadas daquilo que são, inventar histórias que não partem necessariamente da sua experiência pessoal. No meu caso há quase sempre um movimento de retorno a um lugar identitário, mesmo quando essa representação é positiva, ou quando a personagem é, por exemplo, católica, ou alguém que se afastou conscientemente de uma religião de matriz africana para se aproximar do cristianismo.
Existem sempre pontos de contacto, quase expectativas silenciosas, na forma como essas personagens são pensadas e construídas.
Ao mesmo tempo, também tenho tido a oportunidade de trabalhar papéis mais versáteis — já fiz de pugilista, de vendedor de corpos biónicos, de ogã que é um sacerdote do Candomblé entre outros — e isso foi importante para perceber que esse campo pode, e deve, ser mais amplo. Que não pode haver limites na representação de corpos negros. Ainda assim, é um processo em curso, tanto artístico como estrutural.

 

Isso tem-te levado a repensar a forma como escreves a tua própria história?

Completamente. Tenho feito esse exercício consciente: tentar não ser apenas a pessoa negra que passou por uma série de dificuldades — porque isso já sabemos todos que aconteceu — mas permitir-me bioficcionar mais.

Criar outros mundos. Imaginar. Ser um pouco a Octavia Butler da história. Porque a questão agora já não é repetir o que nos aconteceu, é perguntar: que mundo é que podemos criar a partir daqui?

Esse exercício de imaginação é fundamental. É aí que a cultura volta a ser liberdade.

 

O Dia Mundial para a Cultura Africana e Afrodescendente é celebrado. Mas com que profundidade? É só um símbolo ou uma chamada real à mudança?

Essa é a pergunta que eu próprio faço. Porque é um dia simbólico, sim, e os símbolos são importantes, mas o que está realmente a acontecer de forma prática? Onde estão as celebrações? Onde é que isso é comunicado?

Não vi comunicados do governo ou de instituições a informar o público de que este dia existe. As Nações Unidas têm muitas dessas efemérides, e elas fazem sentido, criam marco, criam linguagem. Mas estamos numa fase em que é imprescindível que haja encontros reais, visíveis, que mostrem uma vontade efetiva de mudança, como propõe a própria Década Internacional dos Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento.

Este dia foi declarado em 2019, é recente. As direções mudam, os mandatos mudam, e às vezes essas datas perdem relevância política. Mas o que eu faria não era necessariamente criar um feriado. Era institucionalizar presença. Porque é que isto não é notícia? Porque é que não se ocupa um jardim, um parque, um espaço público? Há pouca presença na rua, pouco envolvimento institucional. Até isso acontecer, muito pouca gente sabe que este dia existe.

 

Quando te sentes cansado, há alguma música, filme ou obra que te devolva força?

Tenho ouvido muito gospel. Algo muito poderoso acontece quando várias vozes cantam em uníssono, em harmonia. Há grupos nigerianos e sul africanos que transformam músicas populares em coros gospel, e acho isso lindíssimo e enérgico. Kabusa Oriental Choir, Loud Urban Choir e os Gospel Collective em Portugal, são algumas das minhas referências.
No cinema, vi imensa coisa. Durante cinco anos fiz parte do programa Bem-vindos, na RTP África, onde tinha uma rubrica semanal de cinema afrodescendente. Vi centenas de filmes e gastei toneladas de papel em guiões. Agora vejo menos, mas estou muito curioso com o novo filme do Raoul Peck, inspirado em 1984, do Orwell. Parece-me muito sintomático do tempo que estamos a viver.
Se tivesse de escolher um filme que me marcou mesmo, diria Dakan, do Mohamed Camara, de 1997. É considerado o primeiro filme africano a abordar a homossexualidade. Quando o vi, fez-me perceber que não estava sozinho.  Há uma citação do James Baldwin que diz que nós achamos que a nossa dor e o nosso desgosto não têm precedentes na história do mundo, até lermos, ou vermos. Esse filme foi isso para mim.
Obras? Super recomendo a exposição Complexo Brasil no Museu da Gulbenkian, fica até março. É uma curadoria a não perder.

Se a cultura africana fosse uma cor, qual seria?

Preto. Um preto sofisticado, brilhante, misterioso. O preto condensa todas as outras cores. Claro que o pan-africanismo traz o verde, o amarelo, o vermelho — seriam várias cores — mas, se tivesse de escolher uma, seria o preto.

 

Qual é o teu maior medo quando pensas no futuro da cultura afro em Portugal?

Não tenho medo. A cultura afro vai resistir. Vai sempre sobreviver e proliferar. Não tem como não acontecer.

A Europa está envelhecida. O mundo é maioritariamente negro e afrodescendente. Há quem diga — e o Achille Mbembe fala disso — que o futuro é negro. Pode ser um futuro complexo, até distópico, num mundo cada vez mais tecnológico, indissociável da inteligência artificial.

Mas uma coisa eu sei: a cultura afro vai continuar a criar, a transformar, a insistir. Como sempre fez.

 

Deixarias uma mensagem direta aos jovens negros e afrodescendentes que querem contribuir para a cultura?

Há sempre uma dualidade. Entre o instinto e a intuição – que não são a mesma coisa. Mas há uma verdade intuitiva muito clara: não desistir de fazer aquilo que sentimos que temos de fazer. Aquilo que é nosso e nos pertence. E não abdicar disso em nome da pertença. Isto é contraditório.Porque muitas vezes o artista abdica de uma linguagem mais revolucionária para conseguir sobreviver, para se auto-sustentar.

Na arte africana e afrodescendente, isso é um lugar delicado. Queremos fazer, mas ninguém quer estar sempre de peito aberto contra a corrente. Às vezes é preciso ocupar certos espaços para nos sentirmos seguros. Mas é importante continuar. Continuar a montar narrativas que estimulem pessoas como nós. Que mostrem que há possibilidades.

 

Aí há espaço para a liderança? Isto é, por seres conhecido e teres um papel significativo, acreditas que os mais novos olham para ti como um líder da força e potencial dessa diáspora?

Uma das responsabilidades que sinto no que faço é mostrar que é possível.

Mesmo que eu não pense em mim como um líder, isso chega-me muitas vezes dessa forma. Porque há pessoas que dizem: «como é que isto aconteceu?» E eu percebo que, sem querer, fui uma primeira referência em certos lugares.

Quando publiquei o livro, não estava à espera de nada. Não houve máquina, não houve campanha e, no entanto, as pessoas mandavam-me mensagens a dizer que estavam esgotados nas livrarias. Muita gente leu em 24 ou 48 horas um diário que eu tinha escrito há 25 anos, quando tinha 18. E, na rua, várias vezes foi abordado por leitores da mesma idade a dizerem-me que o livro tinha feito toda a diferença.

Houve quem lhe chamasse «um manual de instruções para corpos diaspóricos em movimento». A Djaimilia Pereira de Almeida disse que ninguém escreve assim na língua de Camões, e que isso fazia do livro eterno. Isso é uma transcendência que não se planeia.
Fotografia: Axel Djangbo

Marcelo Teixeira,
Colaborador

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