A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou o reforço da sua estratégia de inclusão laboral com o lançamento do programa Gulbenkian Empregar, destinado a apoiar jovens entre os 16 e os 34 anos que não estudam, não trabalham e não estão em formação – comumente designados pela sigla internacional NEET (Not in Education, Employment or Training).
Segundo a fundação, apesar de Portugal registar uma taxa de NEET inferior à média da União Europeia – cerca de 8,7% face a 11% na UE – estes jovens continuam especialmente vulneráveis em contextos socioeconómicos desfavoráveis e em regiões como Algarve, Lisboa, Porto e os Açores/Madeira.
Apoio a projetos inovadores
A iniciativa financia projetos inovadores que promovam a qualificação e empregabilidade dos jovens, com foco em abordagens integradas, intervenção comunitária e formação profissional com ligação direta ao mercado de trabalho.
Após um processo de seleção baseado em critérios como pertinência, inovação e sustentabilidade, 14 projetos apresentados por consórcios de instituições públicas e privadas sem fins lucrativos foram escolhidos para implementação. Entre as abordagens apoiadas estão:
Centros de formação técnica e criativa para jovens na indústria da música.
Oficinas comunitárias com foco em competências socioemocionais e negócios sociais.
Programas de mentoria e estágios com ligação ao desporto e inclusão.
Os projetos, com duração prevista entre 12 e 18 meses, destacaram-se pela adoção de intervenções personalizadas, incluindo formação dual, mentoria e criação de redes locais de empregabilidade.
Parcerias e impacto esperado
A fundação estabeleceu parcerias com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), com vista à generalização de metodologias capazes de influenciar futuras políticas públicas para jovens em risco.
Segundo a Gulbenkian, estes esforços pretendem apoiar mais de mil jovens afetados pela inatividade prolongada ou por empregos precários, reforçando a sua segurança financeira e melhorando as perspetivas de integração no mercado de trabalho.
Um olhar atual sobre as dinâmicas do mercado de trabalho
O programa Gulbenkian Empregar insere-se num momento em que o mercado laboral português atravessa profundas transformações em termos de expectativas, oportunidades e desafios — especialmente para as camadas mais jovens da população. Uma análise publicada há poucas semanas na Revista Líder revela um cenário de discrepâncias entre empregadores e profissionais: em Portugal, 100 % das empresas inquiridas confiam no crescimento económico em 2026, mas menos de metade dos trabalhadores partilha essa confiança, destacando um hiato significativo entre as perspetivas de quem recruta e de quem procura emprego.
O estudo sublinha que, apesar de o mercado mostrar sinais de robustez, a confiança dos jovens no seu próprio percurso profissional é mais frágil, com muitos a valorizar não apenas o salário, mas também a autonomia, flexibilidade e alinhamento com estilos de trabalho modernos — fatores que influenciam diretamente as decisões sobre formação, entrada ou permanência no emprego.
Este contexto mais amplo — onde a evolução das condições de trabalho, as expectativas geracionais e as exigências de novas competências se cruzam — ajuda a explicar porque iniciativas como o Gulbenkian Empregar e as medidas governamentais de apoio à inserção laboral jovem assumem um papel estratégico na resposta aos desafios atuais do emprego jovem em Portugal.



