Quase sete em cada dez pais sentem pressão para conciliar trabalho e cuidados aos filhos durante o verão. Um estudo da IWG conclui que o trabalho híbrido e os espaços de trabalho próximos de casa ajudam a reduzir o stress, aumentar a produtividade e promover um melhor equilíbrio entre vida profissional e familiar.
As férias escolares representam um dos maiores desafios do ano para milhares de famílias portuguesas. Entre a organização dos cuidados aos filhos, a gestão das férias e as exigências profissionais, muitos pais enfrentam semanas de elevada pressão. Um novo estudo da International Workplace Group (IWG) conclui que o trabalho híbrido pode ser uma das principais respostas para aliviar este problema.
Segundo a investigação, 69% dos pais afirmam sentir stress com a organização dos cuidados aos filhos durante as férias de verão e 78% acreditam que trabalhar a partir de um espaço profissional próximo de casa ajudaria a reduzir essa pressão.
Quase um em cada cinco pais vai gastar todas as férias a cuidar dos filhos
As conclusões surgem numa altura em que milhares de famílias portuguesas reorganizam as suas rotinas com o encerramento das escolas. Em Portugal, o fim do ano letivo para a educação pré-escolar e para o 1.º ciclo marca o início de um período particularmente exigente para quem trabalha.
O estudo revela que 74% dos pais precisam de trabalhar de forma flexível para reduzir os custos associados aos cuidados infantis, num contexto em que 27% prevê gastar mais este ano com esse apoio do que em anos anteriores.
Ao mesmo tempo, 28% admite utilizar parte das férias anuais para cuidar dos filhos, enquanto 18% prevê mesmo gastar todos os dias de férias disponíveis durante o verão com essa finalidade.
Flexibilidade diminui, pressão aumenta
A investigação mostra ainda que muitas empresas reduziram as políticas de flexibilidade laboral. Segundo os dados da IWG, 55% dos pais afirmam que as suas organizações reduziram a flexibilidade este ano, uma subida significativa face aos 33% registados em 2025.
Como consequência, 27% diz recorrer mais frequentemente à ajuda de familiares e amigos, enquanto 26% considera que a obrigatoriedade de trabalhar no escritório está a criar um maior desequilíbrio na divisão dos cuidados parentais. A pressão recai sobretudo sobre as mulheres.
Em Portugal, dados da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) mostram que 84,7% dos dias de ausência ao trabalho por assistência a filhos, em 2024, foram registados por mulheres, evidenciando que continuam a assumir a maior parte das responsabilidades familiares.
Pais adaptam horários para conseguir conciliar trabalho e família
A necessidade de equilibrar trabalho e vida familiar está também a alterar a forma como muitos profissionais organizam os seus dias.
Segundo o estudo:
- 75% dos pais reconhece que as férias escolares afetam diretamente a sua rotina profissional;
- 26% admite ter mais dificuldade em concentrar-se quando tenta gerir simultaneamente o trabalho e os cuidados aos filhos;
- 22% planeia marcar menos reuniões ou chamadas durante o verão;
- 21% pretende começar a trabalhar mais cedo para conseguir responder às exigências familiares ao longo do dia.
Trabalhar perto de casa pode aumentar produtividade
Perante este cenário, os pais identificam uma solução clara. 83% afirma que utilizaria um espaço de trabalho profissional próximo de casa se essa possibilidade fosse disponibilizada pela empresa. Mais de um quarto (27%) acredita que isso lhe permitiria passar mais tempo de qualidade com os filhos durante as férias escolares.
Para a IWG, esta tendência acompanha a expansão dos espaços de trabalho flexíveis para além dos grandes centros urbanos, permitindo que muitos profissionais trabalhem perto das zonas onde as famílias passam o verão.
Trabalho híbrido também beneficia as empresas
O estudo conclui que os benefícios não se limitam às famílias. Além de melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, 69% dos pais afirma gastar menos dinheiro em deslocações durante o verão, ajudando a compensar o aumento das despesas com os filhos.
A IWG cita ainda uma investigação desenvolvida em parceria com a Arup, segundo a qual as empresas que integram espaços de trabalho locais numa estratégia de trabalho híbrido podem aumentar a produtividade até 12% nos próximos cinco anos.
Para Fatima Koning, Chief Commercial Officer da IWG, a flexibilidade tornou-se um fator estratégico para as organizações.
«A flexibilidade no local de trabalho não só apoia o bem-estar das famílias, como também contribui para a saúde mental e a satisfação profissional dos colaboradores. Ao responder às necessidades dos pais trabalhadores através de um melhor acesso a diferentes locais de trabalho, as empresas podem criar ambientes mais solidários e produtivos, ao mesmo tempo que impulsionam a produtividade e a retenção de talento.»



